<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898</id><updated>2011-12-01T08:39:01.535-08:00</updated><title type='text'>Janela Crítica</title><subtitle type='html'>IV Janela Internacional de Cinema do Recife
www.janeladecinema.com.br
04 a 13 de novembro de 2010 
Cinema São Luiz e Cinema da Fundação</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>92</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-87336138275464261</id><published>2011-11-14T02:23:00.000-08:00</published><updated>2011-11-14T02:27:55.833-08:00</updated><title type='text'>IV JANELA DE CINEMA - balanço</title><content type='html'>Liana Cirne Lins&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Visto desde a janela crítica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uma maratona de dez dias de cinema entrando por todos os sentidos e transbordando pelos poros a que se chega ao fim num misto de exaustão e êxtase. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência de escrever as críticas dos curtas nacionais e internacionais que participaram da mostra competitiva e integrar um júri especial foi rica em vários sentidos e incrivelmente envolvente, a despeito do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Janela Crítica&lt;/span&gt; ficar um tanto marginalizado dentro da estrutura do próprio festival e de uma relativa invisibilidade dos textos publicados que, de forma até simbólica, não integram o site do J&lt;br /&gt;anela e não são anunciados na página do evento no facebook.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O festival teve tantos pontos altos que os problemas técnicos dos primeiros dias, principalmente com o som do Cinema São Luiz, ficaram esquecidos à medida em que o festival avançava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, o festival acordou o centro do Recife, tingiu as paredes do Edifício Trianon com suas projeções e forçou os ratos a abrirem espaço para as pessoas em frente ao Cinema São Luiz, que ressurgiu como um amante antigo que reaparece para lembrar nunca ter sido esquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o festival promoveu várias catarses coletivas, iniciando pela sua abertura com &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Febre do Rato&lt;/span&gt; de Claudio Assis e passando por todos os Kubricks. Com a resolução dos problemas técnicos do som, as intensas sensações sonora e visual vivenciadas permitem dizer que ali todos assistiram &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Iluminado&lt;/span&gt; pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos curtas, chamou atenção o fato de vários deles (&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Vó Maria, Oma, Adeus Mandima, Elegie à Rimbeau&lt;/span&gt;) orbitarem a esfera íntima de seus realizadores, levando o espectador para dentro das suas casas, das suas famílias, das suas intimidades. Isso pode ser bom, pois o universal se estabelece a partir do íntimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também se mostra uma armadilha, quando reflete a incapacidade de ver o outro e sentir a partir dele ou mesmo quando expõe uma limitação sensorial e perceptiva do diretor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exercícios adivinhatórios são sempre muito arriscados, mas ao final do &lt;span style="font-weight:bold;"&gt; IV Janela Internacional de Cinema do Recife&lt;/span&gt; fica-se com a impressão de que esse festival vai entrar para a história da cidade e compor o imaginário coletivo artístico e intelectual que compôs seu público nesses dez dias. Não especialmente pela boa seleção dos filmes ou pela movimentação cultural no centro da cidade ou pela alta qualidade técnica de som e imagem que pode ser principalmente vivenciada na retrospectiva Kubrick. Mas porque, juntando todos esses elementos num só evento, promoveu uma experiência intelectual, simbólica e afetiva como há muito tempo não se tinha em Recife.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-87336138275464261?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/87336138275464261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/iv-janela-de-cinema-balanco.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/87336138275464261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/87336138275464261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/iv-janela-de-cinema-balanco.html' title='IV JANELA DE CINEMA - balanço'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-2844486745862153573</id><published>2011-11-12T06:21:00.001-08:00</published><updated>2011-11-14T02:17:42.653-08:00</updated><title type='text'>EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DE SEUS LINDOS LÁBIOS</title><content type='html'>Beatriz Braga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Você tem medo da vida?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você só deve abrir quando estiver muito desesperado". Ela diz revelando o presente, uma caixinha preta e seu cadeado. "– E a chave?" Não tinha. Como previsto, o desespero chegou e a caixa quebrada serviu para acalmar (ou inquietar ainda mais?) o coração: "eu te amo" escrito em linha simples, quase esquecido e deixado para trás. A história pode até parecer clichê, se não fossem as personagens densas e complexas que compõem o epicentro da trama. Cauby, o artista, Ernani, o pastor, e Lavínia, uma mulher dividida entre a paixão ardente ou a aparente estabilidade da salvação religiosa. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios&lt;/span&gt;, de Beto Brant e Renato Ciasca, foi exibido na quinta-feira (10-nov.) no Cinema São Luiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lavínia (Camila Pitanga) de cabelos soltos, nua e pintada de tinta. Em um ritual amoroso com Cauby  (Gustavo Machado), ela mostra sua face crua que serve perfeitamente à câmera do amante, as fotos mais bonitas do fotógrafo que guardam seu maior segredo e desejo. Mas Lavínia também é a mulher que veio das ruas, da prostituição e das drogas acolhida por Ernani (José Carlos Machado). Ele vê nela uma criança carente que o espectador dificilmente encontra. Em um ritual religioso, enquanto ela vomita, ele balança sua cabeça e pede a Deus que expulse a maldade de seu corpo. Lavínia também nunca deixou de ser a criança dolorida pelo abuso sexual. Em seu ritual com o vício, a bebida, aquela menina indecisa entre assumir seu corpo de mulher ou enfrentar a violência ao seu lado surge de repente. Lavínia não consegue decidir o que a faz sã. Erra muito por tentar acertar. Mas de muito procurar os extremos opostos de seus desejos, acaba caindo em devaneios. Todo mundo tem um pouco da Lavínia que prostitui sua identidade em troca de proteção e, também, da que se entrega de corpo e alma à vida, ao perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você tem medo da vida? Pergunta Vicktor, um quarto personagem de passagem pelo filme, mas nem por isso menos interessante. A interrogação alfineta o espectador que até agora só observava. Vicktor, que parece não temer a morte e vai ao seu encontro, mostra que difícil mesmo é permanecer vivo e encarar a realidade. Sua herança deixada para Cauby é categórica, uma espécie de jornal que trazia as fotos de Lavínia e a frase grande e pertinente “Santa é a carne que peca”. A pureza está no infame, no desequilíbrio. Santo é Cauby quando erotiza o ultimo rastro da igreja no corpo da mulher do pastor, é Ernani quando faz se entrega ao sexo carnal da protegida e, por fim, Lavínia quando bate à casa do fotógrafo e diz “eu voltei”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os caminhos se divergem, a força do sentimento parece ser maior. O amor é, no final, é a única fonte de lucidez. A morte de Ernani, a prisão de Cauby e tempo depois, o local de encontro é um Hospício. Ela é paciente, ele ainda apaixonado. Um sem o outro, estão perdidos. A identidade da mulher cheia de faces, idas e vindas é deixada para trás. A lembrança do que já foi está, agora, transformada em uma nova mulher. Não se vê resquício de Lavínia naquela que agora atende por Lúcia, seu, talvez, nome original. Por fim, ela simplesmente sorri, pela primeira vez no filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-2844486745862153573?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/2844486745862153573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/eu-receberia-as-piores-noticias-de-seus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2844486745862153573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2844486745862153573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/eu-receberia-as-piores-noticias-de-seus.html' title='EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DE SEUS LINDOS LÁBIOS'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-2099777282150940473</id><published>2011-11-12T06:15:00.000-08:00</published><updated>2011-11-12T06:17:23.724-08:00</updated><title type='text'>INTERNACIONAL 2 – QUATRO MULHERES</title><content type='html'>Bárbara Buril&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quatro modos de libertar-se e deixar-se libertar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um senhor doente, na cama, tem uma fantasia: ter um encontro sexual com uma prostituta travesti. Imobilizado, quem faz o convite? A sua esposa. É constrangedor, mas Aliya, a prostituta, aceita o desafio.&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; Fourplay: San Francisco&lt;/span&gt; (Kyle Henry, 2011) conta a emocionante história de um episódio que tinha tudo para marcar a vida de um homem heterossexual, mas que acaba sendo inesquecível para a própria prostituta.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tom diz “sim” com duas piscadelas do olho e “não” com uma. Só sente a face e os pés. Apesar das limitações físicas, o homem consegue, com o dedão do pé, dar a Aliya o orgasmo nunca alcançado. A situação, apesar de cômica, consegue ser traduzida de uma forma impecável: a música é romântica, o quarto está à meia-luz e Tom olha para a mulher com toda a serenidade do mundo. Uma virgindade, ali, está sendo rompida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Justine, a personagem do curta-metragem &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Junior &lt;/span&gt;(Julia Ducournau, 2011), também guarda um segredo. Assim como outras meninas do seu colégio, sofre de uma maldição metamórfica: dores no estômago, vômitos e fissuras na pele é o preço da transformação das meninas em mulheres. Junior, como é chamada no colégio, agora assume a identidade Justine.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A vazão ao orgasmo e à exploração do gênero é dada. Em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Girl &lt;/span&gt;(Fijona Jonuzi, 2011), há a libertação de regras sociais. Hanna, de 32 anos, a convite de um desconhecido em uma loja de conveniências, vai parar em uma festa de apartamento com cinco jovens de 20 anos. Inicialmente, ela sente-se incomodada com a diferença de idade e eles mostram-se surpresos. Depois de bebidas e cocaína, esquecem o problema e aproveitam a noite.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Já quem assombra o cotidiano de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Daphnèe&lt;/span&gt;, uma jovem adolescente haitiana, é o espírito de Marassa. Em lugares inadequados, ele toma o corpo da menina. Diferentemente do espaço urbano dos três curtas do programa &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quatro Mulheres&lt;/span&gt;, o universo de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sève &lt;/span&gt;(Louise Botkay, 2011) se dá no contexto mágico das religiões africanas do Haiti. Assim como Aliya, Junior e Hanna, Daphnèe também precisa se libertar. É só esperar finados acabar, época em que os espíritos bêbados e brincalhões descem mais facilmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-2099777282150940473?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/2099777282150940473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacional-2-quatro-mulheres_12.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2099777282150940473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2099777282150940473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacional-2-quatro-mulheres_12.html' title='INTERNACIONAL 2 – QUATRO MULHERES'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-3710383376953513079</id><published>2011-11-12T06:06:00.000-08:00</published><updated>2011-11-12T06:10:07.652-08:00</updated><title type='text'>INTERNACIONAIS 3 – MELANCOLIA</title><content type='html'>Lorena Tabosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Basta estar vivo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tudo o que está vivo, morre. Esta talvez seja a maior das lições que jamais iremos aprender. Jamais porque por mais que haja o esforço, nunca se sabe, ao certo, como lidar com algo letal, implacável e pontual ao mesmo tempo. E não é necessário que se esteja diante da morte física, da morte de alguém. Pensamentos, desejos, sonhos e medos podem ser abatidos, dando vida à dor. No programa &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Internacionais 3&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Melancolia&lt;/span&gt;, o espectador do Janela pôde se deparar com este delicado limiar existente entre o desespero, a culpa e a saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Raio de Sol Bate no Setor de Congelados&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Deixa Tudo Mole&lt;/span&gt; (Kommt Ein Sonnenstrahl in Die Tiefkuhlabteilung Und Weicht Alles Auf), de Lisa Weber, um casal leva uma rotina de calmaria, até um tanto apática. Não tomam café da manhã juntos e se prostram diante da televisão em poltronas separadas, num indício de indiferença. Mas uma cruz de madeira, fincada na beira de uma estrada, quebra a monotonia e dá lugar à dor em comum, a um abraço lado a lado. Numa representação simples e fiel, o filme nos transporta para os confins de uma grande perda e suas implicações em quem fica. É a sensação de um vazio impenetrável e, quase sempre, mas não neste caso, particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o homem sofre de véspera. Em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A Viagem &lt;/span&gt;(Wycieczka), de Bartosz Kruhlik, devaneios de um avô sobre o passar do tempo, sobre aquilo que já se foi e sobre o que não mais virá. Ele ensina sua neta a pilotar uma scooter e a apreciar a natureza, embora saiba que, provavelmente, não a verá pôr em prática outras tantas lições que ainda tinha para ela. O tempo passa despercebido até o momento em que pesa demais. Na inocência da menina, nota-se que as toneladas são sentidas apenas por quem já está aí há algumas décadas e que, infelizmente, ela só saberá quando do envelhecimento inevitável causado pela dor da perda. E é assim com todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também comum à humanidade é a preocupação lançada em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Adeus, Mandima&lt;/span&gt; (Kwa Heri Mandima), de Robert-Jan Lacombe: a despedida. No filme, fotografias de uma infância no Zaire e a partida da família, de origem européia, para nunca mais voltar. O lamento de Lacombe é a conhecida culpa pelo adeus nunca dito, embora, à época, ele não soubesse que jamais veria aquelas pessoas outra vez. E sem nunca ter pertencido a nenhum lugar, ele descartou e foi descartado em meio a disparidades culturais. Numa fresta para a questão das lembranças versus identidade, o espectador tem a oportunidade de projetar-se novamente e indagar: somos frutos daquilo que vivemos ou o que vivenciamos é resultado daquilo que somos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotografias retornam na narrativa de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A Esposa do Fotógrafo&lt;/span&gt; (Die Frau Des Fotografen), de Karsten Krause e Philip Widmann. Fazendo uso de fotografias diante da efemeridade do tempo e das falhas da memória, Gerti teve sua existência imortalizada pelo olhar do marido, em nus cobertos apenas de amor e de um quê de idolatria. O filme propõe uma reflexão sobre o que nos resta no fim de tudo. Serão fotografias? Será amor? Na verdade, um é bobina do outro e se um deixa de existir, o outro esmorece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando são os desejos que morrem, ou são forçados a morrer, nem a dor e nem o choro são, necessariamente, menores. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Em Dois, Por Favor&lt;/span&gt; (Dos, Por Favor), de Fabian Vasquez Euresti, um reencontro mal sucedido com uma namorada permite que José se veja em desejo por um amigo. O choro de medo daquilo que não conhecia sobre si mesmo e a tentativa de calar a vontade se contorcem numa luta entre o homem passional e o racional. Mas para eliminar um desejo, outro - o de matá-lo – precisa nascer. Assim, a morte é, na verdade, vida, mesmo que dolorosa demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-3710383376953513079?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/3710383376953513079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacionais-3-melancolia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3710383376953513079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3710383376953513079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacionais-3-melancolia.html' title='INTERNACIONAIS 3 – MELANCOLIA'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-2199562786254651087</id><published>2011-11-11T12:47:00.000-08:00</published><updated>2011-11-14T02:22:17.315-08:00</updated><title type='text'>EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS</title><content type='html'>Liana Cirne Lins&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nem tudo, nem nada&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma boa história de amor é uma história de perdição e de redenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, porque amor é perdição e redenção, é doença e cura, delírio e lucidez, entrega e recato, pulsão de morte e de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o que queremos é morrer nos braços do outro e renascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é quando esse tudo parte-se ao meio, como o visconde de Calvino, e se apresenta em duas metades tão apartadas quanto um pastor líder comunitário e um fotógrafo hedonista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios &lt;/strong&gt;(Beto Brant; Renato Ciasca, 2011) é um história de amor vivida por Lavínia, interpretada por Camila Pitanga, ex-prostituta e ex-drogada, libertada pelo pastor com quem viria a casar, Ernani (Zé Carlos Machado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua vulgaridade e sua fragilidade remontam a cena de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Betty Blue&lt;/span&gt; (Jean-Jacques Beineix, 1986) em que ela, levantando o vestido e usando nada por baixo, exibe e projeta seu sexo em sinal de desacato e transgressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À beira da autodestruição, o resgate religioso da mulher se dá numa cena de exorcismo realizada livre de qualquer preconceito, numa oração recitada com muita convicção por Zé Carlo Machado, que confere a Ernani a duplicidade da pureza e do interesse na bela mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em missão religiosa, mudam-se para o Pará e casam-se. A vida de Lavínia se transforma e ela encontra paz na tranquilidade da felicidade doméstica e nos hinos religiosos que entoa nos cultos. Lavínia curou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que tanta cura e saúde adoecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém consegue interpretar um só papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lavínia encontra em Cauby (Gustavo Machado) a cura para sua sanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ele, reencontra sua outra metade: ela mesma, sua própria riqueza delirante, frenética e alucinada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o início, a cumplicidade dos dois é a destruição: penetram-se com cores e tintas e pinceis e marcam um no outro símbolos de morte e de guerra. Seu destino está anunciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se Lavínia não pode resistir à insensatez que Cauby representa, também não quer abandonar a sanidade do leito de Ernani. A consciência da impossibilidade de completude, a incapacidade de decidir, a dor de novamente ser metade de si mesma levam-na à loucura, cujo realismo aumenta na mesma proporção em que Camila Pitanga despoja-se da sua beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria um filme feminino, não fosse o ponto de vista prevalente de Cauby. E nesse sentido ele é tão masculino que à nudez desinibida de Camila Pitanga contrapõem-se calculados enquadramentos que vedam ao espectador o recíproco nu masculino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme perde-se em alguns momentos com cenas excessivas, como a cena de abertura em que uma mulher posa para câmera, a de um ritual xamã, e um micro-documentário sobre as consequências da devastação da floresta para as comunidades locais, que nada incorporam à narrativa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último caso – a denúncia sobre o corte ilegal da madeira – sua incorporação na ficção (como ficção) funciona bem. Uma sequência de imagens aéreas da floresta que vai sendo progressivamente desmatada entrelaça os dramas políticos da comunidade com os dramas pessoais dos personagens que vão, assim como a floresta, sendo devastados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beto Brant e Renato Ciasca optam por um final feliz, tão em desuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inflam novamente a vida em Lavínia, com um beijo, como num conto de fadas do século XXI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lavínia não pode ter tudo, mas não é condenada a ficar esvaziada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-2199562786254651087?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/2199562786254651087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/eu-receberia-as-piores-noticias-dos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2199562786254651087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2199562786254651087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/eu-receberia-as-piores-noticias-dos.html' title='EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-1972895930536222146</id><published>2011-11-10T19:11:00.000-08:00</published><updated>2011-11-12T06:05:05.467-08:00</updated><title type='text'>BRASIL 5 - EU SINTO FALTA</title><content type='html'>Liana Cirne Lins&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Esse é um programa que anuncia uma tonalidade triste. Mas sentir falta pode ser um aquecer o coração, um sopro cálido e sereno.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No caso de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Elégie à Rimbaud&lt;/span&gt; (2011, Leo Pyrata), temos um divertido curta feito a partir de imagens de arquivo de um cachorro, Rimbaud, brincando com seu dono e diretor do filme. Os latidos do cão são acompanhados de legendas em francês dos versos do poeta Rimbaud supostamente recitados pelo cachorro, o que inevitavelmente arranca boas risadas da platéia. O mais engraçado, entretanto, é a narração também em francês que descreve as desventuras amorosas e sexuais de Rimbaud, desfiando uma longa lista de cadelas por quem se apaixonou e disputou amores pelas ruas. A elegia de Leo Pyrata é um filme terno, leve, de um humor inteligente e acessível.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;De outro lado, assumidamente nostálgico fica o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quando Morremos à Noite&lt;/span&gt;(Eduardo Morotó, 2011). Inspirado no conto A Mais Linda Mulher da Cidade, de Bucowski, o filme não apenas em preto e branco, mas sombrio, tem como protagonistas um homem de meia idade e uma jovem que se conhecem em um bar. No filme, porém, o elemento destrutivo não está na mulher (como no conto), que se mostra sempre vívida, mas no homem, que está doente. A ligação que se vai construindo entre os dois, fundada numa intimidade despretensiosa, é rompida pela decisão do homem de partir, estabelecendo uma primeira falta, transitória. A inversão das personagens e do impulso autodestrutivo poderia falsear o final e torná-lo inconsistente. Não é o que ocorre. O final surpreende. O sentimento da falta é mais agudo quando é inesperado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pra Eu Dormir Tranquilo &lt;/span&gt;(Juliana Rojas, 2011) conta a história de um menino de oito anos que está sofrendo muitas perdas ao mesmo tempo: a perda de atenção da mãe na iminência de ter outro filho, a perda da infância, pois está crescendo e, especialmente, a perda da babá, que morreu recentemente. A forma da diretora lidar com essa falta foi a mistura de gêneros com que uma história sobre afeto é contada através de elementos fantásticos (a babá ressurge no armário do menino), de terror (a babá assume forma de vampira, zumbi...). Ainda assim, a babá não causa medo, e sim a mãe, sofrendo de uma depressão pós-parto e tensa com problemas de trabalho de que não pode se afastar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Vó Maria&lt;/span&gt; (Tomás Von der Osten, 2011) é uma tentativa de resgatar a memória da tataravó do diretor. Trata-se de uma tentativa não porque o diretor falha, mas justamente porque é bem-sucedido em seu projeto. O filme é uma sequência de imagens de uma única foto da personagem título que vão de um close extremo até um distanciamento que desfoca a imagem na tela, enquanto ouvem-se os depoimentos da neta, bisneta e tataraneta, que também vão se distanciando progressivamente da personagem até à afirmação “eu não sei nada sobre ela”. Esse não é um filme sobre a falta. Ao contrário, é um filme sobre o quanto nossa presença vai desaparecendo sem deixar faltas e sobre o quão finitos somos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É interessante pontuar &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Vó Maria&lt;/span&gt; com &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Oma&lt;/span&gt; (Michael Wahrmann, 2011), filme que compôs o programa Puxando e Soltando. Se no primeiro temos um filme que busca em vão aproximar-se do seu passado, no segundo temos o registro do distanciamento entre gerações. Oma é um filme desrespeitoso em vários aspectos: na ridicularização da senilidade da personagem, nos planos invasivos que acentuam ou expõem uma decrepitude na velhice, nas situações de estranhamento da comunicação entre aquelas gerações acentuado pela insistência da avó em falar sua língua materna, alemão, que o neto não compreende e pela insistência do neto em não compreendê-la. O filme é um retrato da dificuldade em lidar com o outro que nos é diferente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estranhamento e esquecimento também são temas de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A Felicidade dos Peixes&lt;/span&gt; (Arthur Lins, 2011). O cotidiano de um homem solitário que recebe a notícia da visita da filha distante há 20 anos, visita que acaba sendo frustrada, é o mote do estranhamento do protagonista com seu entorno e da uma falta imprecisa em sua vida. O ritmo lento do filme, os planos de destaque dados à televisão, as refeições delivery são coerentes com a proposta narrativa. O filme, porém, é significativamente prejudicado pela atuação de Humberto Lopes no papel do protagonista, chegando a levantar no espectador a dúvida sobre se houve a opção por utilizar um não-ator e distanciado o espectador do personagem, quebrando o tom intimista do filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-1972895930536222146?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/1972895930536222146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-5-eu-sinto-falta.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1972895930536222146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1972895930536222146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-5-eu-sinto-falta.html' title='BRASIL 5 - EU SINTO FALTA'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-4374442900313539564</id><published>2011-11-10T19:00:00.000-08:00</published><updated>2011-11-10T19:05:02.075-08:00</updated><title type='text'>INTERNACIONAL 2 – QUATRO MULHERES</title><content type='html'>José Juva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quatro leituras do feminino e outras milhões embutidas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Focando a vida de algumas mulheres podemos ter as metáforas para compreendermos o universo de milhares, milhões de outras mulheres. E é esta a força das histórias das protagonistas do programa &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;INTERNACIONAL 2 – QUATRO MULHERES&lt;/span&gt;, da IV Janela Internacional de Cinema. Uma jovem adolescente em sua jornada de iniciação e encontro com os espíritos do vodu haitiano, outra garota às voltas com os estranhamentos e as transformações provocadas pelo turbilhão de hormônios da adolescência, uma mulher adulta deslocada numa festa com cinco garotos em seus vinte e bem poucos anos e, finalmente, uma mulher criada na força de se travestir, atendendo os desejos sexuais de um sujeito moribundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ousado, simultaneamente perturbador e delicado. Este é &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fourplay: San Francisco&lt;/span&gt;, de Kyle Henry. Somos lançados num recorte do trabalho de uma drag, atendendo sexualmente no ambiente doméstico um sujeito em estado vegetativo, auxiliado por máquinas – ele se comunica pelo piscar de olhos. Depois de conversar com a esposa do sujeito, a drag vai para o quarto, onde o homem vive, sobre a cama. Sodomia, felação, podolatria – cabe tudo na entrega sincera da drag para animar e confortar o sujeito, que fica sempre com um ar de riso no rosto. No sexo distante do cotidiano e da ortodoxia, o homem reencontra as possibilidades para assegurar que permanece jorrando vida. “Você é uma máquina de sexo, baby. Está vivo.”, diz a drag.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calcado numa estética experimental, num registro documental sutil, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sève&lt;/span&gt;, de Louise Botkay, acompanha o despertar do relacionamento de uma jovem haitiana com o mundo mítico e espiritual. Banho de ervas, danças, incensos. A garota recebe em sonhos o espírito de Marassa – este espírito representa o andrógino primordial, sendo apresentado também nas figuras do casal de gêmeos Mawu e Lissa. Temas como a fertilidade, a doçura, a bravura e a força giram diante dos olhos do espectador, amparados na vivência de iniciação da jovem. Frágil e pouco eficaz, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Girl&lt;/span&gt;, de Fijona Jonuzi, conta a história de uma mulher adulta deslocada numa festa com cinco garotos por volta dos vinte anos. O filme amortece o espectador, também deslocado neste sobrevôo superficial sobre os silêncios constrangedores que envolvem as gerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Junior&lt;/span&gt;, curta realizado por Julia Ducournau é um experimento maduro. Atrai o espectador com uma narrativa permeada de assombros, lirismo, desconforto – como numa cena em que a garota revira profundamente a pele das costas. A jovem protagonista é insegura em relação ao corpo e às transformações típicas da idade – algo similar à estrutura da fábula do patinho feio. Embora o tema seja demasiadamente conhecido, o curta constrói uma assinatura própria ao traçar no corpo da jovem e no ambiente que a cerca, se utilizando de fortes materializações visuais das metáforas, as mudanças e transtornos por que passa. A garota fica bonita, quase irreconhecível, mas tem de aprender a lidar com gosmas que saem de seu corpo e encharcam o quarto. Para o espectador e para a personagem, a certeza de que é preciso voltar-se sobre si e encarar as próprias inseguranças para encontrar a sabedoria de uma vida autêntica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-4374442900313539564?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/4374442900313539564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacional-2-quatro-mulheres.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4374442900313539564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4374442900313539564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacional-2-quatro-mulheres.html' title='INTERNACIONAL 2 – QUATRO MULHERES'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-7168687049141867937</id><published>2011-11-09T10:15:00.000-08:00</published><updated>2011-11-09T10:21:01.019-08:00</updated><title type='text'>BRASILEIROS 3 – SALVAR ARQUIVO VOL.3</title><content type='html'>Lorena Tabosa&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Memórias, suas e minhas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fosse para encarar ao pé da letra o título do programa &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Brasileiros 3&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Salvar Arquivo Vol.3&lt;/span&gt;, já seria plausível adotar o pensamento de que se trata de curtas-metragens, de certo modo, documentais. E são. Mas são também mais que isso. São personificações impressas na tela de algumas de nossas próprias memórias, expressas através de memórias alheias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Roberto Cabeção&lt;/span&gt;, de Salomão Santana, uma viagem às intimidades de uma família que poderia ser a sua. A impressão que dá é que todos aqueles dias de gravações em fita cassete voltaram como um flashback, tanto para quem era criança no início dos anos 1990 (época que se passa o filme), quanto para quem empunhava a câmera e eternizava a infância dos filhos, sobrinhos, irmãos. A proximidade que se cria com as imagens caseiras é inevitável e a saudade, dos tempos que não voltam mais, se torna latente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação de identificação acontece também com os primogênitos, escondidos no meio de qualquer plateia, em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Pai Daquele Menino&lt;/span&gt;, de Raul Arthuso. Um adolescente, depois de fazer mil conjecturas sobre um suposto caso amoroso da mãe, recebe a notícia de que vai ganhar um irmão e acaba naquela já sabida confusão sentimental: fico feliz ou não? É um retrato, mesmo que menos incisivo do que poderia ser, das relações entre pais, filhos e o elo familiar de modo geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como lidar com o depoimento de alguém cujo companheirismo é um misto de belo e inquietante? Essa é uma questão que permanece suspensa após a experiência de adentrar a vida do casal colecionador de fósseis de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ovos de Dinossauro na Sala de Estar&lt;/span&gt;, de Rafael Urban, também diretor de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Bolpebra&lt;/span&gt;, exibido neste Janela. A viúva, que fez cursos de Photoshop para manter acesos os sonhos e coleções do marido, dá uma aula de como pode ser o “até depois de a morte nos separar”. Apesar de um tanto monocórdia, a obra acaba por nos infectar com o amor sem barreiras de que tanto ouvimos falar, mas duvidamos que existisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Calma Monga, Calma&lt;/span&gt;, de Petrônio de Lorenna, não são as lembranças de uma família, de sua família ou de um casal de desconhecidos que “fazem a cabeça” do espectador, mas sim o imaginário popular, indiscutivelmente a maior das memórias. Tradicional em Pernambuco, a história da Monga, a mulher-gorila, atravessa gerações e deixa pairar no ar a sua veracidade, trazendo de volta a relação do humano com o mítico, que resulta em desproteção e desamparo. É nesse limiar de ficção e realidade que o filme brinca também com outros símbolos populares, como os programas policiais e os cines pornô, divertindo seus olhos. E nisso de ser representação do medo e do desejo, a Monga está solta e todo cuidado é pouco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-7168687049141867937?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/7168687049141867937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasileiros-3-salvar-arquivo-vol3.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7168687049141867937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7168687049141867937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasileiros-3-salvar-arquivo-vol3.html' title='BRASILEIROS 3 – SALVAR ARQUIVO VOL.3'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-3247360818116262199</id><published>2011-11-09T10:07:00.000-08:00</published><updated>2011-11-09T10:12:59.591-08:00</updated><title type='text'>BRASILEIROS 3 - SALVAR ARQUIVO</title><content type='html'>Domitila Radharane&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Raimundo dos queijos&lt;/span&gt;, Victor Furtado; CE, 2011. O bloco de curtas “&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;BRASIL 3”&lt;/span&gt; inicia-se com o curta &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Raimundo dos Queijos&lt;/span&gt;. Obra instigante e sensual. Entre olhares, cristalinos, um homem branco com olhos verdes, vestindo roupas leves e chinelos, e um caderno de anotações vermelho, música e movimento que mais parecia dança. Segue o destino à uma mesa do bar “Raimundo dos queijos”, situado na Travessa do Crato/Ceará. O personagem e seu diário de capa vermelha, harmonizado ao portão vermelho atrás da mesa escolhida. Dentre uns goles de cerveja, degusta queijo coalho e cita o seu dia: ”Domingo, centro, Raimundo dos queijos”. Qual o eu lírico deslumbra beleza de compor a escrita como prosa poética. Paralelo à isso, um grupo de deficientes visuais em performance musical, vibrando de entusiasmo o público de ontem(08/11/2011), no cinema da Fundaj. Dentre canções, o trecho “a fogueira tá queimando, em homenagem à São João[..]”. Entre sorrisos e vibrações de alegria, o filme parece se comunicar com o público. E os signos aparecem em variedade. Um momento familiar repleto de vida, fogo energético condutor dos observadores apreciadores da arte ambulante e viva que é o ser humano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ovos de dinossauro na sala de estar&lt;/span&gt; (Dinosaur Eggs in the Living Room) Rafael Urban; PR, 2011. Dentre variados tipos de linguagem e cenários, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ovos de dinossauro na sala de estar&lt;/span&gt;, a partilha da sublime e memorável vida em suas particularidades. Uma senhora loira vestida de vermelho, uma meia-calça, um lustre de cristal e piano são elementos que suscitam o gosto sofisticado da personagem, logo da idealização da obra. Um retrato às criações, boas lembranças e virtuoso amor com o falecido esposo. Através de narrações da história de sua vida, fotos que se fazem eternas no inconsciente. E citações de um antigo convite de jantar em sua residência-museu-laboratório artístico. Entre preciosos objetos e coleções, a lucidez de continuar a vida vigorosamente ativa. Bela película que ativou ao sentimento da pureza de compartir e re-significar através de lentes transformadoras, qualquer processo estático do ser humano de impossibilidade de avanço. O tempo pareceu lento demais em algumas cenas, uma espécie de sentimento vazio sem significado. E então, esse pode ser o foco da crítica em sentido de relativizá-lo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Roberto Cabeção&lt;/span&gt; (Big Headed) Salomão Santana; CE,2011. No mesmo bloco, Roberto Cabeção, nos lembra o amor através de desenhos, interações de imagens simples de uma rotina no interior do Ceará, e muito afeto. Inicia-se com um desenho de um homem nu com uma grande cabeça verde que reflete grama, e uma declaração-homenagem: “meu tio Roberto tinha uma cabeça enorme[...]”. Algo situado na expectativa de sentir-se diante do infinito, do inusitado acaso, que pulsa os círculos sociais em sua chegada. E corrompe o medo de protestar todo o necessário, situado no movimento das evoluções. Com tantos elementos familiares, uma rádio em “flashes” com técnicas expontâneas a destencionar, e fazer o natural fluir do personagem presente na cena , e todo o público. Meios e formas de educação são expostas através de um olhar neutro e revelador. Ao mesmo tempo, exposição de crianças à linguagens que divergem o nível da boa educação, refletindo aos alicerces básicos, melhoras na conduta ética e moral da sociedade brasileira. Por vezes, um sentimento de ingenuidade pelas explorações em níveis tão profundos como presentes no dia- a- dia de um cidadão carente de qualidade de vida. Em outras visualizações, o fio profundo do coração que liga, transmuta e renova, refrescando a sensação da evolução de cada dia, sendo realizada por imaginários limpos, brilhantes e prósperos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-3247360818116262199?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/3247360818116262199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasileiros-3-salvar-arquivo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3247360818116262199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3247360818116262199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasileiros-3-salvar-arquivo.html' title='BRASILEIROS 3 - SALVAR ARQUIVO'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-3738876831284873029</id><published>2011-11-09T10:02:00.000-08:00</published><updated>2011-11-09T10:05:25.030-08:00</updated><title type='text'>BRASIL 6 – PUXANDO E SOLTANDO</title><content type='html'>Bárbara Buril&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O destino (ou a maldição) dos laços&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu queria que você ficasse aqui. Diz a avó para o seu neto. O curta-metragem &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;OMA &lt;/span&gt;(Michael Wahrmann, 2011), exibido ontem (9/11) no programa &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Puxando e Soltando&lt;/span&gt;, mostra o universo da senhora Gerda, frágil, mas bonito. O neto (o próprio cineasta), ao conversar com a avó através das câmeras, capta dizeres tocantes sobre incompreensão, apego, tempo e visão. O espectador pode quase chorar. Em preto e branco, o filme entra em consonância com o universo da senhora, escurecido pela pouca capacidade dos olhos. Tudo é cinza, diz.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Também é emocionante o curta &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Zenaide &lt;/span&gt;(Mariana Porto, 2011). Mais próximo do videoarte, o filme mostra fotografias envelhecidas de mulheres que se casaram em 1960. As batidas de coração compõem o som, juntamente com os depoimentos das atuais senhoras. Apesar de terem resumido as suas vidas ao casamento, uma delas diz gostar da música &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Moon River&lt;/span&gt;, do filme "Bonequinha de Luxo", e canta: There is such a lot of world to see...¹ Talvez não agora. Quem sabe, depois...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ainda dentro da questão dos laços familiares, está o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Uma Primavera&lt;/span&gt; (Gabriela Amaral Almeida, 2011). Uma mãe leva a filha para comemorar o aniversário de 13 anos em um parque. A garota está crescida, já faz as pernas, troca mensagens com o namorado e diz não gostar da cor do bolo: rosa. O programa, idealizado pela mãe, já não cabe mais. Um passarinho morto, ao lado da toalha de piquenique, guarda a metáfora da liberdade. Com equilíbrio, a fotografia limpa de Matheus Rocha capta uma manhã no parque.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Já os dois curtas Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo (Rodrigo John, 2011) e Na Sua Companhia (Marcelo Caetano, 2011) tratam dos laços puxados e soltos dos amores perdidos e conquistados, respectivamente. O primeiro, um divertidíssimo desenho animado, mostra o fim de um relacionamento de uma forma cômica, para não dizer trágica. Um mar de sangue inunda a casa do personagem, um cachorro humanoide. Para parar de sofrer, o homem (?) congela o próprio cérebro e vomita o coração.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O amor conquistado – finalmente! – está no filme de Marcelo Caetano. Pornoamador, o personagem do filme usa a câmera de seu celular para registrar homens nus com os quais se relacionava. Depois de conhecer um homem na noite gay de São Paulo, o conteúdo de suas imagens passou a mudar: além do nu, retratos do cotidiano dos dois. O curta fecha o programa &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Puxando e Soltando&lt;/span&gt; com a música Maldição, de Maria Bethânia. Afinal, que destino ou maldição manda em nós, meu coração... ?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;¹ Tradução: Tem tanto no mundo para ver... Canção de 1961, composta por Johnny Mercer e Henry Mancini.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-3738876831284873029?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/3738876831284873029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-6-puxando-e-soltando_09.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3738876831284873029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3738876831284873029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-6-puxando-e-soltando_09.html' title='BRASIL 6 – PUXANDO E SOLTANDO'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-904470234139535675</id><published>2011-11-09T09:53:00.000-08:00</published><updated>2011-11-09T09:59:22.077-08:00</updated><title type='text'>INTERNACIONAIS 4 - O CINEMA REMIXADO</title><content type='html'>Domitila Radharane&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;The Voice Of Go&lt;/span&gt;d, Bernd Lutzeler;  India, 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estar no mundo e não pertencer ao mundo. O que esta película, salientadora do movimento/velocidade/espaço, ao refletir simultaneidade entre personagens, paisagens e poesia, nos concebe. Ao mesmo tempo, tratando dos universos simbólicos, como fruto de cruzamentos entre imaginação e imaginário, as extremidades de ritmos ultra-velozes quais regem às cid...ades. Entre maioria e minoria, expressas em contrastes, ora pelo movimento metropolitano dos carros, das máquinas, da sociedade como um todo; ora por uma mulher de vestido vermelho e “sári”(traje típico indiano) azul, sentada em uma cama, dentro de um quarto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre elementos mais variados, principalmente a calma silenciosa dessa personagem, uma espécie de meditação em uma postura de contraste à toda realidade adversa à sua vibração. Sofás com lírios estampados, televisão e acessórios. A todo instante, um homem narrador que através das citações na língua indiana, revela-nos a cultura e núcleo espiritual da mesma. O regente de todo o filme, a voz que é som, e o som que torna-se possível o sentimento repleto de completude existencial. Multidões dentre rituais sagrados indianos, todos repletos de tintas coloridas, aparecem juntos à beira de um rio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma espécie de mantra “hindu” que acalma a frenética atmosfera das regiões industriais. O tempo interior difere-se do exterior. O que nos move torna-se contraste diante das frenéticas zonas de controle. Delicada miragem qual traça um paralelo entre ideias e conceitos de mundo novos e antigos que sempre se renovam. É assim que o já antigo “novo mundo” americano se mistura ao “velho mundo” ibérico e, no caso do Brasil, segue se renovando com influência de diferentes universos. Diferentes formas de ver e apreender uma cultura, em ligação com a ideia íntegra ao “eu” e ao “tu”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-904470234139535675?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/904470234139535675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacionais-4-o-cinema-remixado_09.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/904470234139535675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/904470234139535675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacionais-4-o-cinema-remixado_09.html' title='INTERNACIONAIS 4 - O CINEMA REMIXADO'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-6967006097218459583</id><published>2011-11-09T09:46:00.000-08:00</published><updated>2011-11-09T10:41:11.722-08:00</updated><title type='text'>BRASIL  6 - PUXANDO E SOLTANDO</title><content type='html'>José Juva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Aqui, além&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxar e soltar os fios do novelo da memória, puxar e soltar os corpos em movimento ao nosso redor, puxar e soltar as palavras e as imagens para dar conta das loucuras e dores do amor e do desamor, das incompreensões em diálogo. O programa de curtas-metragens &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;BRASIL 6 – PUXANDO E SOLTANDO&lt;/span&gt;, da IV Janela Internacional de Cinema de Recife, agarra olhares transeuntes e libera as mentes dos espectadores para vagarem por um sonho coletivo numa tentativa de tatearem e descobrirem intimamente o que o desejo e o afeto conseguem trazer para perto de nós e o que queremos, permitimos ou aceitamos que a vida arraste para longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diretora Mariana Porto, em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Zenaide&lt;/span&gt;, costura o depoimento de sete mulheres a respeito das relações de poder e afeto, discutindo o casamento como uma estratégia de sobrevivência. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Zenaide&lt;/span&gt;, um dos curtas-metragens do projeto Olhares Sobre Lilith (adaptações de várias realizadoras sobre o livro de poemas As Filhas de Lilith, de Cida Pedrosa), desdobra a narrativa do poema: uma mulher se casa aos vinte anos, em 1964, como quem compra uma bicicleta. Entrelaçando as declarações das entrevistadas, também casadas por volta dos vinte anos, Mariana Porto constrói a imagem de uma mulher questionadora das convenções sociais – como a obrigação do casamento e da procriação. Já no curta-metragem &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Oma&lt;/span&gt;, de Michael Wahrmann, as relações entre o realizador e sua avó, personagem-título, servem como fio condutor para a narrativa. O filme é calcado numa estética precária, operando a linguagem de um vídeo doméstico, gravado em visitas do diretor à sua avó. O sujeito fala espanhol, a avó fala alemão. Ela não escuta, ele não entende. O curta-metragem caminha por uma navalha tênue, entre o registro da história íntima da família e o uso descabido e despropositado da avó como um personagem, até certo ponto, caricato. A perspectiva adotada elabora um plano de embotamento do sujeito, onde transparece uma estratégia não partilhada, uma hierarquia entre quem detém o controle da narrativa (o realizador) e quem está à deriva (a avó, Oma).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Uma Primavera&lt;/span&gt;, de Gabriela Amaral Almeida, repisa o tema das interações entre mãe e filha, destacando o instante em que a prole se afasta da larga área de influência materna. Uma história em linha reta: aniversário de treze anos da filha, num piquenique, nenhum amigo por perto, nem o pai. A mãe dorme e quando acorda a filha não está por perto. Algum espectador com dislexia pode embarcar no suspense. Mas o jogo previsível já havia sido estabelecido. E, quando a mãe fica procurando a filha pelo parque, já sabemos que ela está ficando com um garoto. E é o que a mãe avista. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Na Sua Companhia&lt;/span&gt;, de Marcelo Caetano, é uma ficção sobre o universo jovem homossexual, a partir do olhar de um professor da rede pública que gosta de filmar seus parceiros. Espraiado numa estética da pornografia amadora, o curta-metragem lança um olhar sobre os fetiches, as idas e vindas do amor e do sexo. A animação &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo&lt;/span&gt; completa o programa, com a história de um cão abandonado por sua amada cadela. O personagem entra, então, numa viagem metafórica e literal do despedaçamento de si: fatiar o coração, bater o cérebro no liquidificador, passar a ferro o rosto, perder os dentes, embalado por Loucura, de Lupicínio Rodrigues.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-6967006097218459583?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/6967006097218459583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-6-puxando-e-soltando.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6967006097218459583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6967006097218459583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-6-puxando-e-soltando.html' title='BRASIL  6 - PUXANDO E SOLTANDO'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-1891364121133221332</id><published>2011-11-09T09:36:00.000-08:00</published><updated>2011-11-09T09:40:27.714-08:00</updated><title type='text'>CINEMA REMIXADO -  INTERNACIONAL 4</title><content type='html'>Liana Cirne Lins&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Experimentalismo, pesquisa e conceitualidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cinema Remixado&lt;/span&gt; escolheu cinco curta-metragens que tem em comum a reapropriação de cenas, imagens ou falas de outros filmes. Também deve ser destacada a irrelevância do conteúdo das falas no produto final, o que é acentuado pela opção dos diretores de três deles – &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Stardust&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;The Voice of God &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Joule&lt;/span&gt; – de não utilizar legendas para sua tradução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do programa, destaca-se &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Conferência &lt;/span&gt;(Conference, de Norbert Pfaffenbichler, Austria, 2011), que é uma montagem de cenas com diversos atores interpretando Hitler em distintas situações (sério, preocupado, discursando, afeminado, sorrindo), cujos discursos e diálogos são substituídos por ruídos e distorções que se harmonizam com a intensidade e o tom provavelmente usados pela voz do ator, confirmando que uma imagem a que se confere um forte significado prescinde de justificações para formar um sentido para o espectador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exceção feita à &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Conferência&lt;/span&gt;, os demais mostram-se como experimentações fílmicas que rompem com a narrativa cinematográfica tradicional, mas que ao mesmo tempo não apresentam nada de novo, já que a montagem de cenas ou falas de filmes existentes para criar um filme feito a partir de outros filmes já foi realizada diversas outras vezes, inclusive com muito maior sucesso e foi inclusive ludicamente referida em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Rebobine Por Favor&lt;/span&gt; (Be Kind Rewind, Michel Gondry, 2007).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;I’m Not The Enemy&lt;/span&gt; (Alemanha, 2010, Bjørn Melhus) alterna quatro personagens, todos vividos pelo diretor, que representam a família de um veterano de guerra, cujas falas que se repetem são retiradas de filmes sobre o Vietnam e realocadas para um cenário do subúrbio da Alemanha. A alternância da trilha sonora que vaga entre o jocoso e o tenso é um dos pontos altos do filme que se propõe a questionar as dificuldades da reinserção de um veterano de guerra (que pode ser a representação de todas as nações que tomaram parte nela), mas que não necessariamente alcança a finalidade a que se propôs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Stardust &lt;/span&gt;(Bélgica, 2010, Nicolas Provost), assim como I’m Not The Enemy, brinca com o realocamento de falas. Aqui são reaproveitados filmes policiais que comporão o ambiente de Las Vegas, em que pacatas famílias de turistas são incorporadas a situações de tensão advindas daqueles filmes. A proposta inicialmente divertida converte-se em maçante em sua execução, o que é agravado pela completa ausência de legendas para um filme que seria carregado justamente pela transposição dos diálogos. É como se fôssemos forçados a assistir a brincadeira sem que pudéssemos brincar. Mas dessa vez o mimado dono do jogo tem uma câmera ao invés de uma bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;The Voice of God &lt;/span&gt;(India, 2011, Bernd Lützeler) é uma mixagem de imagens da India feita a partir de documentários e outros filmes. O locutor indiano narra algo incompreensível e o tom de voz do narrador é a aspirada voz de Deus. A disparidade entre a pretensão artística do filme e o seu resultado é gritante, especialmente porque a voz do locutor não tem nada de especial em relação a qualquer outro locutor de programa de rádio religioso ou mesmo programa de auto-ajuda romântica para solitários nas madrugadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o programa encerra com &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Joule &lt;/span&gt;(Itália, 2010, David Zamagni e Nadia Ranocchi), um pot-pourri de cenas onde são dispersos energia e trabalho de que o joule é uma medida. Durante 22 minutos, somos arrastados por cenas em que borboletas batem asas, uma chave é derretida, crianças dançam, um casal de homens dança, uma stripper dança, um homem desprende enorme esforço físico (para erguer pesos de 10 kg), uma mulher entrevista um homem (ou o oposto, não é possível saber já que mais uma vez não foram utilizadas legendas em português, embora haja legendas em inglês...). O filme encerra com o mesmo homem se exercitando, agora de costas, mostrando a bunda para o espectador. Muito simbólico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final do programa, fica-se com a impressão de que a inovação almejada não decorre do intento de romper com o tradicional, mas simplesmente da incapacidade de realizar o tradicional, de dedicar à obra a pesquisa, o trabalho conceitual e técnico que ela mereceria para oferecer ao espectador uma experiência cinematográfica verdadeiramente inovadora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-1891364121133221332?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/1891364121133221332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/cinema-remixado-internacional-4.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1891364121133221332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1891364121133221332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/cinema-remixado-internacional-4.html' title='CINEMA REMIXADO -  INTERNACIONAL 4'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-7359798211457708988</id><published>2011-11-09T05:52:00.000-08:00</published><updated>2011-11-09T05:58:27.041-08:00</updated><title type='text'>INTERNACIONAIS 4 -  O CINEMA REMIXADO</title><content type='html'>Beatriz Braga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempos de correria, a arte pode ser flagrante. As câmeras captam o passar do tempo, a perda da espontaneidade. O cinema em remix, repetindo o que todo mundo vê sempre mas não reflete, tem um propósito. Para reproduzir o ciclo vicioso da modernidade, da rotina e de um passado ainda presente, o cinema fala, repete e repete de novo. As cenas dos curtas de sessão &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cinema Remixado&lt;/span&gt; ficaram como um mantra na cabeça dos telespectadores. A receita, porém, corre o risco de parecer um disco emperrado e não agradar. A ordem é prestar atenção nas imagens, esquecer as falas, diálogos e afins. O que importa está no movimento e na sucessão problemática dos acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem musculoso que malha incansavelmente, as crianças que brincam no aparelho eletrônico, um motorista de tanque de guerra que dorme ao volante e o casal gay que disputa uma competição de dança. O curta &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Joule&lt;/span&gt; (David Zamagni e Nadia Ranocchi, Itália) apresenta a mecanicidade da rotina. O hábito ganha a indiferença de uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;stripper&lt;/span&gt; apática. A vida fica essencialmente pornográfica como a dançarina de corpo dançante e sensual, mas de olhos estáticos, cansados, prostituídos. Partindo para o macro, o filme &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;The Voice of God&lt;/span&gt; (Bernd Lutzeler, India) fala também da rotina. Mas agora sobre o dia a dia de Mumbai, narrado por uma voz forte, com uma pretensão divina, sem legendas para o português. As cenas mostram pássaros presos entre cercos de concreto, carros em movimentos, rastros de pessoas deixados nas ruas. Uma mulher indiana aparece, reclusa e triste em seu quarto, entre os flashes tumultuados. Uma representação da figura feminina, esquecida entre o crescimento econômico da cidade.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;"&gt;“Você é um homem bom" tenta, incansavelmente, se fazer crível a mãe de um ex-soldado.&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; I´m Not the Enemy&lt;/span&gt; (Bjorn Melhus, Alemanha) é uma reflexão cômica sobre a insuficiência de um país e da própria família em lidar com o pós-guerra. O rapaz, depressivo, deitado no sofá, divaga sobre o que é vida e morte, enquanto seus pais parecem querer disfarçar suas próprias dores e repetem clichês. O Rádio, à sua moda antiga, aparece constantemente nas cenas e simbolicamente traz a presença histórica e o peso do país em uma casa de família comum. A criança feliz que um dia foi o homem, marcado agora pela guerra, está morta e tudo está acabado.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Conference &lt;/span&gt;(Nobert Paffenbichler, Austria) traz também a guerra, agora numa retrospectiva de vários atores interpretando Hitler em preto e branco. Mudam os rostos e cenários, continuam as expressões ásperas. Entre dizeres inteligíveis, a brutalidade incomoda o telespectador. A Alemanha da década de 1940 está volta e é impossível entender a popularidade e a submissão de um povo por aquele som remixado da ditadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sexto filme da sessão, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Stardust &lt;/span&gt;(Nicolas Provost, Bélgica), é uma trama que ganha vida na noite de Las Vegas. Uma câmera escondida e um suspense entre as casas de jogos da cidade. A edição perturbadora do filme, os diálogos praticamente incompreensíveis e o roteiro cansativo chegam a causar, em alguns momentos, desconforto no telespectador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-7359798211457708988?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/7359798211457708988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacionais-4-o-cinema-remixado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7359798211457708988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7359798211457708988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacionais-4-o-cinema-remixado.html' title='INTERNACIONAIS 4 -  O CINEMA REMIXADO'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-1452850567115810841</id><published>2011-11-09T05:33:00.000-08:00</published><updated>2011-11-09T05:37:55.491-08:00</updated><title type='text'>BRASIL 1 - GRITOS PRIMAIS</title><content type='html'>Beatriz Braga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O apelo primata da modernidade&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais o mundo avança, mais é preciso resgatar o passado para entender os homens de hoje. Os filmes da sessão &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Gritos Primais&lt;/span&gt; lembram que a modernidade não conseguiu resolver problemas primitivos da existência humana. O primeiro, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Da Origem&lt;/span&gt;, de Fábio Baldo, apresenta um homem primata, perdido, solitário e a sua ode e proteção a uma pedra que lhe daria o fogo. Essa personagem pouco tem da valentia nata que os homens da caverna costumam ostentar nos filmes. O medo é seu guia. Recluso e triste, ele observa a tribo que interage entre si. Com uma cabeça de caveira na mão, parece não entender bem o que a morte significa. Emocionado, sente a chuva forte limpar sua pele suja e dolorida da mata seca. O ser moderno se projeta naquele homem que não sabe viver em sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segunda curta,&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; Avalons&lt;/span&gt;, de Carlos Eduardo Nogueira, é um convite a uma viagem. Se o telespectador aceita a ideia, se diverte à custa de fórmulas técnicas bem resolvidas. Em forma de desenho e tomada por uma trilha envolvente, o filme faz uma sátira de fábulas tradicionais, a começar pela disputa de dois cavaleiros por uma dama. Em meio a uma espécie de Calígula moderna e infantil, a tela se enche de estórias paralelas, soldados, máscaras de ferro e crianças. Quem assiste pode até não entender nada, mas permanece curioso e atento até o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu não sei o que aconteceu com a gente” diz ele para a mulher atônita e frígida a sua frente. O casal que surge no terceiro curta da sessão, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Porcelana&lt;/span&gt;, de Thiago Alves, representa tantos outros pelo mundo. Aqueles que sentam ao restaurante e não conversam, convivem e não se olham e tentam maquiar, assim como o homem do filme, uma relação perdida. A mulher revela, depois, uma corrente que prende seu pé. Seminua, tenta se libertar e foge do homem que, de tanto querê-la, prefere matá-la a vê-la livre. Todos os elementos primitivos do filme estão presentes na modernidade, nas amarras invisíveis que mulheres e homens se submetem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No penúltimo filme, índios curtindo rock, bebendo e se matando. Traindo Iracema e o naturalismo idealizado no Brasil, Sérgio José de Andrade apresenta &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cachoeira&lt;/span&gt;, um curta documental sobre o alcoolismo suicida na mata. “Canuerê, me ajuda!” suplica à cachoeira grandiosa, o homem de lábios carnudos, cabelos negros e pele marrom. A beberagem é um problema social de uma tribo do Amazonas e é exibida nesse curta orgânico, de fotografia exemplar. A natureza, que para os homens da capital geralmente surge em um contexto de salvação, aqui é o começo e o fim de várias vidas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dona Sônia pediu uma arma emprestada para seu vizinho Alcides&lt;/span&gt;, de Gabriel Martins, fechou a sequência. A violência levou o filho de Dona Sônia e o de tantas outras donas brasileiras. O homem que abre o filme fala diretamente com o espectador, que passa a esperar, também, por uma reação da mulher contra o mal que lhe foi feito. Ele toma a liberdade de tatear o rosto amorfo da senhora para encontrar alguma sobra de alma por trás dos olhos inertes. “Eu sei onde ele está, Dona Sônia”. O espectador entende. Dona Sônia quer cantar para Jesus e sentir algum efeito, porque, sem vingança, é difícil ter paz. O filme é uma crítica à impunidade e um ombro amigo ao sofrimento das mães saudosas do Brasil&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-1452850567115810841?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/1452850567115810841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-1-gritos-primais_09.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1452850567115810841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1452850567115810841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-1-gritos-primais_09.html' title='BRASIL 1 - GRITOS PRIMAIS'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-3478080519075660657</id><published>2011-11-08T06:37:00.000-08:00</published><updated>2011-11-08T06:41:59.533-08:00</updated><title type='text'>BRASIL 2 – O MEU ESPAÇO</title><content type='html'>Bárbara Buril&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Invasão e abandono: o movimento nos espaços&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Maria Francisca decidiu não renunciar ao seu espaço. Fincou raízes ainda mais fortes no pequeno terreno de meio hectare, em São Lourenço da Mata, quando o Grupo Petribu expulsou 15 mil famílias para a construção de um complexo alcooleiro. O drama, iniciado nos anos 1990, continua desconhecido pela maior parte da sociedade. Ocupa as páginas dos cadernos de cultura do Estado, quando é divulgado o curta-metragem &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Acercadacana &lt;/span&gt;(Felipe Peres Calheiros, 2010), exibido ontem (7) no programa &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Brasil 2 - O Meu Espaço&lt;/span&gt;, no IV Janela Internacional de Cinema do Recife.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Premiado como melhor filme e melhor montagem no 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em 2010, o curta denuncia, com imagens fortes, os efeitos negativos da expansão dos latifúndios canavieiros. As cenas da casa à noite, sem luz elétrica, chocam. Apesar de viver ao lado de um dos maiores empreendimentos energéticos do Estado, dona Maria Francisca vive sem luz. Proibições do Grupo Petribu. O diretor Felipe Peres consegue penetrar no universo da mulher com a delicadeza de um Eduardo Coutinho. Não invade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Também conquistou o público o bem-humorado &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os Sapos&lt;/span&gt; (Clara Linhart, 2011). O espaço do casal Marcelo e Luciana é desequilibrado pela visita de Paula, uma antiga colega de infância de Marcelo. Em uma pequena casa no interior, o casal vive sob a presença indesejada de sapos. Elo entre os dois, o animal desaparece enquanto Paula está presente. As paqueras deslavadas do homem levaram a plateia às risadas. Após a ida de Paula, voltam a coaxar os sapos do cotidiano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Igualmente cômico é o curta-metragem &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Hóspede&lt;/span&gt; (Anacã Agra e Ramon Porto Mota, 2011), uma ficção científica no Cariri. Um extraterrestre com corpo humano hospeda-se em uma pousada do interior da Paraíba com o objetivo de disseminar, naqueles arredores, uma doença que cega. Com uma qualidade cinematográfica indiscutível, o filme consegue criar humor a partir do teor &lt;span style="font-style:italic;"&gt;freak &lt;/span&gt;das situações.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sobre a invasão dos espaços, também é o curta &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A Janela&lt;/span&gt; (Ou Vesúvio) (Leonardo Amaral e João Toledo, 2010). Agora, é a televisão a grande defloradora das intimidades do lar. Um avô e um neto assistem e escutam narrativas de telejornais, que não só noticiam violências sociais, como as incitam. Na rua, ouvem-se tiros e muito barulho. Embaixo da cama, o símbolo do medo materializa-se em uma arma.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Enquanto &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Acercadana&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A Janela, Os Sapos&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Hóspede&lt;/span&gt; tratam da invasão de espaços por seres e coisas estranhas, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Monja &lt;/span&gt;(Breno Baptista, 2011) constroi o movimento inverso do abandono. O silêncio de uma casa, a lenta passagem do tempo, uma cama de casal ocupada pelo corpo solitário de uma mulher e uma camiseta masculina amarrada remetem ao fim de um relacionamento. A personagem, em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Monja&lt;/span&gt;, já não grita pelo “meu espaço”. Conforma-se com ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-3478080519075660657?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/3478080519075660657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-2-o-meu-espaco_08.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3478080519075660657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3478080519075660657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-2-o-meu-espaco_08.html' title='BRASIL 2 – O MEU ESPAÇO'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-6073224654652495861</id><published>2011-11-08T06:16:00.000-08:00</published><updated>2011-11-08T06:23:51.518-08:00</updated><title type='text'>BRASIL 2 – O MEU ESPAÇO</title><content type='html'>José Juva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Espaço, E s p a ç o, E  s  p  a  ç  o, E   s   p   a   ç   o&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Você, leitor, tem conhecimento sobre qual é o seu espaço? O programa de curtas-metragens &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;BRASIL 2 – O MEU ESPAÇO&lt;/span&gt;, da IV Janela Internacional de Cinema de Recife, mostra realizadores que desdobram, cavam ao redor, constroem e conquistam um espaço próprio. Filmes diferentes em seus anseios e gêneros, com variadas preocupações e soluções estéticas para refletir a respeito da noção de espaço, as películas compartilham a atenção às urgências do conhecimento de si e sobre o lugar do sujeito no mundo e também os limites e os atritos deste sujeito com os outros e com o ambiente ao redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Acercadacana&lt;/span&gt;, de Felipe Peres Calheiros, é um filme certeiro. Com fôlego curto, mas intenso, faz um recorte da história de luta de Maria Francisca pelo reconhecimento de posse de seu sítio contra as ameaças do Grupo Petribu, forte grupo econômico do setor canavieiro. Dona Maria é um personagem denso, e o filme consegue captar a todo instante sua alma afirmando e reafirmando seu direito legítimo ao espaço, a permanência de seu vínculo com o sítio de sua família. Em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Monja&lt;/span&gt;, dirigido por Breno Baptista, acompanhamos a história de uma mulher solitária numa cama de casal. Em seu apartamento, ora se esparrama no chão, enquanto tenta ligar um ventilador quebrado, ora se abandona vagarosamente na banheira. A solidão ecoa, é espessa, e não arrefece nem mesmo quando a mulher encontra um parceiro para um sexo casual. Ela volta a estar só numa cama de casal, enquanto o sujeito dorme num colchonete no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o curta-metragem &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A Janela (Ou Vesúvio)&lt;/span&gt;, de Leonardo Amaral e João Toledo, a questão do espaço procura a identificação de uma fronteira entre o cotidiano e a realidade midiática. A televisão orienta a percepção do mundo. Ao olharem por uma janela da casa, um jovem e um senhor escutam a guerra. E o quarto se transforma num acampamento provisório para os feridos por essa crueldade diária. Em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Hóspede&lt;/span&gt;, da dupla Anacã Agra e Ramon Porto Mora, uma ficção científica simultaneamente bem-humorada e apreensiva, a visita de um alienígena a uma pensão do interior da Paraíba instaura o conflito, amplamente costurado no suspense e na curiosidade diante do desconhecido, sobre os espaços reservados ao anfitrião e ao visitante. Com bela fotografia e uma trilha acertada, o filme dialoga inteligentemente com as convenções do gênero, criando um trabalho com voz própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A problemática espacial recebe um tom intimista e divertido em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os Sapos&lt;/span&gt;, de Clara Linhart. A película nos põe em contato com um casal, sem compromisso formal (sabemos depois), em uma casa no sítio, perto de cachoeiras e de sapos. Por um pedido do sujeito, outra mulher, uma antiga amiga de conversas esporádicas na internet, aparece na casa – o que provoca fissuras no frágil relacionamento entre a “capitã” e o “sargento”, como o casal se nomeia. Para o espectador, rindo com as voltas na história, parece ecoar a todo instante a idéia de que não há espaço para os três.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-6073224654652495861?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/6073224654652495861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-2-o-meu-espaco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6073224654652495861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6073224654652495861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-2-o-meu-espaco.html' title='BRASIL 2 – O MEU ESPAÇO'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-6187012977809415222</id><published>2011-11-07T12:24:00.000-08:00</published><updated>2011-11-07T12:32:31.540-08:00</updated><title type='text'>BRASILEIROS 4 – FILMADOS EM LOCAÇÃO</title><content type='html'>Lorena Tabosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O céu, o mar e o meio do nada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um menino negro de olhos azuis, um azul-celeste. Só isso já seria um toque de sutileza e realidade (não retratada comumente) suficiente para conquistar seus olhos, independente de que cor sejam, para o que viria a acontecer em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dia Estrelado&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;stop motion&lt;/span&gt; de Nara Normande, exibido ontem (6-nov) no programa de curtas brasileiros &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Filmados em Locação&lt;/span&gt;. Retrato da preservação da vida e luta pela sobrevivência no sertão, o filme mostra que nem sempre são necessárias demonstrações agressivas de chão seco para tocar o espectador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é rotina em regiões áridas, a procura por água começa cedo do dia. E dessa busca depende todo o resto. Mas mesmo no mais inóspito dos lugares, a vida dá um jeito de acontecer, com uma flor que seja. Uma flor sertaneja. Uma flor roxa, alimentada de lágrimas e amor, quando a água falta. E com o coração é assim, a miscelânea de sentimentos é alimento, alento, fundo e raso ao mesmo tempo. Mas, como o curta-metragem deixa claro, se o raso prevalece, geralmente em horas como a da fome, a cegueira toma de conta e perdemos um pouco da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que até mesmo quando a vida está empacotada em caixas, dá-se um jeito de alimentar o “sentir” e encontrar o céu, que não precisa ser os olhos azuis de alguém. É isso que se vê em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Com a Vista para o Céu&lt;/span&gt;, de Allan Ribeiro. Um casal de vizinhos, desconhecidos e solitários em seus respectivos apartamentos, pega o "Trem das Onze" de Adoniran Barbosa e ensaia um dueto, de uma janela para a outra. E nesse vai e vem de notas, a solidão se dissipa por instantes e diz que só vai voltar no próximo encontro no elevador, porque, por hora, a canção é afago e é céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isolamento urbano também é mote para &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Praça Walt Disney&lt;/span&gt;, de Renata Pinheiro e Sergio Oliveira. O espaço, situado no bairro de Boa Viagem, é um carrossel sem cavalos, com carros dançando, quase em deboche, ao redor. A questão levantada pela obra é atual e de extrema relevância: afinal, são crianças ou cachorrinhos de madames que necessitam de playground? E a praia, por sua vez, na qual se está sujeito a ataques de tubarão, se rende e passa a abrigar piscinas montáveis de água salgada. Nem praça nem praia são mais sinônimos de socialização, um triste retrato das relações humanas contemporâneas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda em termos de isolamento, a sensação de primeiro contato assalta o espectador em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Bolpebra&lt;/span&gt;, de Guilherme Marinho, João Castelo Branco e Rafael Urban. Uma cidade sem edifícios, com cerca de 40 habitantes e uma praça, na fronteira da Bolívia, Peru e Brasil. É alheio a quem vive em grandes cidades o conceito de pequenês na felicidade, com o qual acabamos defrontes nesta obra. Já em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Contagem&lt;/span&gt;, de Gabriel Martins e Maurílio Martins, a alegria parece presa à possibilidade de escapar daquele lugar. Sob a ótica de quatro personagens diferentes, o momento da fuga é perdido e o avião, símbolo incontestavelmente apropriado, levanta vôo sem ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-6187012977809415222?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/6187012977809415222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasileiros-4-filmados-em-locacao.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6187012977809415222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6187012977809415222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasileiros-4-filmados-em-locacao.html' title='BRASILEIROS 4 – FILMADOS EM LOCAÇÃO'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-7606580813723469391</id><published>2011-11-07T11:11:00.000-08:00</published><updated>2011-11-07T11:18:53.339-08:00</updated><title type='text'>BRASIL 4 - FILMADOS EM LOCAÇÃO</title><content type='html'>Pethrus Tibúrcio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da verticalização claustrofóbica que o espaço urbano sofre, a concentração populacional é maior e a isolação também. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Com Vista para o Céu&lt;/span&gt; (Allan Ribeiro, 2011) é submerso em ruídos do amanhecer ao fim do dia, assim como são as cidades. Entre uma barreira de tijolos e janelas, duas pessoas entram em contato e quebram a solidão pelos versos de Adoniran Barbosa. O filme pega uma situação bem humorada, e que nos é comum, para trazer-nos à consciência da necessidade inerente ao ser humano de interação social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se no primeiro filme tudo o que podíamos ver eram filetes azuis e brancos entre os prédios, em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt; Dia Estrelado &lt;/span&gt;(Nara Normande, 2011) os olhos do espectador são puxados diretamente para o céu. As cores quentes que constroem uma releitura de Van Gogh e localiza-nos, com uma pincelada poética, na narrativa, mostra-nos a região inóspita em que os personagens se encontram. Nara Normande cria, em seu próprio espaço, uma metáfora forte e verdadeira aliada a uma estética irrepreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Adormecidos&lt;/span&gt; (2011), Clarissa Campolina dá aos modelos publicitários uma cidade que é só deles. O curta é construído em cima de luzes e anúncios que nos são conhecidos. Inicialmente, a cidade é vista de longe, aparentemente vazia e sem grandes movimentos. Quando a câmera se aproxima, o movimento dos faróis, que servem como termômetro e sempre em azul, os personagens imóveis estampados em cartazes ganham expressão nas ruas paralisadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na divisa entre a Bolívia, o Peru e o Brasil encontra-se &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Bolpebra&lt;/span&gt;, que dá título ao curta de Guilherme Marinho, João Castelo Branco e Rafael Urban (2011). O filme mostra-nos qual a relação dos poucos habitantes desta região boliviana com seu território e como se dá o sentimento de pertencimento a uma nação em situações como esta. A câmera percorre o rio dando-nos uma situação geográfica do local até o ponto exato de encontro entre os países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com cinegrafia intimista, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Contagem &lt;/span&gt;(Gabriel Martins e Maurílio Martins, 2010) quebra a narrativa linear e volta quatro vezes para determinada hora do dia sob a ótica de quatro personagens. Em cada um dos momentos, um dos moradores de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Contagem &lt;/span&gt; é centralizado diante das câmeras e os outros permanecem fora do enquadramento. Um momento mostra resquícios de olhares anteriores que, se não nos fossem conhecidos, passariam despercebidos e nos faz pensar como somos inconscientes do que acontece ao nosso lado e que sempre nos afeta. O curta desvenda como se dão e desenvolvem as relações interpessoais em pessoas que possuem apenas duas coisas em comum: o lugar onde vivem e o desejo de saírem de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt; Praça Walt Disney&lt;/span&gt; (2011), Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira observam e regem uma orquestra diária que toca na zona sul do Recife. Os apitos dos portões dão início e fechamento a uma sinfonia complexa que narra o convívio e distanciamento dos moradores, trabalhadores e transeuntes da Praça Walt Disney. O filme perde um pouco do foco narrativo para as imagens capturadas, mas que ainda são dignas de serem assistidas. Apesar de fazer um lembrete, um tanto vago, das influências externas sofridas pelo país, é na bossa brasileira que os cachorros, lixeiros, putas, turistas e moradores ganham ritmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-7606580813723469391?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/7606580813723469391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-4-filmados-em-locacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7606580813723469391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7606580813723469391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-4-filmados-em-locacao.html' title='BRASIL 4 - FILMADOS EM LOCAÇÃO'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-5863027806249171647</id><published>2011-11-07T11:02:00.000-08:00</published><updated>2011-11-07T11:05:49.846-08:00</updated><title type='text'>O GAROTO DA BICICLETA</title><content type='html'>Beatriz Braga&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Uma criança solitária e uma incessante busca pelo amor. O filme &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Garoto da Bicicleta&lt;/span&gt; (Le Gamin au Vélo), exibido ontem, domingo (6), lotou o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco no terceiro dia do festival. A obra dos irmãos Jean Pierre e Luc Dardenne (O silêncio de Lorna, Rosetta, A criança) conta o drama de um garoto abandonado pelo pai, a recusa do primeiro em aceitar a rejeição e a do segundo em acolher o amor do filho. Eis que a cabeleireira Samantha surge para devolver a bicicleta perdida da criança, um velho presente do pai, e acaba restaurando o vazio da vida do menino. O objeto era a última ligação de pai e filho e acaba se transformando no vértice de uma nova família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor está disponível para aqueles que estão preparados para recebê-lo. Os laços convencionais e familiares perdem a primazia em detrimento à força de vontade e os corações abertos. As cenas de cores fortes conduzem a torcida do telespectador para que o mundo aceite o suplício de uma criança hostilizada pelo meio em que foi criado. O menino dos irmãos Dardenne é uma dubiedade criada pelo universo vil que habita. Ele leva a persistência, bondade e inocência de uma criança com a seriedade de um adulto amargurado. As ruas estão prenhas de maldade: violência, raiva, tráfico, abuso infantil. Para todos os efeitos, a arma mais eficaz é o amor puro e consequente. A criança que ora roubou sem intenção de lucro ou benefício, por fim, aprende o que é certo sob os braços dedicados da pessoa que o aceitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O longa foi lançado este ano e  levou a estatueta do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes. A dupla belga primou na escolha do elenco, a atuação excelente e madura do jovem protagonista, Thomas Doret, entrou em completa sintonia com a atriz belga Cécile de France. O filme é, enfim, um conto sobre uma história de amor que brota da decepção. As pessoas crescem em torno de crença e desejos envolvidos por algum pacto social. No entanto, a vida se mostra mais frutífera quando se entende que se está procurando satisfação nos lugares errados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-5863027806249171647?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/5863027806249171647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/o-garoto-da-bicicleta.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5863027806249171647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5863027806249171647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/o-garoto-da-bicicleta.html' title='O GAROTO DA BICICLETA'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-5001184160250123069</id><published>2011-11-07T10:46:00.000-08:00</published><updated>2011-11-08T06:53:30.904-08:00</updated><title type='text'>INTERNACIONAIS 4 - O CINEMA REMIXADO</title><content type='html'>Domitila R. Menezes de Miranda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre &lt;br /&gt;"Conference", de Norbert Pfaffenbichler (Áustria)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra “&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;conference&lt;/span&gt;” ativa reflexões tão objetivas quanto sensíveis à sincronicidade. A simultaneidade de um estado psíquico com um ou vários acontecimentos que aparecem como paralelos significativos. Dentre possíveis paralelos, o presente imaginário, o novo homem imerso à transformações de caracteres simbólicos do inconsciente coletivo, toda as eras da História guardadas em memória. Em sintonia com o êxtase criativo das faculdades mentais latentes ao ser humano. A fonte inesgotável de criatividade sob qualquer falha tirana, que deprima, deturpe-o da plenitude de seu perfeito organismo. Imagem e semelhança do Creador Universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio à conversas aparentemente sem sentido na película, incoesões sonoras, timbres graves e distonias  entre os principais líderes do nazismo, uma espécie de documentário e re-significância do mesmo. Isso é, por um lado, os acontecimentos da História-problema e a  ciência do Homem no presente tempo. Os diálogos da arte, a mais antiga das ciências,  por muitos pensadores, não considerada. Em preto e branco, um convite à luminosidade da potência de um pensamento reformulador de qualquer atmosfera nostálgica de sofrimento. Por vezes, a lembrança do músico-compositor Hermeto Pascoal, gênio da sensibilidade e captação sonora. Qual tudo vê possibilidade de arte musical, no que diz respeito à Criação de alto timbre vibracional sinestésico, via os sentidos do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Equilibrando o pensamento da causa, o amor incestuoso, dos vários atos tirânicos do passado, a lembrança à Idade Barroca, imergida do ser mais profundo e belo, em ligação com um dos maiores gênios da história da arte, Charlie Chapplin. Misturas que somente hoje, agora, em plena efervescência vital contemporânea, libertariamente, vivemos. Incrível a unidade com todos o expectadores presentes, que pareciam estar sentindo o mesmo em diversidades particulares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sessão do programa &lt;span style="font-weight:bold;"&gt; "O cinema remixado"&lt;/span&gt;, domingo no Cinema da Fundação, contou com um público jovem. Dois casais  adolescentes em particular, na faixa dos 14 a 18 anos, assistia a sessão misturando risadas, carinhos, beijinhos com barulhinhos suaves embalando a experiência da projeção. União transcendental que nos leva a sentir os sinais de Deus presente em tudo qual permite a efervescência da vida e suas borbulhas do amor , intensas e além das palavras. Compreensão tão individual como repleta de responsabilidade à arquitetura de novas demandas sistemáticas sociais, tão subjetivas quanto objetivas. A luz da razão, que pela pureza,  magicamente modifica. Desejo vivo e inocente de continuar. É como ver beleza no aparente vácuo existencial, ou paradigmaticamente feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre &lt;br /&gt;I´m not the enemy (Bjorn Melhus; Alemanha, 2010)&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Como o próprio título afirma, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"I´m not the enemy"&lt;/span&gt;, sugere um dos significantes do filme anterior "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Conference&lt;/span&gt;". As múltiplas possibilidades de visão de aparentes doenças psíquicas ou transtornos mentais, dentro dos estudos da "psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais" , pelo autor Paulo Dalgalarrondo. Com o alicerce da criatividade artística, o cenário harmonioso e hilário do filme. Um dos personagens com uma linda camisa florida, um piano, branca neve, árvores verdejantes mesmo em um clima frio. Tudo muito surreal. Em meio à diálogos existencialistas, três personagens: o filho, a mãe e o pai. Em partes, todos se misturavam dentre um só personagem. Um transcendente convite à reformulação de timbres sonoros expressados no roteiro, incluindo instrumentos agressivos, como armas.Novas "pegadas" musicais, em uma versão de apreensão  e domínio do fluido movimento, ligados à ativação dos humores divertidos . Evoluindo, então, os processos psicológicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala de cinema, belas risadas surgiram na platéia, em um ritmo contagiante, nos fazendo perceber diversos tons acentuadores da alegria viva em cada ser, além das misérias. Uma viajem ao auto conhecimento questionador, através de nosso interior, em integração com tudo o redor. Sempre em busca da perfeita batida, em diferentes significados do que seja a perfeição. Como um tambor ativando o som do coração, a  permanência de um "eu" vivo em eternidade, e para além das identificações insanas ou sãs. Enfim, bela película que faz pulsar à disciplina das reformulações dos conflitos sociais, e atenuar a má educação qual deturpa e destrói a plenitude da beleza. A dança diária que nos move à altas vibrações sinestésicas, que une vida e morte, transmutando do senso comum, todo o sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre&lt;br /&gt;Stardust, Nicolas Provost; Bélgica, 2010&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um carro branco e um prata, uma rodovia, uma parque de diversões são elementos que geram partida à obra. Dentre os cassinos de Las Vegas, prostituição, máfias das mais variadas, comunicações e símbolos lúdicos quais permitem a possibilidade de repensar esses tópico que, na verdade, são bastante "tocados" no mundo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Las vegas, símbolo de consideração pela abundância dos mais variados entorpecimentos, refletida por uma ótica em "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Stardust&lt;/span&gt;", direta e variada. Tragetória que ao longo das "pistas", podem parecer inexperadas ou paradoxais, contornando a atenção ao que transporta o pensamento às possibilidades da invisível consciência que perpassa qualquer realidade material. Dentre homens gordos em máquinas de jogos, celulares, um clima denso, uma realidade que ao mesmo tempo, é vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo parece ser renascimento, crescimento, florescimento e recomposição. Os exageros quais repelem as sagradas vibrações da consciência de reformular e desarmar o homem-objeto de suas próprias prisões tão subjetivas quanto objetivas. Impressionante idealização que torna-se instrumento representante de observações e mudanças à restruturações sistemáticas. Ao mesmo tempo, belas paisagens da arquitetura da cidade. Urbanismo repleto de luzes coloridas que são reveladoras de sentidos múltiplos de um mesmo olhar. Desse modo, a qualquer hora do dia, ou do tempo, espíritos engenhosos, predispostos à realização de novos feitos. Estão jogando o jogo de hoje, que é discernir os caminhos de amanhã, que permitem a uma dada sociedade cumprir sua missão e ganhar seu sustento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velocidade do tempo situada na obra, em seu profundo sentido de transformação, desmancha os "nevoeiros" colossais pondo a nu o princípio, cujo sentido, não aparente, captado a partir da singularidade do expectador. Com neutralidade aguçada e traços criativos, o diretor se mostrou a todo instante, em contraste com a realidade  objetiva de Las Vegas. Aos olhos atentos, é possível encontrá-lo em símbolos mais variados, com exemplo, a última cena: uma mulher vestindo camisa preta e calça jeans branca. Um homem que inexperadamente, retira sutilmente algo da camisa da mesma mulher de branco. O que mais parece um ato de cuidado com o outro, um ato de amor. A criatividade espontânea de significado que surpreendentemente faz mágica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-5001184160250123069?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/5001184160250123069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/curtas-internacionais-4-o-cinema.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5001184160250123069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5001184160250123069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/curtas-internacionais-4-o-cinema.html' title='INTERNACIONAIS 4 - O CINEMA REMIXADO'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-1689990639527845038</id><published>2011-11-06T08:53:00.000-08:00</published><updated>2011-11-06T08:56:23.784-08:00</updated><title type='text'>INTERNACIONAL 5 - CAMUFLAGEM</title><content type='html'>Pethrus Tibúrcio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curta que abre o programa nasce no momento em que a arte começa a questionar os limites da própria arte. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Incêndio &lt;/span&gt;(Fire, de Karen Akerman e Miguel Seabra, 2011) trata da perfeição inalcançável, de vingança, superação e da própria morte. Carregando uma bela direção de arte e unindo o poema de Goethe à melodia de Schubert, o curta lembra ao espectador que, ainda que não sintamos sua aproximação, o destino é sempre a morte, representada pelo Erlkönig. A câmera é quase sempre estática, a quarta parede é derrubada e as atuações são robóticas, o que dá ao curta um suspense que se torna cansativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martha Medeiros já dizia que “a surpresa é um susto, uma taquicardia, uma cilada” e é da forma mais bem humorada que &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Urso &lt;/span&gt;(Bear, Nash Edgerton, 2011), passa isso para o cinema. Jack é o tipo de pessoa conhecida por não ter limites e que acaba se surpreendendo com as conseqüências. Surpreendente, no mínimo, o filme é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas mulheres discutem preferências sexuais, visões políticas e experiências com dominação e sadomasoquismo (DSM). O curta começa tratando das estruturas de poder pessoais, do reino do superego e da abdicação do controle. Mas o fio de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;TSE &lt;/span&gt;(Out, Rooe Rosen, 2010) fica perdido quando entram na questão do exorcismo e uma das personagens, que se declara de extrema direita, afirma viver com Lieberman dentro do seu corpo e se presta a uma tentativa de exorcismo em que, esporadicamente, citações do político israelense são externadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro filme exibido na IV Janela Internacional de Cinema do Recife, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Las Palmas&lt;/span&gt; (Johannes Nyholm, Suécia, 2011) não deixou a desejar em nenhum aspecto. O curta consegue ser nostálgico e, ao mesmo tempo, completamente inovador. Com marionetes, tecidos e um bebê que não chega aos dois anos de idade, cenário e narrativa se constroem. No cômico paradoxo que existe entre personagem e atriz e apesar do aspecto lúdico que conduz o filme, o turismo de Las Palmas talvez não pudesse melhor representado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-1689990639527845038?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/1689990639527845038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacional-5-camuflagem_06.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1689990639527845038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1689990639527845038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacional-5-camuflagem_06.html' title='INTERNACIONAL 5 - CAMUFLAGEM'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-6543939944021903604</id><published>2011-11-06T08:47:00.000-08:00</published><updated>2011-11-06T08:50:24.500-08:00</updated><title type='text'>INTERNACIONAL 5 - CAMUFLAGEM</title><content type='html'>Lorena Tabosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;E as surpresas só começaram&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Camuflagem&lt;/span&gt;, ou melhor, o famoso “parece, mas não é”. Essa é a premissa do programa &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Internacional 5&lt;/span&gt;, que abriu as mostras competitivas do IV Janela Internacional de Cinema do Recife ontem (5/11), na Fundação Joaquim Nabuco. Dos quatro curtas-metragens exibidos, não há um em que o espectador não seja tomado de assalto por uma guinada absolutamente inesperada na história. E, seguindo o momento de reviravoltas, o último desta vez será o primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De longe, o favorito do público foi &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Las Palmas&lt;/span&gt; (2011), de Johannes Nyholm, que já havia sido exibido na abertura do Janela. O básico: uma turista, muito “senhora de si, obrigada”, está curtindo sua viagem a uma praia paradisíaca. Agora, o extraordinário: quem vive a senhora de meia idade é um bebê, de aproximadamente um ano de idade. E apesar de a camuflagem acabar nas primeiras cenas, a graça não abandona o espectador e fica até o fim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia parece ser problematizar o quão bobo o indivíduo pode ser quando se confronta com situações de inúmeras possibilidades, sensação comum quando se está em outro hábitat. É uma metáfora para os excessos, pois à senhora não interessa poupar nada, nem ninguém, que se posicione entre ela e a diversão. E nesse contexto de falta e abundância, é possível perceber a chegada de certa vergonha, pela falta desta mesma e por ainda sermos todos crianças em muitas de nossas atitudes, num misto de saudosismo e realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Incêndio &lt;/span&gt;(Fire, 2011), de Karem Akerman e Miguel Seabra Lopes, por sua vez, não traz uma menina/senhora como elo libertador de falsas verdades, mas dá ao fogo esse papel. Através dele, um cantor de música erudita é incitado a atingir a excelência na arte e a falar sobre, com e pela morte. Um poema de Goethe musicado por Schubert, Erlkönig, exige o máximo daqueles que se propõem a enfrentá-lo, justamente como a morte, que é perita em tirar vantagem das falhas e fracassos do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando se aprende a lidar, um pouco que seja, com a morte, ela pode se tornar cômica e, quiçá, patética. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Urso &lt;/span&gt;(Bear, 2011), de Nash Edgerton, é provavelmente a obra que mais brinca com nossa percepção neste programa. Marido e mulher, como é de praxe, têm suas rixas e brigas, muitas vezes causadas pelo esquecimento de um ou do outro. Era aniversário dela e ele só fingiu esquecer. Mas não importa, porque as consequências são graves de qualquer jeito e, de um simples desentendimento, pode nascer um bicho enorme e peludo. E mesmo que cheio de boas intenções, acaba sendo alvo de caçadores desavisados de que ali ainda existe amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto àqueles que caçam seus próprios “bichos”? No israelense &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fora &lt;/span&gt;(TSE, 2010), de Rooe Rosen, depoimentos de duas mulheres. Uma delas é assumidamente lésbica. A outra, se rotula como submissa. O comum entre elas é uma relação amorosa, certo? A bem da verdade, tal dúvida persiste até mesmo após a reviravolta no roteiro, pois o filme trata de uma temática inusitada: o sado-masoquismo. E sem saber ao certo se é documento ou ficção, findamos entre chicotes, palmatórias e a surpresa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-6543939944021903604?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/6543939944021903604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacional-5-camuflagem.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6543939944021903604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6543939944021903604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacional-5-camuflagem.html' title='INTERNACIONAL 5 - CAMUFLAGEM'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-1502054965306184564</id><published>2011-11-06T08:27:00.000-08:00</published><updated>2011-11-06T08:39:37.810-08:00</updated><title type='text'>INTERNACIONAL 1 - SINFONIAS INDUSTRIAIS DE CINEMA</title><content type='html'>josé juva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eppur si muove&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Movimento, ato de mover ou de se mover. Entre outras coisas, os filmes do programa &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Internacional 1 – Sinfonias Industriais de Cinema&lt;/span&gt;, da IV Janela Internacional de Cinema do Recife, compartilham alguns sentidos possíveis evocados pelo vocábulo movimento. Os deslocamentos de um homem, flanando pela urbe e se misturando às máquinas de um parque de diversões; as crianças se espalhando pelas ruas da cidade, criando jogos e rituais; uma família se preparando para realizar uma noite inesquecível com uma discoteca móvel; uma jovem perambulando através dos sonhos e dos metrôs; um suave deslizar pelos espaços de uma construção em ruínas, englobando simultaneamente múltiplos elementos metereológicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As dezenas de crianças que tomam conta dos sítios da cidade, em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;New London Calling&lt;/span&gt;, de Alla Kovgan, criam uma atmosfera permeada pelo lúdico. Não vemos nenhum carro em trânsito, nenhum sujeito correndo atrasado para o trabalho, ninguém preocupado atravessando os cenários da cidade. Apenas um turbilhão multicolorido de crianças e adolescentes se divertindo, criando e recriando relações entre si e entre eles e o ambiente urbano. O espectador talvez sinta vontade, um tanto nostálgica, de fluir entre os personagens para despreocupadamente divertir-se, instaurando outras possibilidades de vivência para o corpo na trama da cidade. Já em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Enterprise&lt;/span&gt;, de Mauricio Quiroga, acompanhamos a trajetória de um sujeito carregando um boneco maior que ele mesmo, ganhando ruas e esquinas, indo ao encontro de um parque de diversões. Com uma fotografia em preto e branco, uma montagem de som alucinante, o filme explora as fusões entre o corpo humano e a máquina, os arrebatamentos provocados pela fricção entre os movimentos humanos e as vertigens das velocidades mecânicas. Podemos fazer associações com outras realizações, como o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ballet Mécanique&lt;/span&gt;, de Fernand Léger, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Electric Light Wonderland&lt;/span&gt;, de Susanna Wallin, apresenta uma família (um pai e dois filhos) se preparando para a realização de sua noite de discoteca móvel, com a profusão de luzes e formas. Aqui o movimento diz respeito tanto ao exercício de preparação da festa, quanto aos ritmos internos dos garotos do filme, mergulhados numa jornada interior evocando as falas da festa por vir. O filme sugere mais coisas que as explicita e é na maior parte do tempo monótono. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Movimenti Di Um Tempo Impossibile&lt;/span&gt;, do coletivo italiano Flatform, é um delicado registro de invenção do espaço de uma ruína com uma temporalidade atravessada simultaneamente por neve, chuva, neblina e vento. Os quatro elementos são contemporâneos deste tempo mítico, surreal, lírico, costurados aos movimentos musicais da trilha, um quarteto de Maurice Ravel. O filme é uma fantasia sutil, apontando para o terreno onírico de apreensões mágicas da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trânsito confuso entre memória, sonho e realidade é a carta na manga de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cat Effekt&lt;/span&gt;, da dupla Gustavo Jahn e Melissa Dullius. O filme arremessa o espectador numa torrente de imagens delirantes, com as quais não é possível constatar hierarquias entre o mundo da vigília e do sonho. A jovem protagonista deambula por Moscou, se entrega a certos acontecimentos magnéticos, que se repetem, e se recriam com pequenas modificações. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cat Effekt&lt;/span&gt; é uma invenção lisérgica interessada numa percepção não planificada dos fluxos da vida. Pode jogar o espectador numa terra que este já tenha visto em sonho ou, ainda, ser uma porta aberta para as sensações multicoloridas vividas num chá de cogumelos das cinco horas da tarde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-1502054965306184564?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/1502054965306184564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacional-1-sinfonias-industriais_06.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1502054965306184564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1502054965306184564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacional-1-sinfonias-industriais_06.html' title='INTERNACIONAL 1 - SINFONIAS INDUSTRIAIS DE CINEMA'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-4152338893974045407</id><published>2011-11-06T08:14:00.000-08:00</published><updated>2011-11-06T08:17:54.709-08:00</updated><title type='text'>INTERNACIONAL 1 – SINFONIAS INDUSTRIAIS DE CINEMA</title><content type='html'>Bárbara Buril&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Encantos e desencantos do movimento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O movimento preenche o tempo. Encanta. Envolve. E enlouquece. As maravilhas e os infortúnios de pessoas e coisas sujeitas ao mover-se estiveram presentes na essência temática do &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Programa de Curtas Internacionais 1&lt;/span&gt;. Sob o título &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sinfonias Industriais de Cinema&lt;/span&gt;, o bloco de curtas exibiu películas experimentais, em que as questões do deslocamento estão na própria formação técnica do filme.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Movimenti Di Un Tempo Impossible&lt;/span&gt; (Flatform, 2011), o tempo preenche o próprio tempo. Vê-se uma casa antiga, sujeita às intempéries da natureza. Não há ações humanas. Todas as mudanças realizadas na paisagem são causadas pela chuva, neve, neblina e pelo vento. O dançar das árvores ao redor da casa, embalado pelo Allegro Moderatto de Maurice Ravel, nada mais é que o agir do tempo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Assim como se propaga no tempo, o movimento também se estende no espaço. O média-metragem &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cat Effekt&lt;/span&gt; (Gustavo Jahn e Melissa Dullius, 2011) mostra o transitar de uma mulher por uma fria e sombria Moscou. À deriva, a personagem, ao circular por ruas, metrôs e passarelas subterrâneas, é atraída pelas mesmas pessoas inúmeras vezes. A película também problematiza questões como o fluxo contínuo dos seres, a falta de maciez do contemporâneo e a solidão, todas imbricadas em relações de causa e efeito.   &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O movimento encantado está em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;New London Calling&lt;/span&gt; (Allá Kovgan, 2010), Enterprisse (Mauricio Quiroga, 2010) e Electric Light Wonderland (Susanna Wallin, 2010). No primeiro, um grupo de crianças faz coreografias pela cidade de New London. Apesar do interessante jogo fílmico com imagens e sons, falta aprofundamento. Quem são mesmo essas crianças que se diferenciam, apenas, pela cor da camiseta? O que quer dizer a coreografia de Alissa Cardone? Por que New London? As imagens estão pelas imagens.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Enterprisse&lt;/span&gt;, o movimento inicia lento. Um homem leva um boneco de Woody, de Toy Story, para um parque de diversões. Lá, admira-se com o movimento das máquinas e põe-se em posição contemplativa. A partir de então, as imagens vistas pelo homem inundam o espectador, com a rapidez própria das máquinas do parque. O movimento se acelera. Tanto o homem se encanta, quanto o espectador.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Assim como &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cat Effekt, Electric Light Wonderland&lt;/span&gt; também se expande para outros terrenos de discussão. Apesar de trabalharem com iluminação de festas, um pai e seus três filhos vivem em clima de tensão. Com a seriedade da velhice, o homem profissionaliza a magia das luzes e reprime a imersão dos garotos no universo maravilhoso. O programa &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sinfonias Industriais de Cinema&lt;/span&gt; mostra-se coeso: ao falar de movimento, sublinha que tempo e espaço geram encantos e desencantos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-4152338893974045407?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/4152338893974045407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacional-1-sinfonias-industriais.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4152338893974045407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4152338893974045407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/internacional-1-sinfonias-industriais.html' title='INTERNACIONAL 1 – SINFONIAS INDUSTRIAIS DE CINEMA'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-8931329211120808570</id><published>2011-11-06T08:03:00.000-08:00</published><updated>2011-11-06T08:26:09.755-08:00</updated><title type='text'>BRASIL 1 - GRITOS PRIMAIS</title><content type='html'>Liana Cirne Lins&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Da Origem&lt;/span&gt; (2011), filme de Fabio Baldo, nos leva aos tempos das cavernas em que a vida girava em torno da sobrevivência e da habilidade para fazer fogo. Com belíssima fotografia, o filme resgata em nós o primitivo, a nossa índole de sobrevivência destituída de qualquer justificação. Dos inventos do homem desde o fogo talvez o mais significativo seja a comunicação. Ela tornou complexa a vida e trouxe com ela o questionamento acerca da nossa existência. E ainda assim somos capazes de nos identificar com aqueles homens das cavernas. Quanto mais complexos tornam-se nossos problemas, mais resgatamos nossa necessidade básica e instintiva de sobreviver.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Avalons&lt;/span&gt;, de Carlos Eduardo Nogueira (2011), é um filme que se passa num ambiente medieval contrastado por uma estética contemporânea sobre uma princesa disputada por dois cavalheiros e que se casa com o vencedor do duelo grávida do perdedor, enganando levianamente ambos. O filme confirma que o bom uso da computação gráfica e uma proposta estética arrojada não são suficientes para melhorar uma má história.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Porcelana &lt;/span&gt;(2010), de Thiago Taves, é a história de uma mulher aprisionada e de seu algoz, um homem aparentemente dócil, que dela cuida com dedicação. O plano inicial do filme sugere que a mulher seja uma estátua que é aperfeiçoada pelo criador. O filme poderia ser lido como uma metáfora para a opressão da mulher, que deve manter-se sempre bela e disponível. Mas no momento da fuga da mulher descobrimos um terceiro personagem que inova a trama: o espectador. A mulher tem de nos desacorrentar para que possamos fugir com ela. Entretanto, o espectador é atingido pela espingarda do homem enquanto a mulher consegue fugir. A liberdade vence, mas só para quem tem ação, força e coragem para conquistá-la. Quem apenas assiste a vida acontecer sem tornar-se protagonista da história permanece escravizado e testemunha a própria vida acabar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cachoeira &lt;/span&gt;(2010), de Sergio José de Andrade, é um filme baseado em fatos reais sobre jovens indígenas que se iniciam num ritual suicida encorajados por uma beberagem feita com muita cachaça e toda a sorte de alucinógenos, incluindo nicotina e acetona. A ingestão da bebida é embalada por um rock agressivo e o ritual termina com a precipitação dos jovens para a cachoeira onde encontram a morte. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cachoeira &lt;/span&gt;inicia com o depoimento de um índio ancião dizendo do quanto os jovens confundiram todo o ritual. E o filme é sobre confusão, a confusão que decorre da incapacidade de fusão das culturas com que forçosamente convivem. Culturas que não dialogam e se excluem mutuamente levando à falta de perspectivas desses jovens que não veem no futuro qualquer oportunidade de melhora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dona Sônia Pediu Uma Arma Para Seu Vizinho Alcides&lt;/span&gt; (2011), de Gabriel Martins, nos traz a história de Dona Sônia que busca vingar-se do jovem que matou friamente seu filho. É um filme que brinca com a máxima de que o roteiro deve explicar-se por si só e que usa não atores nos papeis de Dona Sônia e de Alcides.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dois momentos, é necessário que se explique a trama ao expectador – a sede de vingança de Dona Sônia e a paixão de seu vizinho por ela, pois sem isso seria impossível compreender o que pretende que se aconteça no filme. A cena de vingança que seria o clímax é marcada pela espera de Dona Sônia bocejando, coçando o cabelo e entediada com a filmagem. Talvez se pretendesse uma crítica ao patético da violência, mas nesse caso a ruptura com os padrões tradicionais de cinema foi suficiente apenas para confirmar o quanto esses padrões são necessários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-8931329211120808570?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/8931329211120808570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-1-gritos-primais.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8931329211120808570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8931329211120808570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/brasil-1-gritos-primais.html' title='BRASIL 1 - GRITOS PRIMAIS'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-4122013165687448441</id><published>2011-11-06T07:51:00.001-08:00</published><updated>2011-11-06T08:02:54.584-08:00</updated><title type='text'>FEBRE DO RATO</title><content type='html'>Liana Cirne Lins&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leptospirose é doença que costuma ser diagnosticada apenas depois de causar a morte. Claudio Assis fez um filme sobre um Recife que não sabe que está doente e que não sabe de qual doença sofre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Febre do Rato (2011) nos traz um poeta que é profeta da doença e da cura. Um homem anárquico que dirige pelas ruas da cidade, alto-falante em punho, e navega pelo rio Capibaribe, conhecendo as pessoas, distribuindo o jornal que produz em seu precário ateliê e que leva o título do filme, declamando poesia, inflamando as pessoas para que não se acomodem, incitando-as para o exercício do incômodo. Os dramas pessoais, acentuados por excelentes atuações, cruzam-se com os da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme carrega a contradição de ser uma defesa da liberdade e da liberdade sexual – algumas das melhores cenas são de sexo, marcadas pelo lúdico e pela leveza – ao mesmo tempo em que seu protagonista afirma apaixonar-se por sua musa porque ela recusa-se à entrega, como quem não resiste à própria armadilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narrativa apaixonada e extremista, como os discursos do poeta e do próprio Claudio Assis, é reforçada pela câmera que mostra a cidade de baixo, do ponto de vista do rio e dos pescadores, e pelo uso da câmera vista de cima, acompanhando as pessoas, sua nudez e seus movimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A beleza natural da cidade com suas cores marcantes é embotada pelo preto e branco do filme, que se torna uma metáfora para a necessidade do cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No clímax do filme, a musa entrega-se ao poeta. Em uma manifestação organizada por ele, a chegada da amada transmuda o discurso político em poema de amor. Ali, em público, os dois desnudam-se, mas o ritual amoroso não se consuma. É interrompido pelo estado-polícia. O poeta é jogado ao rio e aos ratos. É a morte da poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Febre do Rato é um filme apaixonado, uma crítica tão íntima que se converte em elogio às pessoas, ao amor e à cidade onde vivemos e amamos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-4122013165687448441?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/4122013165687448441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/febre-do-rato_800.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4122013165687448441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4122013165687448441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/febre-do-rato_800.html' title='FEBRE DO RATO'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-6089708047466062484</id><published>2011-11-06T07:38:00.000-08:00</published><updated>2011-11-06T07:41:33.436-08:00</updated><title type='text'>FEBRE DO RATO</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;José Juva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Febre do Rato: poesia, cinema e libertinagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor surrealista André Breton afirmava que “a poesia se faz na cama como o amor”. Numa paráfrase mais aguda, o poeta Roberto Piva declarava que “a poesia é uma fascinante orgia ao alcance do homem”, incluindo a recíproca de que “a orgia é poética”. Reiterando estes apontamentos e tecendo outros, o diretor pernambucano Claudio Assis, em Febre do Rato, longa-metragem exibido na noite de abertura da IV Janela Internacional de Cinema do Recife, explora as fricções entre o corpo e a palavra, entre o gesto comportamental e o jorro lírico, entre as irrupções do desejo e os cercos do cotidiano - múltiplas camadas de significados possíveis de serem apreendidos nas quase duas horas de filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Febre do Rato apresenta recortes em preto e branco da vida do poeta Zizo, interpretado por Irandhir Santos. Zizo, um sujeito performático, pontua os momentos vividos com amigos, parentes e desconhecidos com a capacidade de incêndio e de sublime da palavra poética: recita poemas em churrascos, dirige poemas aos amigos - como o casal Pazinho (Mateus Nachtergaele) e a travesti Vanessa (Tânia Moreno) - e, principalmente, distribui o fanzine que dá nome ao filme, bradando no sistema de som de uma variant. Claudio Assis, com Febre do Rato, manifesta a idéia de que a arte pode ser um dispositivo de libertação psicológica, uma possibilidade de cura e guerrilha que faça frente ao cerceamento das liberdades e ao esmagamento e à padronização das vontades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agenciados no terreno fértil da poesia, a nudez, o lúdico, a embriaguez e o irracional ampliam os entendimentos e as sensações sobre a prática política, sobre a necessidade de posicionamentos diários dos sujeitos no rio da existência, confundindo propositadamente as fronteiras entre vida e arte. Zizo, na sua jornada rumo ao desregramento de todos os sentidos faz-se vidente (como preconizou Rimbaud), torna-se veículo de sensibilidades libertárias, congrega as vozes de homens e mulheres que deliberadamente, deliciosamente subvertem os comportamentos estabelecidos e sustentados na moral hegemônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim podemos ler as sugestões das trepadas coletivas, a traição com a mulher do vizinho numa caixa d’água, as masturbações na máquina de xerox e na posse dos poemas do fanzine, o desejo de contemplar a garota desejada urinando, a cannabis sativa geradora de momentos ternos de sociabilidade, etc. E mesmo morto pela polícia militar, tendo sido jogado ao Rio Capibaribe, Zizo permanece infiltrado, entranhado ao corpo dos personagens envolvidos por sua vida. Embora desigual, ligeiramente repetitivo e diluído em seus movimentos finais, Febre do Rato consegue entrelaçar instantes geniais a um conjunto de visões provocadoras, construindo a imagem de um Recife delirante, que está além das fábulas das fronteiras entre o feio e o belo, entre o sublime e o escatológico, entre a poesia e a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-6089708047466062484?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/6089708047466062484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/febre-do-rato_06.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6089708047466062484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6089708047466062484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/febre-do-rato_06.html' title='FEBRE DO RATO'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-3455198351123693187</id><published>2011-11-05T12:06:00.000-07:00</published><updated>2011-11-06T08:46:34.770-08:00</updated><title type='text'>FEBRE DO RATO</title><content type='html'>Bárbara Buril&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O universo flaneur de Febre do Rato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver ou não viver os espaços urbanos? Eis a questão. Sob a ótica do flaneur, própria do homem que pode sentir o espírito de uma cidade, Recife pode ser maravilhosa. Apesar do barulho e do mal cheiro, sempre é possível "dar um chute no ovo da ordem", como propôs o poeta Zizo (Irandhir Santos), protagonista do novo filme de Cláudio Assis Febre do Rato. Exibido, ontem (4), no IV Janela Internacional de Cinema do Recife, a Febre lotou o Cinema São Luís. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em A Febre do Rato, é feita uma densa problematização das questões urbanas do Recife: as favelas estão ao lado de grandes prédios empresariais, o cheiro piora, o barulho ensandece. Zizo, ao divulgar a nova edição do seu periódico marginal Febre do Rato grita em alto- falantes: "Vocês sabem o barulho que essa cidade tem. Vocês sabem o gosto. O cheiro". Todos sabem - nada mais precisa ser dito. Alter-ego de um sem número de recifenses, Zizo denuncia inquietações generalizadas. Diz que quer voltar para a praia: "meu ceu". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está situado no contraponto do caos urbano o universo de Zizo. Ainda não atingidos pelo fenômeno contemporâneo do ser blasé – em que o excesso de informações atomiza o homem para o toque - os sujeitos de Febre compartilham os corpos, os copos e o tempo. São flaneurs por viverem os parques, as paisagens, os rios e as pontes da cidade. Para eles, todo mundo precisa de amor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a fotografia de Walter Carvalho, o filme inunda a plateia com imagens belíssimas das vivências do grupo. As tomadas de cima, os deslizamentos de câmera e a escolha pelo preto e branco, em tempos de blu-ray, surpreenderam o público pela ousadia e pela exigência de uma postura contemplativa. Cenas como a do ménage, filmada de cima, encerraram uma beleza inefável. Além de ser menos apelativo que em Amarelo Mangua (2003) e Baixio das Bestas (2007), o sexo em Febre têm mais amor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das possíveis rê-bordosas, é preciso ser vivo na vida. “O placar pode não ser justo, mas a partida é boa pra caralho”, confessa Zizo para Pazinho (Matheus Nachtergaele), ironicamente um coveiro. Enterrar mortos-vivos é o intento dos flaneurs de Febre. Propõem liberdade no dia da independência. Pedem anarquia e sexo. Podem até pagar o pato, mas não importa, porque “os afoitos se completam”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-3455198351123693187?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/3455198351123693187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/febre-do-rato.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3455198351123693187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3455198351123693187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2011/11/febre-do-rato.html' title='FEBRE DO RATO'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-1036810743025243403</id><published>2010-11-22T12:24:00.001-08:00</published><updated>2010-11-22T12:26:44.144-08:00</updated><title type='text'>Brasil 6 - Estamos Todos Juntos</title><content type='html'>Nathalia Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa nacional Estamos Todos Juntos foi reprisado quinta-feira (18/11) no cinema da Fundação. Cinco curtas formam esse bloco e todos eles falam sobre o amor, em suas expressões mais inocentes e sinceras. A forte presença da infância e dos laços familiares, abordada com muito realismo, faz com que o programa transmita sensações de intimidade e reconhecimento para o público. É uma das sessões mais carismáticas da Janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A começar pelo filme de Ricardo Targino, Ensolarado (2010), em que a iminência da partida do lar amedronta a menina Lena. Ela precisa mudar-se de onde cresceu para “clarear a vista” em outro lugar, como diz sua avó. A menina não pertence mais ao sertão, embora continue apegada a ele, e a necessidade de ir além da tristeza para descobrir novos caminhos é a mensagem forte do filme, que pode ser resumida no conselho da avó: “Cantar bem mais forte que a dor, se a dor for maior que o peito”. Lena tenta fugir da nova fase, e a câmera corre atrás dela, filmando seus pés indecisos, até que ela acaba por convencida. Da tranqüilidade daquele lugar, leva uma tartaruga como lembrança e, para o sol forte que incomodava tanto, encontra um par de óculos escuros, primeira descoberta no novo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo curta do programa, Avós (Michael Wahrmann, 2009), provoca deja-vus. A câmera super-8 que Leo recebe do avô registra cenas que seguramente causam nostalgia em muitos dos espectadores que conviveram com esses parentes. Por exemplo, a insistência para que o neto coma, recorrente no filme, é a demonstração universal de afeto das avós, pois “coma mais, meu filho” é “eu te amo” para elas, todo mundo sabe. E o curta de Targino explora esse carinho com humor, conquistando pelo registro das expressões corriqueiras. Além disso, o filme explora o contraste entre a ingenuidade infantil e as lembranças de quem já sofreu muito. A naturalidade com que Leo pergunta se a avó esteve em Auschwitz não entende o silêncio bruto em retorno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Perto de Casa (2009), foi dirigido por Sérgio Borges, mas o comando das situações pertence mais aos seus filhos, Iel e Ravi, filmados durante um passeio. O diálogo que as crianças estabelecem com a câmera e entre si ajuda o filme caseiro a agregar um valor maior, pois explora de forma interessante, tanto a espontaneidade dos meninos, quanto suas relações com a imagem. Como quando o menor deles não se importa em ficar pelado diante da câmera, mas se esconde quando passa algum desconhecido por perto. Ele não reconhece que o destino daquelas imagens captadas pode ser a projeção para muitos outros estranhos, e se permite agir naturalmente em suas brincadeiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme seguinte, Querida Mãe (Patrícia Cornils, 2009) parece fugir um pouco do olhar infantil que vinha sendo seguido pelo programa. Mas o que se percebe quando Patrícia vai relendo as cartas escritas por sua mãe é que a necessidade de sentir a presença da figura materna, ausente há muito tempo, se assemelha à de uma criança. A descoberta da intimidade de uma mãe com quem quase não conviveu – e o registro desse percurso em vídeo - parece ser uma tarefa necessária para que um espaço vazio seja preenchido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à infância, de forma mais explícita, Balanços e Milkshakes (Erick Ricco e Fernando Mendes, 2009) é uma animação em rotoscopia que revela um primeiro amor, com indícios de sexualidade sendo descoberta. A relação entre as duas crianças que se apaixonam lembra o clássico Bentinho versus Capitu, em que a menina é responsável por certa malícia que hipnotiza e influencia o outro. A inocência em Estamos Todos Juntos é sutilmente perdida nesse fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-1036810743025243403?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/1036810743025243403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-6-estamos-todos-juntos_22.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1036810743025243403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1036810743025243403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-6-estamos-todos-juntos_22.html' title='Brasil 6 - Estamos Todos Juntos'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-5377455996955326997</id><published>2010-11-21T11:57:00.000-08:00</published><updated>2010-11-21T11:58:42.074-08:00</updated><title type='text'>Internacional 5 – Estados Alterados</title><content type='html'>Yuri Assis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma primeira impressão do programa Estados Alterados, exibido segunda (15) e quinta (18) no São Luiz, pode afastar o espectador de mensagens que não se pretendem diretamente expressadas. Quando o caso é experimentar, calma e atenção são necessárias para entender o que está projetado na tela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em If There Be Thorns (Michael Robinson, 2009), uma voz em off narra acontecimentos enquanto imagens vão tecendo metáforas além da compreensão comum. É um filme cujas entrelinhas assumem o papel mais importante. Em poesia, ganha muito. O diálogo com o público, todavia, fica prejudicado, exigindo um esforço de aprofundamento nos símbolos que apresenta. Da mesma forma, A History of Mutual Respect (Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, 2010) se concentra numa situação que é mais do que parece: dois jovens partem numa viagem que se fia nos significados ocultos. Contudo, neste caso há um enredo mais explícito para dar chance à adivinhação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Floating Head (Ben Dickinson, 2010) e Health - We Are Water (Eric Wareheim, 2010) dão lugar no Janela para o nonsense, ambos trazendo o gênero do horror ora sob o viés do humor ora sob o viés da estética trash. O primeiro já deixa o recado de que ali nada deve ser levado a sério. O segundo, idealizado como videoclipe para a música We Are Water da banda norte-americana Health, fica na beira do conceitual, mas sem firmar um compromisso estrito de fazer sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narrativas mais próximas à realidade surgem com o espanhol Jesusito de Mi Vida (Jesus Perez-Miranda, 2009). Neste curta, entra em cena Jesus, um menino de seis anos de idade, que tem medo de atravessar o corredor escuro para chegar ao banheiro. Recorre à fé em busca de ajuda, mas, por causa da omissão da providência divina, se vê diante de uma lição muito dura. A gente sai da sala de cinema certos de que o fato banal terá repercussões bem sérias nas crenças do menino. Está aí uma crítica muito bem construída ao fanatismo das religiões cegas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma tendência, o peruano El Paraiso de Lili (Melina Leon, 2009) pontua um momento político no Estados Alterados. Graças à influência de seu irmão, Lili descobre, nos últimos suspiros da Guerra Fria, que o mundo é uma eterna disputa de poder mesmo nas relações mais corriqueiras. As cenas em preto-e-branco ganham cor para contrastar o mundo real com as fantasias da menina, que, embora idealizem um universo descomplicado, reflete questões daquele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A animação Dot, rodada pelo duo Sumo Science em 2010, dá uma trégua para o espectador saturado de alegorias cujo sentido precisa ser resgatado. Gravado num Nokia N8, utiliza o acessório CellScope, que permite ampliar imagens microscópicas. Por último, Fear Thy Not (Sophie Shernan, 2010) mostra uma pessoa filmando o esforço de superar o próprio medo – não seria esta a comparação mais justa com a condição do público deste programa?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-5377455996955326997?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/5377455996955326997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-5-estados-alterados_21.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5377455996955326997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5377455996955326997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-5-estados-alterados_21.html' title='Internacional 5 – Estados Alterados'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-7448358356292082735</id><published>2010-11-21T11:56:00.000-08:00</published><updated>2010-11-21T11:57:38.128-08:00</updated><title type='text'>Brasil 7 - De frente para a cidade -</title><content type='html'>Márcio M. Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao olhar para os lugares onde habitamos de dentro para fora ou de fora para dentro, percebemos os meandros que saltam aos olhos e seguem além do simples concreto, mas tornam-se sensações que carregamos dentro de nós. Dessas sensações, o programa De frente para a cidade explora seus trabalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da sequidão nordestina, surge o primeiro curta – O Som do Tempo (Petrus Cariry, 2010) –, em que o espectador, de início amedrontado com os gigantes letreiros iniciais, mergulha sem medo na realidade miúda que o diretor exibe através de uma inspirada paleta de cores e monocromias e uma sonoridade quase sólida de tão presente, composta pelos sons diegéticos. Sem se prender ao ambiente sertanejo onde se fundamenta, o curta se universaliza ao deslocar sua câmera pelo mínimo, pelo zoom extremo ao cotidiano, onde sons e ritmos triviais compõem uma sinfonia sobre a própria passagem do tempo: ele não nos pertence, mas somos nós que caminhamos por sua estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transitando através das complicações do ajuntamento social, político, histórico das pessoas que nele habitam, Dias de Greve (Adirley Queirós, 2009) mostra-se um curta bem produzido, mas pouco inspirado – no quesito roteiro, direção e interpretação – para tratar dos embates entre as lutas trabalhistas a necessidade de sobrevivência. O espectador acompanha sem muita expectativa as discussões dos proletários grevistas, dos fura-greves e a relação posterior ao retorno para o trabalho, em que opressor e oprimido mantém-se da mesma forma – sintetizado pela cena final, onde, embora no mesmo lugar, os homens ainda assim deixam-se levar pelas relações hierárquicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando na contramão dos curtas anteriores através da criação de um mito dentro do universo urbano da Bahia, O sarcófago (Daniel Lisboa, 2010) mostra a composição primitiva e apocalíptica de um artista plástico para sua maior obra de arte: ele mesmo. Lisboa, através de uma edição precisa, uma trilha sonora contundente e impulsionante e enquadramentos estudados, consegue compor a dinâmica de sua personagem e permitir que o filme seja completamente dela. Religião e futurismo se mesclam em um Frankenstein estranho aos olhos da cidade, mas que comunica essa necessidade de transcender as barreiras temporais e espaciais da representação de si mesmo para seus companheiros de comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalizando esse ciclo – que parte de um olhar dos pertencentes à comunidade e chegando a um olhar marginal -, o curta Bailão (Marcelo Caetano, 2009) trata de um salão em São Paulo que reúne homossexuais de todas as faixas etárias pelo único propósito de comungar um momento: a dança. A partir de depoimentos de participantes de um “submundo” homossexual, o diretor costura uma relação de opressão em relação à cidade, à comunidade que segrega aqueles que optam por assumir uma sexualidade diferente dos padrões. Mesmo sem inovar esteticamente, o curta propõe um painel honesto de um arrependimento pelo que não se viveu, onde público e o particular se misturam com uma historicidade doída pelo amor não-concretizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através de olhares tão pessoais sobre o lugar onde se vive, seus diretores mostram que as relações que se estabelecem na comunidade podem ser de afeto ou rejeição, de aceitação e medo, por que nossos habitats influenciam e são influenciados por aqueles que deles participam, sejam cineastas ou espectadores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-7448358356292082735?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/7448358356292082735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-7-de-frente-para-cidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7448358356292082735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7448358356292082735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-7-de-frente-para-cidade.html' title='Brasil 7 - De frente para a cidade -'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-8647027487521832465</id><published>2010-11-21T11:55:00.000-08:00</published><updated>2010-11-21T11:56:11.061-08:00</updated><title type='text'>Internacional 6 – Caro Diário</title><content type='html'>Márcio M. Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um registro de verdades íntimas. Assim se pode pensar o programa internacional Caro Diário, que une seus curtas por uma temática centrada nas descobertas e sentimentos individuais diante do mundo e, do mesmo modo, com uma estética semelhante: registros naturalistas, como se a câmera participasse daquele ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro curta da noite – Blokes (Marialy Rivas, 2010) – mostra a descoberta da sexualidade de dois rapazes durante o cerco provocado pela ditadura militar, em que a coação já havia se tornado lugar comum para todos. Com excelentes interpretações e um roteiro enxuto, o diretor compõe um cenário não-melodramático de uma sexualidade que nunca se mostra deveras sofrida, mas como um desvio às convenções rígidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Androids (Maria Pérez, 2010), por sua vez, trata da exclusão social onde os algozes, na verdade, ganham o rosto da família: em um subúrbio quase idílico, um rapaz une-se à sua vizinha deficiente para formar um clube do OVNI, algo visto com bastante estranheza por todos que os cercam. De forma bastante convencional e abusando dos estereótipos, o diretor conduz suas protagonistas com destreza até sua tentativa de redenção, onde o desejo de ir embora não toma simplesmente ares de fuga, mas de um retorno ao seu “lar original”. Se o riso pela situação absurda de ambos surge, é pela identificação extrema com cada um de nós que se sente “desencaixado” dos padrões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo a mesma esteira familiar, Dans nos veines (Guillaume Senez, 2010) trata de um pós-adolescente que, por conta das brigas familiares, teme perpetuar o estereótipo de paternidade que sempre acompanhou e padeceu em casa. Esteticamente, seu diretor se mostra seguro de suas intenções através de atores extremamente à vontade com seus personagens, permanecendo sempre desafiados pelas ações do outro. Se, em alguns momentos, os diálogos explicam excessivamente os sentimentos das personagens, acontece como na vida, quando nem sempre estamos à vontade para agir e explicar-se em demasia termina se tornando uma alternativa que traga mais alívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerrando esse ciclo sobre individualidades e familiaridades “disformes”, En suspension (Fanny dal Magro, 2009) mostra uma mãe solteira que cuida de uma filha que a reprime com seus desejos e carências insaciáveis, através de um roteiro sutil e interpretações cativantes que contrabalançam densidade e leveza com elegância. O desejo de se tornar responsável se desequilibra quando a ânsia de fugir das conseqüências que vêm a partir dele termina por sufocar a experiência da maternidade. Contudo, o cineasta não se mostra pessimista: como atesta a cena final, por mais difícil que seja continuar, o amor e o perdão surgem para trazer de volta as razões que permeiam esse desejo do compromisso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indivíduos que participam da sociedade. Comunidade que interfere nas decisões do indivíduo. Ao sair da sala de cinema, o espectador se revê como protagonista de seu próprio diário, como uma carta de desafio para os que o rejeitam ou uma declaração de amor àqueles que abrem seus braços para recebê-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-8647027487521832465?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/8647027487521832465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-6-caro-diario_21.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8647027487521832465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8647027487521832465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-6-caro-diario_21.html' title='Internacional 6 – Caro Diário'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-42440595469954758</id><published>2010-11-20T05:24:00.000-08:00</published><updated>2010-11-21T07:43:04.473-08:00</updated><title type='text'>Internacional  5 – Estados Alterados</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOk94DwrFhI/AAAAAAAAARk/SMWq-WbtWv8/s1600/IGUAZU021.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOk94DwrFhI/AAAAAAAAARk/SMWq-WbtWv8/s320/IGUAZU021.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542028849747531282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Poliana Dantas&lt;br /&gt;De perto, só a câmera é normal&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Existe uma tendência humana contemporânea de dar, com maior frequência, “vazão” aos estados de espírito mais incomuns e perturbantes; ações que rompem os limites da rebeldia fundamentada, dos sentidos táteis, das (suportáveis) relações entre dois ou mais seres, até mesmo da loucura iminente, elas são esporadicamente jogadas em um determinado espaço, sem nenhuma pretensão com o que pensem ou deixem de pensar acerca do seu conceito. Assim poderíamos resumir o experimentalismo quase non-sense que foi a Mostra Internacional 5 – Estados Alterados (até o título já funciona como um prelúdio do sentimento do espectador durante a sessão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No curta “A History of Mutual Respect” (foto)(Gabriel Arantes / Daniel Schmit, 2010) já é possível prever a carga pesada de humor negro (literalmente) e misógino na história de dois rapazes que buscam, durante uma viagem meio que epifânica, encontrar a essência da miscigenação ideal, pura – mesmo que isso apenas se resuma à cópula prosaica e programada, para fins de perpetuação da espécie (seria isso uma sátira às concepções anteriores ou um ressentimento enrustido de ex-colonizador?). Já em “Floating Head” (Bem Dickinson, 2010) e “Health – We Are Water” (Eric Wareheim, 2010), é nítido a repulsão e o choque causados não só pelo caráter trash e de escárnio que eles adquirem, como também pela necessidade norte-americana latente de expressar seus alteregos utilizando elementos bizarros e excêntricos, flertando intrinsecamente com distúrbios e desejos de poder unitários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "If There Be Thorns" (Michael Robinson, 2009), o longo monólogo do personagem ao relatar um surto de incesto e magia em uma ilha deserta, além de perder em certos momentos sua coerência narrativa – afinal, tratava-se de uma história quase que vomitada – , consegue despertar no público um tédio bastante vivo, e um diálogo com o nada conceitual, em busca de um sentido. Na produção “Dot” (Sumo Science, 2010), todavia, esse sentido existencial não achado no curta anterior, é sintetizado aqui em um ponto, incitando-nos a refletir sobre as atuais relações entre tempo e espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As unidades sócio-dogmáticas, bem como suas desilusões para com elas, também geram um mal-estar comportamental. Como exemplificado em “Jesusito de Mi Vida” (Jesus Perez-Miranda, 2009), quando um menino não consegue encontrar na tal “ajuda divina redentora e prometida” a superação para um medo trivial, bobo: o do escuro (temos aí um grande candidato a ateu, explicado pela cena do crucifixo debaixo da cama); em “El Paraiso de Lili” (Melina Leon, 2009), em que Lili, em uma performance a la James Dean mirim, desilude-se precocemente com as corrupções que cercam os sistemas de enlaces políticos; e, encerrando o programa, em “Fear Thy Not” (Sophie Sherman, 2010), uma menina, à mesma velocidade da captação da câmera, canta como uma  ultrarromântica uma cantiga de domínio público, à procura, talvez, de uma resposta abstrata e imediata que nem os limites daquele roteiro podem supri-la dessa ânsia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As variações dos níveis de (in)consciência, independente de que estrato social o indivíduo venha, quando escarradas tem sempre o mesmo objetivo: quebrar as fronteiras do standart. Na Psicanálise, Freud provavelmente denominaria o evento como "exarcebação do id"; no cinema, isso poderia ser chamado de cena marginal, underground.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-42440595469954758?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/42440595469954758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-5-estados-alterados.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/42440595469954758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/42440595469954758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-5-estados-alterados.html' title='Internacional  5 – Estados Alterados'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOk94DwrFhI/AAAAAAAAARk/SMWq-WbtWv8/s72-c/IGUAZU021.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-5712780762428986131</id><published>2010-11-20T05:23:00.001-08:00</published><updated>2010-11-21T07:52:01.215-08:00</updated><title type='text'>Brasil 6 - Estamos Todos Juntos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOk_k2oKdVI/AAAAAAAAARs/QbAhHQzidS8/s1600/leo6.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 243px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOk_k2oKdVI/AAAAAAAAARs/QbAhHQzidS8/s320/leo6.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542030718827918674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Poliana Dantas&lt;br /&gt;Sinestesias Sentimentais&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Será que existe cor para a saudade? Cheiro para a dor? A partir da exibição da Mostra BRA 6 – “Estamos Todos Juntos”, uma das sessões mais emocionantes do Janela até agora, percebe-se que sim, que a vida em coletividade (especialmente a vida familiar, onde há a afloração e o desenvolvimento da afetividade), e os sentimentos e ligações que permeiam esse núcleo podem ser captados sob uma perspectiva penetrante, de modo a levar o espectador a viajar por suas próprias lembranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembranças simples, e na mesma proporção significantes, como o ato dolorido de se despedir de um ente querido; é o que presenciamos no curta “Ensolarado” (2010), de Ricardo Targino. O próprio título, os tons quentes da fotografia impecável, e até a movimentação da câmera em planosequência em algumas cenas, além de sugerir a imagem de um sertão mais “habitável” como qualquer outro lugar, transmite calor ao desespero e medo que a menina sentia ao ter que se separar de sua família, principalmente da sua avó. E aproveitando o tema avós, todos sabem que temos neles um grande oráculo de boas experiências, as quais eles fazem qustão de disseminar para as gerações posteriores. Mas no curta “Avós” (foto), de Michael Wahrmann, isso funciona de maneira inversa. O garoto Léo, que acabara de completar 10 anos, é o símbolo vivo da necessidade dos seus avós – judeus – de enchê-lo de presentes e comida para compensar as suas dignidades esvaziadas pela Auschwitz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas memórias inesquecíveis nem sempre precisam ser (re)construídas e (re)vividas pelos mais velhos. No curta “Perto de Casa” (Sérgio Borges, 2009), por exemplo, a espontaneidade no momento de diversão de duas crianças transparece um visão livre e mágica do mundo à sua volta, desprovido de qualquer tipo de corrupção; ela apenas está ali, e para eles não dói usá-las e guardá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em “Querida Mãe” (2009), a cineasta Patricia Cornils descarrega um profundo intimismo e sensibilidade em sua produção ao reconstruir os passos da mãe que ela nem conheceu a partir de cartas enviadas por esta a seus familiares em Recife. O depoimento de amigos, além da escolha criteriosa de locais importantes na história da mãe, como o próprio Cinema são Luiz – onde curiosamente o curta foi exibido, gerando uma metalinguagem cinematográfica quase sem querer – desperta uma inquietação em todos que assistem a ele, além da sensação nostálgica , mas gostosa, de sentir falta daquilo que não vivemos. Fechando a sessão, vemos em “Balanços e Milkshakes” (Erick Ricco / Fernando Mendes, 2009) um retrato singelo do amor de infância, daqueles que surgem em momentos aparentemente triviais e rotineiros, mas que deixam uma marca profunda na vida de qualquer um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem diversas explicações históricas, filosóficas, científicas para entender o porquê desse constante desejo da humanidade de reemersão memorial, utilizando como principal veículo de escape o cinema; existe, entretanto, uma razão que possa sintetizar qualquer teoria empírica suposta: a de que nunca seremos capazes o suficiente para trabalharmos por completo com todos os sentidos das relações com o outro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-5712780762428986131?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/5712780762428986131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-6-estamos-todos-juntos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5712780762428986131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5712780762428986131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-6-estamos-todos-juntos.html' title='Brasil 6 - Estamos Todos Juntos'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOk_k2oKdVI/AAAAAAAAARs/QbAhHQzidS8/s72-c/leo6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-4282579163313382949</id><published>2010-11-20T05:20:00.000-08:00</published><updated>2010-11-20T05:22:46.979-08:00</updated><title type='text'>Brasil 8 - Experiências em Coletividade</title><content type='html'>André Valença&lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;O programa Experiências em Coletividade (Brasil 8) trouxe uma seleção muito condizente com o nome que leva, visto que todos os filmes tiveram alguma correlação com um grupo social. A exibição começou com Novo Ano (2010), de Louise Botkay Courcier e Valérie Pico. O filme é uma busca por pureza e traz imagens leves ou de conteúdo alegre, às vezes meio profanas. Ao fundo, um grupo de pessoas repetindo, como um mantra: “vida, saúde, felicidade”; aspirações comuns de fim de ano.&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;Ao seguir, Alguém Tem que Honrar essa Derrota! (Leonardo Esteves, 2009) encantou e entreteve o público pela sua não-ortodoxia: o filme foi rodado sem roteiro no Carnaval do Rio de Janeiro e, a partir das imagens que foram obtidas, o diretor construiu uma história na montagem e pôs dublagens por cima das vozes originais. Mas essas excentricidades não foram a única coisa que cativou o público, havia no filme muitas questões que faziam com que o espectador se lembrasse de outras fases do cinema. A dublagem caricata remete às chanchadas brasileiras dos anos sessenta, ou mesmo a enlatados americanos. A música frenética ao fundo, outro elemento crucial do curta, embala uma edição rápida, cheia de informações.&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;Já A Banda (2010), de Chico Lacerda, apela para uma edição mais discreta. Diversos planos-sequências e outros cortes menores compõem o filme. As imagens captam verdadeiros retratos de pessoas observando uma banda na praia. A atenção do espectador se dobra nelas, pois não há som algum no fundo, nem mesmo o ambiente. A ironia não poderia ser mais clara, um filme (também) sobre som, mas com ausência dele. As imagens, enfim, começam aos poucos a sugerir que se trata de uma festa do movimento gay: bandeiras com o arco-íris aparecem, grupos homossexuais dançam; tem clima de festa. A câmera acaba por captar um instante do trio onde toca uma banda com dançarinos sem camisa. Mas é só. A reação das pessoas é o mais importante.&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;Handebol (2010), de Anita Rocha da Silveira, segue uma tendência comum no cinema brasileiro, de curta e de longa-metragem, que é o universo adolescente, visto, por exemplo, em As Melhores Coisas do Mundo (Laís Bodanzky, 2010). O filme em questão, contudo, trata o tema de forma distinta, pois não se interessa em fazer registro da adolescência de uma época, mas resgatar no público um sentimento juvenil. A forma que Anita conseguiu de trabalhá-lo assim foi transformando-o numa obra bastante sensorial. O som do filme é esmagador, as imagens parecem uma névoa da lembrança, nada daquilo é natural, ou naturalista, é um tempo vivido e que já foi; há muito tempo (mesmo que se passando na atualidade).&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;A chave-de-ouro que finalizou a sessão com muito glitter e extravagância foi Faço de Mim o que Quero (Sergio Oliveira e Petrônio Lorena, 2010). O filme começa com a subjetiva de um carrinho de CD pirata rodando o centro do Recife; a impressão que dá é que o filme se tratará de um épico do Brega (principalmente, para quem já sabia da participação de Kelvis Duran, Conde do Brega e João do Morro no elenco), mas logo em seguida fica claro que se trata de uma sucessão de esquetes divertidos ambientados no universo da música Brega. O curta é tecnicamente impecável, a fotografia é preocupada, os atores estão bem preparados e a montagem é inspiradora, contudo, no que sobra em, antiteticamente, profissionalismo e irreverência, falta em substância narrativa. Isto não impede, porém, de o filme cumprir o seu objetivo de registrar uma crônica do gênero musical mais popular do Recife. Há também quem achará uma depreciação, mas, claramente, se trata de um elogio. O maior destaque fica para os créditos, com dançarinos do gênero revelando a ficha técnica do filme desenhada em partes dos seus corpos. “Melhor seqüência de crédito do cinema?”, sugere Kléber Mendonça Filho, realizador, crítico de cinema e diretor artístico do Janela depois da sessão. É bem provável. De fato, uma ótima forma de fechar o programa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-4282579163313382949?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/4282579163313382949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-8-experiencias-em-coletividade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4282579163313382949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4282579163313382949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-8-experiencias-em-coletividade.html' title='Brasil 8 - Experiências em Coletividade'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-4231351855222261813</id><published>2010-11-19T18:24:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T18:25:57.761-08:00</updated><title type='text'>Brasil 5 - Imagens do Futuro</title><content type='html'>Ingrid Melo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro é uma máquina chamada cinema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa Brasil - 5 Imagens do Futuro, reprisado ontem no cinema da Fundaj, é mais uma prova de que os curtas nacionais estão em nível tão bom quanto os estrangeiros. Dessa vez, a sessão foi completa, ao contrário do que havia ocorrido na exibição do Cinema São Luiz, quando &lt;em&gt;Viagem a Marte&lt;/em&gt;, de Antônio Castro, não pode ser exibido por problemas técnicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A programação teve início com &lt;em&gt;Pacífico&lt;/em&gt;, de Jonathas Andrade, que aborda a Guerra do Pacífico, conflito travado por Bolívia, Chile e Peru no século 19. Entretanto, Andrade confere ênfase especial ao País dos Andes, sua história e geografia. Um terremoto – detalhe para a criatividade do diretor que cria as cenas das placas tectônicas se deformando com modelos de papel em stop-motion, estética que virou moda em nosso cinema, mas que continua impressionando – separa o Chile do resto do continente da América do Sul. Andrade pretende refletir acerca desse isolamento e lança um olhar sobre o próprio Brasil, tão distante da Latino-américa. A câmera em Super-8 confere textura especial ao curta e os depoimentos garantem veracidade. O espectador passa boa parte do filme em dúvida se a história retratada trata-se de ficção ou se é um fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sensação que permanece quando se depara com Wim Wenders em &lt;em&gt;De Volta ao Quarto 666&lt;/em&gt;, de Gustavo Spolidoro. No documentário, Spolidoro reacende a discussão acerca do futuro do cinema, proposta por Wenders há cerca de um quarto de século e, à medida que este fala, sobrepõe imagens dos cineastas que deram suas opiniões em 1982. Dessa vez em frente à câmera (digital), o diretor alemão expressa suas certezas e incertezas desse futuro e afirma que a única coisa precisa é que o cinema sobreviverá a todos nós. Vale-se ressaltar à homenagem não premeditada ao grande Michelangelo Antonioni, um dos poucos a vislumbrar o que é o cinema hoje. Um insight muito bom de Spolidoro e um gozo para qualquer amante do cinema que ele o tenha tido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se Spolidoro utiliza o passado para falar do futuro, Gabriel Mascaro vale-se do presente em &lt;em&gt;As Aventuras de Paulo Bruskly&lt;/em&gt;. O diretor realiza um filme inteiro em machinima (técnica que combina cinema, animação e game), recriando o universo da plataforma de relacionamento virtual Second Life. No enrendo, o avatar do artista Paulo Bruskly encomenda para o cinegrafista homônimo ao diretor um filme em forma de documentário sobre sua experiência no simulador da vida real. No curta, o futuro é representado por uma espécie de ensaio sobre os limites da tecnologia. Há, ainda, espaço para reflexões acerca do cinema e, claro, sobre os usuários de redes sociais e as febres terçãs que elas causam. Uma produção primorosa que mistura ficção e realidade, real e virtual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, de fato, essa fluidez marcou boa parte do programa. Em &lt;em&gt;Haruo Ohara - Pausa para a neblina&lt;/em&gt;, Rodrigo Grota recria a obra do fotógrafo Haruo Ohara, japonês que morou no Paraná durante um grande trecho de sua vida. Nas reconstruções feitas por Grota das cenas captadas por Ohara, quatro dos nove filhos do fotógrafo participaram. O grande feito do cineasta nesse filme é ter conseguido manter-se fiel à obra do japonês, por si só, tão poética. O curta é de uma beleza comovente e deixa no espectador uma sensação de paz que só os orientais conseguem ostentar. Ponto para Grota, que fechou com chave de ouro sua Trilogia do Esquecimento, composta ainda pelos filmes &lt;em&gt;Satori Uso &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Booker Pittman&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerrando a noite, o aguardado &lt;em&gt;Viagem a Marte&lt;/em&gt; cria uma guerra que apressa o lançamento de uma tripulação a uma viagem espacial rumo ao planeta vermelho. Antônio Castro dá um tom de realidade à obra tão escapista, muito pela escolha do preto e branco. Rumando a Marte, sem saber o que os aguarda, os astronautas são uma metáfora para nossas incertezas acerca do futuro. E, mais do que isso, Castro afirma que tudo pode ser, já que estamos em processo de feitura desse há de vir. Uma bela realização que valeu cada segundo de espera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-4231351855222261813?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/4231351855222261813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-5-imagens-do-futuro_19.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4231351855222261813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4231351855222261813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-5-imagens-do-futuro_19.html' title='Brasil 5 - Imagens do Futuro'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-1675168754851015277</id><published>2010-11-19T08:56:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T09:32:53.520-08:00</updated><title type='text'>Internacional 4 - As Imagens Projetadas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaziHSa8AI/AAAAAAAAARc/XMQDudHgPQ4/s1600/still_vm.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 256px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaziHSa8AI/AAAAAAAAARc/XMQDudHgPQ4/s320/still_vm.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541313790179209218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;André Valença&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As Imagens Projetadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A memória - em todas as suas manifestações – tem sido tema recorrente nesta edição do Janela Internacional de Cinema. No programa &lt;em&gt;As Imagens Projetad&lt;/em&gt;as (Internacional 4), este assunto é retrabalhado em pelo menos dois filmes. De maneira mais óbvia, ele aparece em &lt;em&gt;Amnésia &lt;/em&gt;(Cornelia Swann, Rússia, 2009). Uma narradora amnésica paradoxalmente relembra trechos de sua vida que haviam sido perdidos. A moça sempre diz acordar e se encontrar vivendo uma vida diferente. Numa delas, é esposa de Pierce Brosnan, noutra, de William Shatner, e assim por diante. As identidades afamadas dos maridos não parecem interferir significativamente na sua conduta, afinal – ela sabe – o cérebro falha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Vida Longa à Nova Carne &lt;/em&gt;(Nicolas Provost, Bélgica 2009), a memória presente é a do cinema de terror. O filme de montagem traz diversos trechos de clássicos do gênero, de &lt;em&gt;Iluminado &lt;/em&gt;(1980), de Stanley Kubrick, a &lt;em&gt;Alien&lt;/em&gt; (1979), de Ridley Scott. A edição, entretanto, traz um "poŕem". As imagens estão contaminadas com um erro de leitura de imagem que acontece na má compressão do arquivo de vídeo no computador. Quando há movimento, a imagem fica repleta de pixels e com erro de cores que torna as cenas numa verdadeira salada de frutas imagética; o resultado, finalmente, é um literal amálgama dos diversos filmes. Não só eles estão unidos pela história que foi montada, mas pelo defeito do computador. Enfim, essa mistureba de cores, pixels e imagens gera peças que podem evocar desde uma tela abstrata, ao expressionismo de Munch. Certamente, "Vida Longa..." é o destaque da sessão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro curta que abusou da criatividade foi &lt;em&gt;Não Filme em Três Actos e Um Prelúdio &lt;/em&gt; (foto) (Portugal, 2010), o primeiro a ser exibido. O filme de Rita Macedo é um balaio filosófico sobre questões essenciais, como a morte. O texto e extremamente inteligente, mas as inovações estéticas às vezes atrapalham a sua maior compreensão. O próprio filme tem ciência disso e brinca, abafando um discurso sério de uma mulher com uma voz gritando onomatopéias. Na verdade, tudo isso deixa "Não Filme..." ainda mais interessante e desafiador. É, certamente, mais um bom fruto do cinema português, que, recentemente, vem nos agraciando tanto, principalmente com as obras realizadas pela produtora O Som e A Fúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro que agradou, pela ternura e comicidade, foi &lt;em&gt;Masala Ma&lt;/em&gt;ma (Michael Kam, Singapura, 2010). O filme sobre a amizade (ou "aliança", para usar um termo mais super-heróico) improvável entre um vendedor homossexual e uma criança aficcionada por quadrinhos de super-heróis toca e diverte o público com um final bastante alegórico. Por fim, &lt;em&gt;Procuro Garota Para Trabalho Remunerado em Curta-Met&lt;/em&gt;ragem (Manuel Schapira, França, 2010), mesmo sendo bom e consistente, decepciona por seu título nos levar a crer que se trata de um exercício metalinguístico, quando, na verdade, é uma história das mais tradicionais sobre uma aspirante a atriz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-1675168754851015277?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/1675168754851015277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-4-as-imagens-projetadas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1675168754851015277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1675168754851015277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-4-as-imagens-projetadas.html' title='Internacional 4 - As Imagens Projetadas'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaziHSa8AI/AAAAAAAAARc/XMQDudHgPQ4/s72-c/still_vm.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-9048151792592431777</id><published>2010-11-18T19:26:00.001-08:00</published><updated>2010-11-19T07:04:47.094-08:00</updated><title type='text'>Brasil 4 - Fazendo Contato</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaRbuLRXiI/AAAAAAAAAPM/xpdPMohLrzQ/s1600/03.dirceu%2Be%2Bodete.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 207px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaRbuLRXiI/AAAAAAAAAPM/xpdPMohLrzQ/s320/03.dirceu%2Be%2Bodete.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541276296963776034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yuri Assis&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fazendo Contato, quarto bloco brasileiro de curtas do Janela, exibido na quarta-feira(17), abordou a relação com o outro, que nem sempre é descomplicada. A descoberta da alteridade às vezes revolve assuntos que foram empurrados pro fundo da gaveta. No fim das contas, a interação com o alheio parece remeter a nós mesmos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O curta-documentário &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Canoa Quebrada&lt;/span&gt; (Guile Martins, 2009), por exemplo. O diretor põe na tela, sem dramas, o momento em que conhece o pai. Protagonista de seu próprio enredo, Guile consegue a façanha de expor um olhar cru sobre seu passado. Como alguém que se acostumou à falta de um braço, a busca pela figura paterna é mais curiosidade que carência. O cineasta achou os contatos do pai na rede virtual; fruto do acaso, seu guia é a sorte.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Náufragos &lt;/span&gt;(foto)(Gabriela Amaral e Matheus Rocha, 2010) segue com essa tendência, mas em outra direção. Recheado de metáforas, o enredo mostra Odete, senhora idosa, que se dá conta da viuvez quando o marido, ao procurar certo objeto embaixo da cama, desaparece. Ruídos estranhos indicam que ali ocorre algo, e, ao final, o burburinho traz à tona lembranças empoeiradas. É como se o esposo tivesse passado para esse terreno fantasmagórico de ressentimentos. Longe, entretanto, de imprimir um ar pesado ao tema, o curta baiano toca no assunto da morte com certo humor. Odete aceita a condição que acomete a todos, sumindo para debaixo do leito.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A relação entre mortos e vivos também entra em cena em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;As Corujas&lt;/span&gt; (Fred Benevides, 2009). Adaptação do conto homônimo do cearense Moreira Campos, o espectador é levado a um velho necrotério. Lá, um vigia espanta as corujas que bicam e arrancam os olhos dos defuntos, como se ainda precisassem ver. Guardando as necessidades alheias, o personagem nutre uma ligação afetiva de mão única.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A esse tipo de contato, marcado pela dependência, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Carreto &lt;/span&gt;(Marília Hughes e Cláudio Marques, 2009) acrescenta a circunstância da troca. Duas crianças se unem para superar os impasses que não lhes permitem viver plenamente a infância. O menino tem obrigações com a realidade; a menina, paraplégica, está confinada ao mundo de suas fantasias. Na tentativa de resolver a situação de sua amiga, converte em brinquedo o carrinho-de-mão com que trabalha.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Mundo é Belo&lt;/span&gt; (Luiz Pretti, 2010) encerra o programa retomando a velha temática do entendimento. O diretor tenta falar de suas contemplações, confiante da compreensão de seu interlocutor. Aí, pinta uma dúvida, certamente partilhada por muitos espectadores, e que perpassa as nuances do Fazendo Contato: a gente sempre tem mesmo que se traduzir?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-9048151792592431777?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/9048151792592431777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-4-fazendo-contato_6926.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/9048151792592431777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/9048151792592431777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-4-fazendo-contato_6926.html' title='Brasil 4 - Fazendo Contato'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaRbuLRXiI/AAAAAAAAAPM/xpdPMohLrzQ/s72-c/03.dirceu%2Be%2Bodete.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-640109434858479130</id><published>2010-11-18T19:06:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T07:14:50.484-08:00</updated><title type='text'>Internacional 3 - Fazer Backup</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaUKFrRfvI/AAAAAAAAAPc/BgZ7VJOeYHQ/s1600/Tad%2527s%2BNest%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaUKFrRfvI/AAAAAAAAAPc/BgZ7VJOeYHQ/s320/Tad%2527s%2BNest%2B1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541279292569255666" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ingrid Melo&lt;br /&gt;Oroboro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filósofo Friedrich Nietzsche formulou certa vez uma teoria a que denominou "O Eterno Retorno". Em um dos seus aspectos, ela fala sobre os ciclos repetitivos da vida. E são exatamente esses ciclos que são abordados no Programa Internacional 3 - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Fazer Backup&lt;/span&gt;, exibido ontem no Cinema da Fundação, como parte da III Janela Internacional de Cinema do Recife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, uma das consequências mais marcantes da teoria do Eterno Retorno está presente no argentino&lt;span style="font-style:italic;"&gt; "Cynthia ainda tem as chaves"&lt;/span&gt;, de Gonzalo Tobal. Segundo Nietzche, estamos destinados a amar o inevitável, o amor e o desamor - o amor fati. E é isso que faz Cynthia, voltando todos os dias à casa do namorado após o fim do romance. Ela, que amou tanto estar naquela casa quando era cercada de afeto, ama ainda mais agora em que a frequenta sozinha. O filme é belo por essa necessidade desesperada de Cynthia de resgate ao amor impossível e por sua anulação em nome do desamor que restou naquele ambiente. A atriz Maria Villar ganha mais pontos por seu carisma do que por sua interpretação. Ela é daquelas atrizes que enfeitiçam a câmera e, consequentemente, o público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já aqueles que gostam dos irônicos nomes fictícios de filmes têm em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"French Courvoisier" &lt;/span&gt;da francesa Valérie Mréjen uma boa pedida para a piada. Isso porque o filme é exatamante a volta de quem não foi. A história de sete amigos que se reúnem para lembrar um oitavo que havia se suicidado consegue ser densa e leve ao mesmo tempo. E isso acontece graças aos seu diálogos muito bem pensados, que mesclam assuntos cotidianos e filosóficos de maneira precisa. Destaque para o olhar de Valérie, que está sempre captando a expressão certa no momento exato. Pode-se perceber claramente a atmosfera de uma intimidade perdida, antes justificada pela presença do amigo morto; bem como o quanto esse amigo ainda é marcante nas vidas das personagens. Sem dúvidas, o destaque da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inglês &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Tad's Nest"&lt;/span&gt;(foto), de Petra Freeman, por sua vez, é o regresso à infância. A diretora, quando criança, fantasiava um ninho de enguias mágicas perto de onde morava e busca, com o filme, fazer o resgate da lembrança infantil. Por isso, o curta tem ares de conto-de-fada, com direito até a mocinha em perigo. Entretanto, Freeman não conseguiu deixar de lado suas impressões de adulta e carregou de intensidade a história, o que acaba deixando o espectador incomodado. A menina que está sempre sendo perseguida dá margem para muitas metáforas para nossas mentes já fatigadas e a sensação de desconforto é insistente. Tudo muito bem realizado em animação de pintura sobre vidro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechando a noite, foi exibido &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Apenas para fins culturais"&lt;/span&gt;, de Sarah Wood. O filme traz imagens da Atlântida palestina: seu acervo de filmes perdidos durante o Cerco a Beirute. É o retorno à história, à cultura e à arte da região, através de imagens e desenhos que as representam. Contudo, o resgate que Sarah pretende conseguir parece não se restringir à Palestina. Ela busca um resgate acerca da relevância do cinema para construção da identidade de um povo. E por isso chamei de Atlândida o acervo. Porque sendo um registro tão característico de uma população, o cinema não se pode perder sob as águas - ou bombas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-640109434858479130?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/640109434858479130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-3-fazer-backup_18.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/640109434858479130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/640109434858479130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-3-fazer-backup_18.html' title='Internacional 3 - Fazer Backup'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaUKFrRfvI/AAAAAAAAAPc/BgZ7VJOeYHQ/s72-c/Tad%2527s%2BNest%2B1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-6077110946018029232</id><published>2010-11-18T18:30:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T07:21:32.925-08:00</updated><title type='text'>Internacional 6 - Caro Diário</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaVd9mPj2I/AAAAAAAAAPk/e7Ct5AOGITc/s1600/Foto_Androides_3.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaVd9mPj2I/AAAAAAAAAPk/e7Ct5AOGITc/s320/Foto_Androides_3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541280733509685090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Thaís Vidal&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um programa muito sensível e que suscita profundas reflexões é o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Caro Diário&lt;/span&gt;, exibido ontem no Cinema São Luiz. Abrindo a seção, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blokes&lt;/span&gt;, um filme chileno que narra a descoberta da sexualidade. De maneira sutil e delicada, a diretora Marialy Rivas mostra um menino, Luchito, que se vê apaixonado pelo seu vizinho, Manuel, e não consegue disfarçar. Os detalhes de sua sexualidade em descoberta deixam o filme mais profundo a cada cena, pois Luchito simplesmente admira Manuel e se vê entregue a um sentimento do qual não pode falar, principalmente num contexto político de Santiago do Chile em 1986, sob a ditadura de Pinochet. A cena em que os dois trocam sinais pela luz e Manuel se masturba para o outro é crucial para analisar a completa descoberta, de rapazes que se encontram no mesmo desejo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No curta espanhol &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Androides&lt;/span&gt; (foto), de María Pérez, o encontro não é sexual, como em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blokes&lt;/span&gt;, mas de amizade, dois jovens solitários e excluídos por suas existências, um garoto homossexual, de cabelo vermelho – lembrando David Bowie no álbum Aladdin Sane de 1973 – e uma garota deficiente física se encontram num objetivo comum de fazer contato com alienígenas. O que a princípio é apenas um desejo juvenil utópico, se mostra mais do que isso, é um desejo de se encontrar, de se sentir parte de algo, já que a sociedade, demonstrada principalmente pelos pais do garoto, Simon, é excludente e preconceituosa. Na narrativa, há diversas cenas que mostram os contrastes entre Simon e seu irmão, que o diminui, como a primeira em que o garoto faz xixi sentado e o irmão entra no banheiro xingando-o. Os amigos não procuram de fato alienígenas, eles procuram espaço, procuram compreensão e identificação, porque para a sociedade eles já são os alienígenas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No francês &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Dans nos veines&lt;/span&gt;, de Guillaume Senez, a história é outra, a relação entre pai e filho, diante de uma precoce gravidez. O menino Lionel de 17 anos precisa assumir uma posição de pai, pois sua namorada está grávida, mas a presença do seu pai e a postura dele diante da criação dele e de seu irmão lhe fazem negar a paternidade, pois ele não sabe o que é ser pai, e sua referência é negativa e ele não a quer transpor de maneira alguma. Durante o filme, se pode observar um menino que precisa deixar de ser menino para assumir responsabilidades, mas não consegue, ainda joga Playstation, ainda briga com o irmão mais novo, ainda faz farras e chega em casa levado pela polícia. Esse menino não pode ser pai, mas precisa encontrar o pai que terá que ser dentro de si. A cena final em que diz para a namorada: "pegue-o de volta, eu não quero machucá-lo" diz muito sobre sua relação com seu pai, e o pai que pretende ser.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fechando o programa, e falando de jovens pais e filhos, o francês &lt;span style="font-style:italic;"&gt;En suspension&lt;/span&gt;, de Fanny dal Magro, narrando a luta de uma jovem mãe para criar sua filha, atendendo aos seus desejos e impondo autoridade. É uma história sobre a dificuldade da mãe solteira que precisa de emprego, de estrutura, mas também de amor. No filme, a menina Manon muitas vezes não entende a mãe e cobra dela diversas coisas. Ao mesmo tempo, a mãe quer prover a filha, mas se vê presa às suas condições. Há uma cena muito bonita e delicada que representa o sentido do filme, que é o amor maternal, mãe e filha estão na praia e a menina não quer ir pro mar, a mãe vai sem dizer nada, mergulha e desaparece. O olhar vazio da filha nesse momento deixa o espectador em suspensão, mas a mãe retorna e a filha corresponde ao carinho que só a mãe pode lhe dar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-6077110946018029232?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/6077110946018029232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-6-caro-diario.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6077110946018029232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6077110946018029232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-6-caro-diario.html' title='Internacional 6 - Caro Diário'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaVd9mPj2I/AAAAAAAAAPk/e7Ct5AOGITc/s72-c/Foto_Androides_3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-981012816742522355</id><published>2010-11-18T18:15:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T07:26:11.800-08:00</updated><title type='text'>Brasil 4 - Fazendo Contato</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaW9q9pFXI/AAAAAAAAAPs/HsUju3RF7_E/s1600/foto_tinho4.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 210px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaW9q9pFXI/AAAAAAAAAPs/HsUju3RF7_E/s320/foto_tinho4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541282377774994802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nathalia Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco curtas compõem o bloco de filmes brasileiros &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Fazendo Contato&lt;/span&gt;, que estreou na última quarta-feira (17), no São Luiz.  A necessidade do encontro e de busca por respostas, pela alegria e pela beleza foi tocada nesse programa, aberto por &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Canoa Quebrada&lt;/span&gt; (2009), de Guile Martins. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme é essencialmente pessoal, porque expõe momentos de intimidade do próprio diretor na viagem que ele fez para encontrar o pai desconhecido. A princípio, o público acompanha a conversa de Guile com o avô, explicando que o pai teria se tornado pastor evangélico, e, a partir dessa cena, se constrói a imagem de como a paternidade teria sido algo vago na história do cineasta.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, as imagens de Guile, trancado num quarto de hotel antes do encontro com o pastor, mostram certos rituais de incorporação e de união de forças para o encontro. A presença da câmera nesse momento - extremamente íntimo - é interessante, pois a atuação diante dela é inevitável. Ele sabe que não está só a partir do momento em que a câmera é ligada e, talvez por isso, não tenha tido coragem de filmar o encontro com o pai. A falta de imagens desse contato acabou por fazer sentido, pois a figura paterna ali era algo bastante incompleto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O baiano &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Náufragos&lt;/span&gt; (Gabriela Amaral e Matheus Rocha, 2010) também fala sobre ausência. Nele, Odete (Haydil Linhares) é uma velhinha que vive solitária em um apartamento antigo e sofre com a saudade do marido. Por causa de tanta falta, ela chega a vê-lo por um momento e, quando ele desaparece, se convence a pescá-lo embaixo da cama. O que consegue, entretanto, é resgatar um baú de recordações. Esse contato com as memórias emociona pela sinceridade transmitida por Haydil, e é um dos momentos mais belos do filme. No debate posterior à sessão, Gabriela Amaral explicou que a alma do curta, para os realizadores, está na contraposição entre o peso dos significados da morte e a leveza de sua inevitabilidade. A exibição de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Náufragos &lt;/span&gt;no Janela não deixa de ser uma homenagem a Haydil Linhares, que faleceu antes de vê-lo pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro curta do programa que se baseia na simplicidade é o também baiano &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Carreto &lt;/span&gt; (foto) (Marília Hughes e Cláudio Marques, 2009). Duas crianças se tornam amigas e um suaviza a necessidade – física ou afetiva – do outro. A história narrada antes da visão do filme não é nada inédita, mas a maneira como as cenas são construídas cativam o espectador pela grande força afetiva expressada pelos gestos dos meninos, mais do que por suas poucas palavras.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que destoa dos ares de leveza presentes nos filmes da sessão é o cearense &lt;span style="font-style:italic;"&gt;As Corujas&lt;/span&gt; (Fred Benevides, 2009). A começar pelo verde sombrio que permanece na tela até o fim do curta, adaptação do conto homônimo de Moreira Campos. A atmosfera macabra envolve um homem que se dedica obsessivamente a proteger os mortos das corujas, que lhes arrancariam os olhos. Benevides se apóia no suspense para prender a atenção do público, e os movimentos da câmera passam a impressão de que o espectador está presente no lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sessão termina após &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O mundo é belo&lt;/span&gt; (2010), que é o resultado de uma experiência com sentimentos bastante subjetivos, vividos pelo diretor, Luiz Pretti. A mensagem de seria melhor se encarássemos a rotina com mais tranqüilidade pode ter sido passada, mas a empolgação sentida pelo diretor ao filmar o céu não parece ter cativado tanto os espectadores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-981012816742522355?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/981012816742522355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-4-fazendo-contato_18.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/981012816742522355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/981012816742522355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-4-fazendo-contato_18.html' title='Brasil 4 - Fazendo Contato'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaW9q9pFXI/AAAAAAAAAPs/HsUju3RF7_E/s72-c/foto_tinho4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-6145007536845370604</id><published>2010-11-18T18:09:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T07:29:25.478-08:00</updated><title type='text'>Brasil 4 – Fazendo Contato</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaXnr5IUxI/AAAAAAAAAP0/lkOptShrNZQ/s1600/still%2Bcanoa%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaXnr5IUxI/AAAAAAAAAP0/lkOptShrNZQ/s320/still%2Bcanoa%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541283099579011858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Márcio M. Andrade &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estabelecer contato prescinde de disposição de um para relacionar-se com algo ou alguém externo a ele, seja concreto ou sobrenatural. O programa 4 da Mostra Competitiva Nacional mostra a fluência dos diversos tipos de comunicação que pode se estabelecer com esse exterior.&lt;br /&gt;          &lt;br /&gt;Iniciando este ciclo, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Canoa Quebrada&lt;/span&gt;  (foto) (Guile Martins, 2009) traz o diretor em uma jornada em busca de seu pai, a quem nunca conheceu: a saída de casa, a viagem, a preparação do corpo e da alma no hotel. No momento-chave do longa – o primeiro encontro –, não ocorre uma epifania melodramática, mas uma evanescência natural diante do que o espectador (não) vê: o contato se realiza através da voz, emergindo essa figura paterna somente na imaginação. De maneira habilidosa, o diretor constrói um universo masculino destituído do ranço pelo abandono, mas com desprendimento com a possível seriedade que esta questão normalmente requer.&lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;Em contrapartida ao anterior, o curta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Carreto &lt;/span&gt;(Marília Hughes e Cláudio Marques, 2009) propõe um contato através de imagens e não de sons: Tinho trabalha carregando frutas num carrinho de mão e conhece outra criança que, mesmo deficiente, vive a infância que ele não experimenta. Utilizando desenhos, gestos e olhares, o diretor emociona o público com um painel delicado de afeição e confiança que se firma com uma redenção extremamente sutil, e não por algum deus ex machina milagroso.&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;De relacionamentos concretos, parte-se para contatos fundamentados no desconhecido: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;As Corujas&lt;/span&gt; (Fred Benevides, 2009) - baseia-se na literatura de Moreira de Campos para mostrar um homem que, meticulosamente, afasta as corujas do necrotério em que trabalha. Com essa base, o melodrama manifesta-se gradativa e intensamente através da confluência quase mágica de enredo, interpretações, enquadramentos, trilha e efeitos sonoros, fotografia. Todos esses elementos constroem uma ambientação lúgubre que inebria e atenta o espectador para qualquer impressão de mudança, da maneira mais inesperada possível.&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Náufragos &lt;/span&gt;(Gabriela Amaral Almeida e Matheus Rocha, 2010), por sua vez, trata da morte de maneira alegórica e até divertida: Dona Odete tenta de todas as formas reencontrar o esposo que sumiu. Protagonista e diretora compõem um quadro elegante – com imagens ao mesmo tempo ternas e absurdas - onde real e sobrenatural não se excluem, mas se influenciam. Enquanto esmaece ao encontro do seu marido, somente a memória de Dona Odete proporcionará ao público sua eternidade, ao contrário daqueles que se perpetuam através da imagem.&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;Finalizando este ciclo, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Mundo é Belo&lt;/span&gt; (Luiz Pretti, 2010) privilegia a mescla do concreto com o sobrenatural em um universo transcendental: nosso mundo. O tempo parece se dilatar diante dessa presença quase divina através de imagens e sons que traduzem a sensação de abrir os braços diante do eterno e do fugaz.&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;Externo / Interno. Concreto / Sobrenatural. Conceitos que se fundem na construção de uma emoção / reflexão sincera sobre nossas formas de relacionamento com pessoas e obras como estas ou através delas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-6145007536845370604?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/6145007536845370604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-4-fazendo-contato.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6145007536845370604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6145007536845370604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-4-fazendo-contato.html' title='Brasil 4 – Fazendo Contato'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaXnr5IUxI/AAAAAAAAAP0/lkOptShrNZQ/s72-c/still%2Bcanoa%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-1319915099109541316</id><published>2010-11-18T18:03:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T07:33:45.836-08:00</updated><title type='text'>Brasil - Quanto vale um rosto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaYvg5ZeCI/AAAAAAAAAP8/I8nAV4ztpj0/s1600/Barbot.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaYvg5ZeCI/AAAAAAAAAP8/I8nAV4ztpj0/s320/Barbot.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541284333577926690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Thaís Vidal&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"É tão bom ver a cara das pessoas numa tela de cinema, filmadas com tanto interesse". Essa é a descrição mais precisa para o programa &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quanto vale um rosto&lt;/span&gt;, que reuniu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ensaio de Cinema &lt;/span&gt;, de Allan Ribeiro (RJ, 2009), &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Cynthia&lt;/span&gt;, de Marcelo Toledo e Paolo Gregori (SP, 2010) e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Permanências &lt;/span&gt;, de Ricardo Alves Junior (MG, 2010). A primeira exibição do bloco aconteceu ontem, no Cinema São Luiz.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ensaio de Cinema&lt;/span&gt; (foto), a feitura de uma saia é elemento de coesão entre dois homens a quem a janela é um mundo fora deles e a quem as referências ao cinema mundial fazem construir uma obra em que a câmera devagar vai buscar Barbot, um corpo que dança, e se liberta. Dois homens, já mais velhos, ensaiam um filme, ao qual nomeiam Dança de Barbot, como referência a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Dança dos Vampiros&lt;/span&gt; de Roman Polanski (Inglaterra, 1967). Por ser ensaio, não há câmera, mas sim uma interpretação de sua existência, acompanhada pela batida de orixás que é suporte para a interpretação do dançante. É um filme do ensaio de um filme, a busca da profundidade que há além do corpo, dos gestos, unidos ao que se pensa e se diz do movimento, uma profundidade existente além da janela que vê de Santa Tereza o Rio de Janeiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Com &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Cynthia&lt;/span&gt;, Toledo e Gregori trazem a história de uma moça que se diz "dançarina por paixão e manicure por conveniência" e que precisa desperdiçar seu desejo com homens que pagam pelos seus serviços. De dia, manicure, e à noite dançarina numa casa noturna. É interessante ver as olheiras da manicure contrastando com a beleza do rosto e do corpo que dança e atrai olhares masculinos. Um filme sobre um mundo não tão marginal da prostituição, mas também secreto, também sofrido, e que aniquila sonhos. Em uma narrativa leve, o filme mostra a dupla vida e tenta mostrar a busca pelo sonho, que na verdade, termina por não ficar muito clara na narrativa, mas que pode ser percebida se o espectador debruçar um olhar reflexivo sobre as imagens e as falas da moça.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Finalizando a seção, um filme que não poderia ter outro nome, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Permanências&lt;/span&gt;. Na narrativa, tudo permanece, a câmera no mesmo plano por minutos, as pessoas que vivem num velho edifício, os desgastes, as lembranças, os vícios. O que não permanece é o tempo, ele passa e carrega consigo a juventude, as companhias. Olhar cada personagem naquele filme é refletir sobre suas existências e relações com um espaço físico deteriorado, que como afirmou o diretor, é um edifício que existe no centro de Belo Horizonte há trinta anos e representa uma falência do modernismo. Apesar de trazer uma reflexão sobre certo constrangimento do próprio silêncio, ela não é tão clara à primeira vista, e o filme pode enfadar porque os planos demoram mais que o necessário. Em algumas cenas, o espectador praticamente fuma um cigarro inteiro com o personagem e isso pode até ter sentido, mas não fica claro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-1319915099109541316?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/1319915099109541316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-quanto-vale-um-rosto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1319915099109541316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1319915099109541316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-quanto-vale-um-rosto.html' title='Brasil - Quanto vale um rosto'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaYvg5ZeCI/AAAAAAAAAP8/I8nAV4ztpj0/s72-c/Barbot.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-8934830363616054150</id><published>2010-11-17T13:07:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T07:38:36.130-08:00</updated><title type='text'>Internacional  3 – Fazer Backup</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaZ2o8gk2I/AAAAAAAAAQE/Rw1rBCPjZHc/s1600/Dinara%2Bprofil.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaZ2o8gk2I/AAAAAAAAAQE/Rw1rBCPjZHc/s320/Dinara%2Bprofil.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541285555509171042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nathalia Pereira&lt;br /&gt;"O que a memória ama, fica eterno" - Adélia Prado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro programa internacional do Janela, &lt;em&gt;Fazer Backup&lt;/em&gt;, foi exibido ontem (terça-feira, 16) no São Luiz. O tema que costura os quatro curtas do bloco é o apelo às lembranças como exercício de autoconhecimento.  A seleção permite um diálogo muito bem pensado entre os curtas, que talvez possa ter sido prejudicado pela má projeção das legendas em português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrindo a sessão, &lt;em&gt;Ted’s Nest &lt;/em&gt;(Petra Freeman, 2009) é um filme que gera certa agitação no espectador. É como um devaneio, pois existe uma aura de conto de fadas macabro, tudo muito fluido: estética e narrativa. Sua arte é resultado da técnica de desenhar em vidro, maturada por Freeman, e os traços dos cenários são como uma assinatura da autora. A diretora inglesa carregou muito de si ao projeto, que revisita seu imaginário de criança, quando fantasiava que havia um ninho de enguias mágicas perto de onde morava. Um olhar pra trás nos sonhos, ainda presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo curta do programa, &lt;em&gt;Cynthia Ainda Tem as Chaves &lt;/em&gt;(Gonzalo Tobal, 2010), apóia-se no monólogo de uma mulher arruinada após o fim de um relacionamento. Como não consegue seguir em frente sozinha, Cynthia (Maria Villar) passa a sobreviver apenas pelos momentos que permanece escondida no apartamento do homem que ainda ama. O exercício de auto-anulação é refletido pela protagonista quando diz que é preciso muito cuidado para apagar seus rastros do apartamento, ela vive como um parasita da "presença" do outro. A atuação de Villar é um dos pontos fortes do curta, a atriz transmite uma expressão serena a uma alma desesperada, o que faz com que a personagem ganhe ares de loucura contida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;French Courvoisier &lt;/em&gt;(Valérie Mréjen, 2009) (foto) vale o destaque da sessão pela sutileza com que retrata alguns amigos, fisicamente, em torno e uma mesa de jantar e, sentimentalmente, habitando a memória de uma pessoa que já morreu. Após a refeição, todos os assuntos retomam a lembrança do amigo perdido, e as coisas que são ditas provocam sorrisos, constrangimento, tristeza e saudade.  A câmera capta a solidão pertencente aos membros da mesa, que parecem ter seguido caminhos diferentes, após a morte do amigo. A lembrança da pessoa ausente é o laço mais forte entre eles, o morto é o mais presente da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fechar o programa, uma sensível proposta de resgate artístico e histórico. A intenção de &lt;em&gt;Apenas Para Fins Culturais &lt;/em&gt;(Sarah Wood, 2009) é a de registrar, fazendo uso de depoimentos e ilustrações, o que foi perdido do antigo acervo palestino de filmes. O principal questionamento do filme fica explícito logo no início: "Como seria nunca ter visto uma imagem do lugar de onde você é?”. A lembrança dessas imagens se torna especial, pois agrega às características iniciais de cada obra, as particularidades de quem não a esqueceu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-8934830363616054150?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/8934830363616054150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-3-fazer-backup.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8934830363616054150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8934830363616054150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-3-fazer-backup.html' title='Internacional  3 – Fazer Backup'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOaZ2o8gk2I/AAAAAAAAAQE/Rw1rBCPjZHc/s72-c/Dinara%2Bprofil.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-6434618718626164019</id><published>2010-11-17T09:01:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T08:08:57.057-08:00</updated><title type='text'>Brasil 03 – Quanto Vale um Rosto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOag4ttQRGI/AAAAAAAAAQM/LWFjwVwT98s/s1600/Cynthia%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOag4ttQRGI/AAAAAAAAAQM/LWFjwVwT98s/s320/Cynthia%2B1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541293287728497762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Márcio M. Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mensurar um valor específico para se pagar para usar ou simplesmente observar um corpo pode ser considerado tarefa ingrata, mas algo que certamente temos feito com mais freqüência do que imaginamos, como demonstra o Programa 03 desta Mostra Competitiva Nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciando com o curta &lt;em&gt;Ensaio de Cinema &lt;/em&gt;(Allan Ribeiro, 2009), um cotidiano caseiro de dois homens toma fôlego e êxtase quando a criação cinematográfica toma conta daquele ambiente, onde um se permite ser "filmado" e outro vasculha a imagem do outro em um ensaio caloroso em imagens e sensações. Uma bela fotografia que torna estes dois personagens quase palpáveis diante da tela, assim como diálogos que privilegiam a naturalidade de um amor desmedido pelo cinema - com referências a mestres como Antonioni, Bertolucci e Loach. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em contrapartida, encontra-se em &lt;em&gt;Cynthia &lt;/em&gt; (foto) (Marcelo Toledo e Paolo Gregori, 2010) a sucessão dos dias de uma mulher obrigada a estipular um preço para seu próprio corpo, trabalhando como manicure e garota de programa a fim de estudar dança no Japão. Belos ângulos e interpretações naturalistas bem compostas fazem deste curta um retrato doloroso e dramático de um cotidiano que aprisiona e parece cegar aqueles que nele se estagnam, mesmo possuindo o desejo de ir embora. Ao final do curta, em uma cena singular, Cynthia, com seu corpo pintado de branco e usando peruca verde, realiza uma performance para o espectador, demonstrando toda a dor de ser considerada mercadoria barata, objeto sexual. O espectador, então, se surpreende chorando por uma mulher igual a tantas outras, mas que se decompõe diante dele, como um pedido de misericórdia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalizando o programa, &lt;em&gt;Permanências &lt;/em&gt;(Ricardo Alves Junior, 2010) propõe estabelecer relações de semelhança entre as paredes desgastadas de um prédio em Minas Gerais e os rostos degradados de seus habitantes, mas, com o desenvolver do curta, um novo elemento torna-se chave para este relacionamento: a câmera. Considerada intrusa naquele meio, ela parece constranger o olhar de seus objetos de afeto, por parecer "impiedosa" no seu registro de todos os detalhes que percebe. Enquanto os personagens ocultam seus olhares da análise – talvez fria, talvez emocionada – do espectador, este também se constrange de ter pago um ingresso por uma expressão cujo valor é impossível limitar ou definir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com estes três excelentes trabalhos, o programa Quanto Vale um Rosto encerra uma mostra que se equilibra entre o êxtase e a reflexão, que dilui emocionalmente seu espectador tão anestesiado pelo consumismo e culto corporal do dia-a-dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-6434618718626164019?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/6434618718626164019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-03-quanto-vale-um-rosto.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6434618718626164019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6434618718626164019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-03-quanto-vale-um-rosto.html' title='Brasil 03 – Quanto Vale um Rosto'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOag4ttQRGI/AAAAAAAAAQM/LWFjwVwT98s/s72-c/Cynthia%2B1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-6520022347449383112</id><published>2010-11-17T08:56:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T08:11:46.794-08:00</updated><title type='text'>Internacional 3 - Fazer Backup</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOahd9eqWCI/AAAAAAAAAQU/iSexo44_KZ0/s1600/fcpolumierejerusalem2_0.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 184px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOahd9eqWCI/AAAAAAAAAQU/iSexo44_KZ0/s320/fcpolumierejerusalem2_0.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541293927617419298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;André Valença&lt;br /&gt;Rememorando, relendo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa Internacional 2 (ou Fazer Backup) exibiu quatro filmes bem distintos esteticamente, mas que mantinham certa coesão temática. A seleção variou entre estilos mais surreais e outros mais "palpáveis". A sessão teve início com &lt;em&gt;Tad’s Nest &lt;/em&gt;(Petra Freeman, Inglaterra, 2010). &lt;em&gt;Tad’s Nest&lt;/em&gt;, diz a sinopse, "é onde as enguias se tornam adultas antes de serem chamadas a voltar usando apenas e memória das sensações para guiá-las". O filme, bela animação feita em pintura sobre vidro, sugere uma revisitação da memória através da metáfora do desenvolvimento das enguias. A impressão que pode ficar, entretanto, é de um ensaio darwiniano, pois as criaturas humanóides de &lt;em&gt;Tad’s Nest &lt;/em&gt;sempre se deparam com outras maiores, por quem estão sendo sempre engolidas, física ou metaforicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo curta exibido se chama &lt;em&gt;Cynthia Ainda Tem as Chaves &lt;/em&gt;(Gonzalo Tobal, Argentina, 2010) e prova que a Argentina continua produzindo um cinema se não bom, regular. O filme segue a mente desvairada de Cynthia, que ainda guarda consigo a chave para a casa de seu ex-namorado, por quem continua apaixonada. Ela visita sua residência todos os dias a fim de sentir sua presença. Com um roteiro bem desenvolvido, pensando em todos os desdobramentos que o argumento pode sugerir, o filme talha o resultado sombrio do fim de uma relação e a paranóia humana de necessitar ser amado. A atriz Maria Villar fica na corda bamba, mas, por fim, consegue atender à expectativa do papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subindo na escala de "palpabilidade", chegamos ao sóbrio &lt;em&gt;French Courvoisier &lt;/em&gt;(Valéria Mréjen, França, 2009). O texto inteligente e elegante, que lembraria um Woody Allen melancólico, descreve um grupo de amigos à mesa de jantar que relembra um amigo. A conversa progride naturalmente nas bocas de um elenco jovem e muito bem integrado. As informações das entrelinhas são tão bem estruturadas (mas também sutis), que qualquer espectador capta os sentidos mais obscuros. &lt;em&gt;French Courvoi&lt;/em&gt;sier é um filme capaz de ser apreciado por todos; um pequeno drama sem melodramas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Apenas Para Fins Culturais &lt;/em&gt; (foto) (Sarah Wood, UK, 2009) encerra a seleção com uma reflexão inerente à modernidade: "numa época dominada pela imagem em movimento, como seria nunca ter visto uma imagem do lugar de onde você é?". A partir daí, Sarah Wood destrincha a relevância do cinema para a cultura de um povo quando faz resenhas sobre – e desenhos representativos de – filmes etnográficos palestinos. Muitos deles, pertencentes ao acervo de filmes da Palestina, se perderam durante o Cerco de Beirute, uma investida israelita no Líbano. O filme não só tem a função de rememorar essas obras, como o título da seleção (Fazer Backup) sugere, mas também fazer-lhe uma releitura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-6520022347449383112?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/6520022347449383112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacinal-3-fazer-backup.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6520022347449383112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6520022347449383112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacinal-3-fazer-backup.html' title='Internacional 3 - Fazer Backup'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOahd9eqWCI/AAAAAAAAAQU/iSexo44_KZ0/s72-c/fcpolumierejerusalem2_0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-2910791264181612526</id><published>2010-11-17T08:42:00.001-08:00</published><updated>2010-11-19T08:16:39.490-08:00</updated><title type='text'>Brasil 5 - Imagens do Futuro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOainDiTFGI/AAAAAAAAAQc/_6JFXQZEVss/s1600/PB%2BStill%2B02.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOainDiTFGI/AAAAAAAAAQc/_6JFXQZEVss/s320/PB%2BStill%2B02.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541295183373735010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;André Valença&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil lá de fora e o lá de fora daqui&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A provável unidade da seleção de curtas-metragens Brasil 5 (ou Imagens do Futuro) se deu, curioso e paradoxalmente, à sua internacionalização (ou universalização, se convir mais). Infelizmente, apenas quatro filmes e meio foram exibidos na sessão realizada no São Luiz. Enquanto todos os outros filmes tiveram uma projeção bem sucedida, o curta de Antônio Castro, &lt;em&gt;Viagem a Marte &lt;/em&gt;(2010), foi interrompido no meio por problemas técnicos. Possivelmente, o filme viria a reforçar uma das melhores seleções brasileiras até agora exibidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sessão começou com o retalhado &lt;em&gt;Pacífico &lt;/em&gt;(Jonathas Andrade, 2010). Cenas em stop-motion com modelos de papel revelam formações rochosas sendo formadas (ou deformadas?), rios alterando espaços, ventos soprando sobre o planeta, tudo numa rapidez que deixa na dúvida se se tratam das alterações naturais da Terra em alta velocidade, ou de alguma calamidade natural. Em seguida, passamos os olhos pela história do Chile, os tormentos e êxitos de um país historicamente perturbado. Essas conquistas e retrocessos são o caminho natural da humanidade, ou a intervenção humana compromete um curso mais fluente? "Estamos acostumados ao sismo, mas não ao terremoto", a voz de uma chilena declara em off. Descobrimos através desta e de outras que o filme trata da ressaca do terremoto que ocorreu no Chile. Só do terremoto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, um filme necessário. &lt;em&gt;De Volta ao Quarto 666 &lt;/em&gt;(Gustavo Spolidoro, 2010) põe Wim Wenders no quarto onde ele gravou&lt;em&gt; Quarto 666 &lt;/em&gt;(1982), documentário onde, cada um por vez, vários diretores de cinema do mundo são postos no tal quarto de hotel, em Cannes, para responder à pergunta: "qual o futuro do cinema?". Algumas respostas "apocalíticas" demonstravam um temor do fim do cinema. Contudo, tais hipóteses se tornaram infundadas, como Wenders tenta explicar, enquanto sobreposições de imagens do filme de 1982 dialogam com seu discurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, entra mais uma inovação de Gabriel Mascaro. O diretor pernambucano de &lt;em&gt;Um Lugar ao Sol&lt;/em&gt; (2009) e &lt;em&gt;Avenida Brasília Formosa &lt;/em&gt;(2010) concebeu &lt;em&gt;As Aventuras de Paulo Bruscky &lt;/em&gt;(2009) (foto), um filme realizado inteiramente no Second Life, plataforma mundialmente conhecida de relacionamento virtual constituída por avatares dos internautas, que passeiam por uma versão onírica do mundo pragmático. No filme, um "cinegrafista" de eventos do Second Life chamado (também) Gabriel Mascaro e o artista Paulo Bruscky gravam um suposto documentário no jogo. O filme não só está repleto de uma metalinguagem um tanto particular, como também abre as portas para uma concepção muito mais "real" do mundo virtual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último filme a ser exibido por completo foi o &lt;em&gt;Haruo Ohara &lt;/em&gt;(Rodrigo Grota, 2010). Nada como uma fotografia suave e bem composta – realizada em digital, não se surpreendam! – para fazer jus às fotos tiradas por Haruo Ohara, fotógrafo japonês que morou dezenas de anos numa área rural do Paraná. O filme não se trata, contudo, de um documentário, mas de uma reconstrução com atores dos momentos quando as fotos foram tiradas. A sensibilidade estética e o respeito pelo artista permeiam essa obra deslumbrante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-2910791264181612526?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/2910791264181612526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-5-imagens-do-futuro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2910791264181612526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2910791264181612526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-5-imagens-do-futuro.html' title='Brasil 5 - Imagens do Futuro'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOainDiTFGI/AAAAAAAAAQc/_6JFXQZEVss/s72-c/PB%2BStill%2B02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-5018884998664358510</id><published>2010-11-16T12:02:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T08:19:23.959-08:00</updated><title type='text'>Brasil - Guiados por Vozes</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOajdszcgGI/AAAAAAAAAQk/tAan4fng3mA/s1600/AVE%2B%2528110%2529.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOajdszcgGI/AAAAAAAAAQk/tAan4fng3mA/s320/AVE%2B%2528110%2529.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541296122164445282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Thais Vidal&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O cinema nacional entrou em cena mais uma vez ontem com quatro curtas no programa &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Guiados por vozes&lt;/span&gt;. Abrindo a seção, o carioca &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Áurea&lt;/span&gt;, de Zeca Ferreira, que traz um panorama sensível sobre músicos da noite, numa espécie de docu-ficção contando a história de Áurea Martins, cantora de casas noturnas do Rio de Janeiro. A partir de depoimentos dela e de alguns companheiros intercalados com cenas da noite e diálogos criados, o diretor traça uma visão triste de quem vive de música, mas não é realmente reconhecido.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dando continuidade à temática, mas não escapando de uma visão comum, presente no cinema brasileiro, de meninos negros da favela, o também carioca &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Raz&lt;/span&gt;, de André Lavaquial, traz à cena o rap e contextualiza a música como ponte para um transe espiritual. O filme não parece trazer nada de novo, mas o interessante é a transposição da ideia do diretor, originalmente de um episódio em Paris, para as ruas do Rio de Janeiro, com personagens e vivências do Brasil.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ave Maria ou mãe dos sertanejos&lt;/span&gt; (foto), a estética e a temática não seguem a linha anterior. Com o filme baseado na montagem de imagens do sertão, e em cortes de cenas que não apresentam uma linearidade, o pernambucano Camilo Cavalcante, sugere a ideia de que a religião é a força do sertanejo. Apesar da belíssima fotografia do filme, a ligação entre as imagens não é linear, e o espectador pode deparar-se com uma série de imagens, representações de lugares-comuns do Sertão, que são estereotipados em cenas que remetem a uma ideia padrão da vida do sertanejo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O filme que fechou a noite foi &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A amiga americana&lt;/span&gt;, de Ivo Lopes e Ricardo Pretti, que é leve, engraçado, mas que não encanta muito. A linha de raciocínio do filme vai da chegada de uma californiana, que se chama Paris, a Fortaleza ao desenvolvimento de uma amizade. Entretanto, a temática da amizade é tratada muito superficialmente, e algumas falhas como o fato de uma americana e uma brasileira se entenderem mesmo sem falarem a mesma língua, deixam o filme estranho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Apesar de esse aspecto soar como intencional para sugerir que o entendimento entre duas pessoas é mais que a linguagem, o mecanismo não foi bem aplicado, porque em alguns momentos parece que elas sabem o que a outra fala, mesmo que uma só fale português e a outra inglês. Mas o final é o ponto que de fato destoa da linha, pois a cearense Thais parece só despertar dois anos depois para a partida de Paris, e demonstra isso tocando &lt;span style="font-style:italic;"&gt;De repente, Califórnia&lt;/span&gt; de Lulu Santos: nada surpreendente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-5018884998664358510?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/5018884998664358510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-guiados-por-vozes.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5018884998664358510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5018884998664358510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-guiados-por-vozes.html' title='Brasil - Guiados por Vozes'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOajdszcgGI/AAAAAAAAAQk/tAan4fng3mA/s72-c/AVE%2B%2528110%2529.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-3355234374491464819</id><published>2010-11-16T11:54:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T08:22:12.066-08:00</updated><title type='text'>Brasil 06 - Estamos Todos Juntos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOakIdvvW0I/AAAAAAAAAQs/4qM2lJiX3TE/s1600/Querida%2BM%25C3%25A3e.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOakIdvvW0I/AAAAAAAAAQs/4qM2lJiX3TE/s320/Querida%2BM%25C3%25A3e.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541296856856746818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Márcio M. Andrade&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;Refletindo sobre laços familiares feitos ou desfeitos, o programa incluiu curtas que empregavam diversas técnicas a fim de trazer à tona sentimentos como saudade, compreensão e até humor. Todos eles, conectados de alguma forma à relação da infância com o protótipo de mundo que encontra no seu lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ensolarado &lt;/span&gt;(Ricardo Tagino, 2010), o primeiro curta da noite, versa sobre a trajetória de uma menina que mora no sertão castigado pelo sol, cujo desejo de fugir para um lugar diferente e a descoberta de uma forma de fazê-lo procuram ocultar o que está mais evidente na narrativa: a saudade que se seguirá após a partida da menina para outro lugar. O trabalho com não-atores traz um frescor e uma veracidade imensa ao curta, ao contrário do emprego das cores desbotadas e dos close-ups extremos, que oferecem, paradoxalmente, uma textura árida que enfatiza o discurso da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo curta-metragem – &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Avós &lt;/span&gt;(Michael Wahrmann, 2009), que já havia sido exibido na noite de abertura – trata das relações entre um neto e seus avós: um olhar carinhoso e compreensivo sobre aquelas pessoas que parecem tão confiantes e tão frágeis ao mesmo tempo. Uma direção forte sem ser invasiva e um roteiro que toca pela sutileza com que aborda um relacionamento distanciado no tempo, mas não na presença física. Enquanto que, na abertura, seu foco pudesse ser a relação de amor com o cinema e a possibilidade de olhar para si mesmo, quando o vemos neste programa, privilegia a observação das relações de afeto que existem naquela casa, ainda que veladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da melancolia do curta anterior, parte-se para a descontração do registro de um dia de brincadeiras em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Perto de Casa&lt;/span&gt; (Sérgio Borges, 2009) -, onde podemos observar a espontaneidade da criança, que vê naquele monte de areia a infinitude do universo e muito mais: um modo de lidar com as surpresas que encontramos e os desafios que propomos a nós mesmos, mesmo que seja somente brincar pelado. Um trabalho que seria facilmente encontrado em sites como Youtube, mas que ganha neste programa um status de arte do cotidiano, de liberdade criativa nos momentos prosaicos.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Retornando a um painel mais dramático das relações familiares, o público se emocionou com um curta sobre uma saudade de quem não se conhece, sobre uma tentativa de idealizar para si uma mãe, a partir de um punhado de cartas. Assim se pode definir o trabalho da criadora de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Querida Mãe &lt;/span&gt;(Patrícia Cornils, 2009) (foto), um registro audiovisual da busca engendrada por ela pela história de sua mãe, Zélia Maria. Mesmo que, de início, caminhe um pouco confuso – pela construção pouco fluente entre leituras de cartas e depoimentos -, o espectador acompanha sua jornada até um momento-chave, quando a diretora chora durante a locução de uma das cartas e acontece uma empatia imediata: a descoberta de uma vida anterior a si mesmo e a possibilidade de compreender seu lugar no mundo tocam profundamente o público presente.&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;Finalizando a noite com uma animação que emprega a técnica de rotoscopia, o curta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Balanços e Milkshakes&lt;/span&gt; (Erick Ricco e Fernando Mendes, 2009) oferece ao espectador uma história terna que exibe o desabrochar de um relacionamento entre duas crianças. O diretor consegue ir além do que as imagens lhe propõem e, se, em alguns momentos, a narração parece confusa e redundante, é por que ela deseja conduzir seu público pela construção daquela poética infantil da maneira mais clara possível.&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;Ainda que pareça ter sido pensado na idéia dos núcleos de parentesco, esta mostra parece unir todas as histórias destes curtas em uma única sensação: a de pertencimento a um universo comum, onde todos nós - crianças, avós, mães, pais, irmãos, amigos, parentes distantes etc – estamos juntos na construção de uma vida que estende além de nossa passagem pela Terra, conectando-se com toda a história da humanidade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-3355234374491464819?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/3355234374491464819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-06-estamos-todos-juntos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3355234374491464819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3355234374491464819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-06-estamos-todos-juntos.html' title='Brasil 06 - Estamos Todos Juntos'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOakIdvvW0I/AAAAAAAAAQs/4qM2lJiX3TE/s72-c/Querida%2BM%25C3%25A3e.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-8342354067843466860</id><published>2010-11-16T11:46:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T08:26:40.688-08:00</updated><title type='text'>Internacional 05 - Estados Alterados</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOalFvZJQmI/AAAAAAAAAQ0/0Rfu0DSQeOU/s1600/floating%2Bhead.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOalFvZJQmI/AAAAAAAAAQ0/0Rfu0DSQeOU/s320/floating%2Bhead.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541297909565833826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Márcio M. Andrade&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quando se fala em alteração de estados, pode se pensar em estados físicos – sólido, líquido e gasoso -, o que também pode ser pensado em estados emocionais, quando pensamos estar mais firmes ou alucinados de acordo com o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sensação de estranhamento permeia o primeiro curta do programa -&lt;span style="font-style:italic;"&gt; A history of mutual respect&lt;/span&gt; (Gabriel Arantes e Daniel Schmidt, 2010) conduz o espectador por uma história onde o desrespeito não se esconde através de atitudes polidas e falsas, mas emerge das relações de suserania e vassalagem que os personagens exercem. A ironia e o paradoxo constituem um ponto-chave do roteiro através de diálogos ao mesmo tempo filosóficos e preconceituosos, fortalecidos por meio de imagens inquietantes e belas – como a perseguição do homem branco nu à nativa desprotegida pela floresta na tentativa de miscigenar e perpetuar sua raça naquele lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propondo um olhar mais absurdo e cômico sobre as sensações, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Floating Head&lt;/span&gt; (foto) (Ben Dickinson, 2010) flerta com os filmes fantásticos trash utilizando efeitos especiais toscos para trazer à tona diferentes relações que possuímos com o desconhecido: medo, rejeição, falta, anseio, amor, aceitação. Tudo isso demonstrado da maneira mais esdrúxula e divertida possível, ainda que de maneira rasa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indo na direção oposta ao trabalho anterior, ao criar uma mitologia muito simbólica e hermética para lidar com sentimentos como perda e morte, o curta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;If there be thorns&lt;/span&gt; (Michael Robinson, 2009) não consegue uma comunicação ampla com o espectador por centrar-se em um universo extremamente denso e intrincado. Uma obra para se ver uma vez para ser sentida, mas para se rever para ser compreendida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao ar debochado, a paródia dos filmes trash, o curta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Health – We Are Water &lt;/span&gt;(Eric Wareheim, 2010) mescla linguagem de HQs e clichês do filme de horror – em slow motion, uma garota corre por uma floresta, sendo perseguida por um assassino –, mas propondo uma distorção que o eleva ao escracho total dos slash movies. Uma montanha russa de emoções - do medo ao riso – cujo único propósito é divertir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua vez, a narrativa linear de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Jesusito de mi vida&lt;/span&gt; (Jesus Perez-Miranda,  2009) expõe a relação de uma criança com a religião: pouco antes de dormir, um menino sente vontade de ir ao banheiro, mas, por ter medo do escuro, reza a Jesus para que Ele tire sua vontade de urinar. Enredo, direção e interpretação coesos e sutis em uma obra mais esquecível do que tocante.&lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;Caminhando na contramão dos trabalhos anteriores, com a técnica de animação impressionante, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Dot &lt;/span&gt;(Sumo Science, 2010) lança seu espectador em êxtase para um mundo de aventuras que acontece num cesto de novelos, agulhas e retalhos, gerando um retrato alucinante e imaginativo das possibilidades infinitas da arte cinematográfica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Propondo um olhar mais reflexivo e empregando belamente uma fotografia em preto e branco e elementos de teatro de formas animadas, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;El Paraiso de Lili&lt;/span&gt; (Melina Leon, 2009) tem como protagonista uma garota que começa a se revoltar com "sistema" que governa o Peru de 1988. Singelo e sincero, ainda que pareça um curta perdido, quando se pensa na temática do programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalizando a mostra internacional, o curta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Fear Thy Not&lt;/span&gt; (Sophie Sherman, 2010) mostra o percurso de uma mão que guia seu corpo rumo ao desconhecido, cantando uma música como se fosse uma âncora de segurança em meio à escuridão. Um cinema que trata de sensações quase táteis, ainda que pouco desenvolvido.&lt;br /&gt;          &lt;br /&gt;A alteração dos estados emocionais proposta pelo programa parece ir além das temáticas das histórias que estão sendo contadas, mas permear a experiência cinematográfica do público daquela noite, que se percebia com uma variedade de sensações – riso, tristeza, medo, reflexão, êxtase etc – em poucos minutos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-8342354067843466860?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/8342354067843466860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-05-estados-alterados.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8342354067843466860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8342354067843466860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-05-estados-alterados.html' title='Internacional 05 - Estados Alterados'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOalFvZJQmI/AAAAAAAAAQ0/0Rfu0DSQeOU/s72-c/floating%2Bhead.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-6920164573865902441</id><published>2010-11-16T11:39:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T08:33:03.306-08:00</updated><title type='text'>Internacional 01 - Intervenções</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOamp5ejuMI/AAAAAAAAAQ8/kLiei878C6M/s1600/01.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOamp5ejuMI/AAAAAAAAAQ8/kLiei878C6M/s320/01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541299630259812546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nathalia Pereira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É complicado imaginar um filme que não trate de intervenções. Em todos os programas do Janela Internacional de Cinema desse ano podemos encontrar curtas que a abrangem, entretanto, existe uma sessão dedicada exclusivamente ao tema. Dessa forma, a impressão que fica após a exibição dos filmes é que as obras expostas no programa são bastante heterogêneas e que, entre os blocos de filmes apresentados pelo Festival, até agora, são as que têm elo menos nítido entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos sete curtas pertencentes ao Intervenções, o italiano &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Big Bang Big Boom&lt;/span&gt; (Blu, 2010), certamente foi o mais aclamado pelos espectadores presentes no Cinema da Fundação. A animação em stop motion revela o olhar do diretor sobre o impulso inicial de vida na Terra e as prováveis motivações de seu futuro desaparecimento.  A construção dos argumentos de Blu é feita não somente por meio de dezenas de pinturas em paredes – como vinha sendo a tendência estética predominante nos vídeos do diretor -, mas também pelo uso de objetos comuns, como baldes e garrafas plásticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;História de cão&lt;/span&gt; (2010), o franco-armeno Serge Avédikian resume na narração de um fato real o que queria dizer sobre a tendência humana a decidir-se por soluções brutas e irracionais para problemas que só existem em sua cabeça. Com cores fortes e poucas palavras, além dos efeitos sonoros agonizantes, a animação mostra como milhares de cães habitantes das ruas de Constantinopla, sentenciados como ferozes, foram capturados e isolados, sem alimentação, numa ilha há cem anos. O curta é valioso pelo registro de uma história perdida no tempo e pelo leque de reflexões que proporciona. Assim como em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Big Bang Big Boom&lt;/span&gt;, o espaço para a crítica à violência humana é o maior ponto de impacto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Shoum &lt;/span&gt;(Katarina Zdjelar, 2010) é o mais cativante do bloco, mesmo apoiando-se, basicamente, na imagem fixa de uma mão que escreve. Trata-se de um homem iletrado, com unhas sujas e mãos calejadas que tenta repassar para o papel a letra da canção &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Shout&lt;/span&gt;, ou como o protagonista sem rosto entende: 'Shoum'. O fruto das horas de trabalho dedicadas à redação de palavras abstratas depois é repassado a um discípulo, assim como numa tradição. Se o espectador for inclinado a interpretações, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Shoum &lt;/span&gt;pode remeter ao repasse cego de informações que vão perdendo seu real sentido ao longo do tempo. No final desse telefone sem fio, o resultado é digno de risos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lituano &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sincronização &lt;/span&gt;(2009) contrasta peso e leveza quando permite que construções  remanescentes da União Soviética flutuem nos arredores de um parquinho infantil. Apesar do absurdo presente nessas situações, a rotina da cidade permanece intacta. Também em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A progressão dos insurgentes&lt;/span&gt; (Sylvie Zijlmans e Hewald Jongenelis, 2009), o nonsense se faz a partir do cotidiano, num passeio entre pai e filho, aficionados por sobreposições de roupas e objetos. O curta surrealista foi pensado para o Projeto All Suits.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Cidade Turbinada 3D&lt;/span&gt; (foto) (Keiichi Matsuda, 2010) expõe, a partir do design típico do meio virtual, a presença já arraigada da tecnologia digital na rotina humana. A falta dos óculos de visualização em 3D ressalta a desordem agregada a esse excesso de informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trajeto linear da câmera entre salas, quartos e cozinhas de moradores de um edifício na Índia revela diferentes momentos, segredos e realidades em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Feitiço &lt;/span&gt;(Umesh Vinayak Kulkarni, 2009).  A visita da câmera, invisível aos moradores, quase não presencia diálogos. Aliás, a conversa escassa foi uma tendência marcante em todos os filmes do programa Intervenções. O entendimento nesse caso foi conquistado a partir do casamento entre efeitos visuais e sonoros muito bem sucedido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-6920164573865902441?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/6920164573865902441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-01-intervencoes_4028.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6920164573865902441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6920164573865902441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-01-intervencoes_4028.html' title='Internacional 01 - Intervenções'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOamp5ejuMI/AAAAAAAAAQ8/kLiei878C6M/s72-c/01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-1152909290363063516</id><published>2010-11-16T11:33:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T08:42:04.868-08:00</updated><title type='text'>Brasil - Salvar Arquivo Vol. 2</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOan7GQALFI/AAAAAAAAARE/xvapCCNMxic/s1600/supermemorias_03.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 233px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOan7GQALFI/AAAAAAAAARE/xvapCCNMxic/s320/supermemorias_03.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541301025257827410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ingrid Melo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas findas ficarão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinema mudo, nascimentos, viagens, romances. A primeira sessão de curtas nacionais do III Janela Internacional de Cinema lançou um olhar sobre a memória registrada através de imagens. E, dentre os quatro filmes apresentados, o destaque ficou por conta do irônico &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Fantasmas&lt;/span&gt;, do diretor mineiro André Novais, que, ao contrário do que esperamos, propõe a captura de algo justamente para esquecê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curta brinca com a estética de filmes de arte e leva o espectador a passar cerca de dez minutos olhando para determinada esquina em uma rua, sem que isso faça sentido. Em off, as vozes dos dois atores conversando sobre coisas triviais, como uma partida de futebol e um empréstimo de dinheiro. O filme acena que vai limitar-se à jocosidade, todavia, nos últimos minutos, a explicação para o enquadramento da câmera acrescenta ainda mais originalidade a ele e justifica sua escolha para a sessão. Assim, compreendemos que os fantasmas citados no título vão bem além dos personagens que a plateia não enxerga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inovação no trato da imagem, contudo, não se restringiu ao filme de Novais. O curta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Aeroporto&lt;/span&gt;, do recifense Marcelo Pedroso, mostra como o que seria descartado pode contar uma história. No filme, o diretor utiliza fotografias de viagens de anônimos para refletir acerca da facilidade de documentação oriunda dos avanços tecnológicos e não se limita aos registros perfeitos. Em seu curta, há espaço também para as imagens sem foco ou com problemas de enquadramento. Vale ressaltar, entretanto, a semelhança com &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Pacific&lt;/span&gt;, produzido por Pedroso no ano passado. Apesar da escolha por fotografias em detrimento aos vídeos usados no longa, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Aeroporto&lt;/span&gt; é outra boa execução de uma mesma ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro filme que se aproxima dessa linha é o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Supermemórias&lt;/span&gt; (foto), de Danilo Carvalho. O diretor cearense também se valeu de imagens amadoras para seu curta. Com o diferencial de que o material conseguido por ele não é tão acessível assim. Carvalho reuniu vídeos caseiros de famílias de Fortaleza gravados em Super-8 nas décadas de 70 e 80 e, com uma trilha sonora excelente, conquistou o espectador. O resultado é um filme redondo, de eixo narrativo claro – justificado pelo nascimento do diretor –, repleto de ternura. Prato cheio para os nostálgicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nostalgia também fez parte de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Janela Molhada&lt;/span&gt;, de Marcos Enrique Lopes. O curta, às avessas dos demais, não inova, porém resgata um cinema pernambucano muito rico e pouco abordado pela mídia. O filme fala sobre Ugo Falângola e J. Cambieri, imigrantes italianos pioneiros em cinema no Recife e sobre o processo de restauração e preservação de filmes mudos. Um belo trabalho de montagem e pesquisa, com ênfase para o depoimento de Adriana Falângola e suas lembranças.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-1152909290363063516?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/1152909290363063516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-salvar-arquivo-vol-2.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1152909290363063516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1152909290363063516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-salvar-arquivo-vol-2.html' title='Brasil - Salvar Arquivo Vol. 2'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOan7GQALFI/AAAAAAAAARE/xvapCCNMxic/s72-c/supermemorias_03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-8858631701541978017</id><published>2010-11-16T11:28:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T08:46:08.722-08:00</updated><title type='text'>Internacional 01 - Intervenções</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOapqnw5UBI/AAAAAAAAARM/s3EWtM3xNHQ/s1600/tower.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOapqnw5UBI/AAAAAAAAARM/s3EWtM3xNHQ/s320/tower.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541302941219639314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Poliana Dantas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We are the robots (?)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se fosse possível fazer uma trilha sonora que aproximasse e/ou unisse em algum ponto os curtas exibidos na Mostra Internacional 1 – não por acaso intitulado de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Intervenções&lt;/span&gt; –, com certeza as músicas do grupo alemão Kraftwerk estariam no topo da lista. O diálogo entre uma realidade imanente e volátil e um almejado futuro high-tech, e sua influência nas interrelações entre humanos e máquinas, foram bem aplicados em doses lúcidas e diferentes em cada obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desejo tridimensional que se inicia no imaginário da infância, na inspiração provocada pelo universo sci-fi, em que parece ser mais fácil dar vida e nova perspectiva a arquiteturas estáticas e inanimadas. Essa é a sensação despertada pelo curta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Synchronisation &lt;/span&gt; (foto) (Rimas Sakalauskas, 2009); sensação esta vinda de um lugar onde, curiosamente, possui um atraso tecnológico com relação a outros países ocidentais. E seguindo esta linha de equiparação, temos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Chienne D’Histoire&lt;/span&gt;, que conta a história de um recém-empossado governo da cidade de Constantinopla que, querendo conquistar o perfil de sociedade do Ocidente, manda dizimar todos os cães viralatas que rondam as ruas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aí seria mais um roteiro extremamente dramático, não fosse o olhar sagaz do diretor Serge Avédikian em levantar uma questão crucial: a que ponto aceitamos coibir e corromper nossos valores a fim de nos adequarmos ao que é moderno? Essa "supressão" da identidade, no entanto, contrapõe-se ao objetivo do curta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Gaarud&lt;/span&gt; (Umesh Vinayak Kulkarni, 2009) de mostrar que por trás de turbantes e tradições religiosas, existem pessoas entregues às suas solidões existenciais e dispostas a modificarem suas identidades com novas regras, novas informações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para receber o que é novo, é preciso antes de tudo saber interpretar, seja a seu próprio modo ou a do outro. Essa espontaneidade adaptativa é tratada com muito humor em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Shoum&lt;/span&gt; (2009), de Katarina Zdjelar; um filme sobre um homem que tenta transcrever a todo custo uma música do Tears for Fears. A partir daí, o público passeia pelas fronteiras entre o mundo tocável e o virtual como artifício para a fortificação das relações humanas, como se vê em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Augumented City 3D&lt;/span&gt;, de Keiichi Matsuda, uma "tridivisão" da rotina dos relacionamentos, e em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;The Insurrectionists Progression&lt;/span&gt; (Sylvie Zylmans / Hewald Jongelelis, 2009).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como toda busca, toda mediação, proporciona sempre uma conseqüência, nada melhor pra fechar o Programa que o quase apocalíptico &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Big Bang Big Boom&lt;/span&gt;, do cineasta italiano Blu. O ritmo frenético imprimido pela exploração do stop-motion e o sinal de alerta ao final da película gera, de fato, um incômodo perturbante naqueles que pensam que modificar as morfologias naturais visando um futuro melhor é sempre a melhor solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar de intervenções é tão abrangente, mexe de forma considerável em diversos campos da ciência; contudo, todos eles convergem para um único viés: o da (des)evolução e maquinatização dos seres, mesmo que isso implique em paradoxos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-8858631701541978017?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/8858631701541978017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-01-intervencoes_16.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8858631701541978017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8858631701541978017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-01-intervencoes_16.html' title='Internacional 01 - Intervenções'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOapqnw5UBI/AAAAAAAAARM/s3EWtM3xNHQ/s72-c/tower.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-3783890418242428262</id><published>2010-11-15T10:17:00.000-08:00</published><updated>2010-11-15T11:17:33.335-08:00</updated><title type='text'>Internacional 01 - Intervenções</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOGBYCUCKvI/AAAAAAAAAOU/gFRDFYeZGBg/s1600/01.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOGBYCUCKvI/AAAAAAAAAOU/gFRDFYeZGBg/s320/01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539851266580163314" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Yuri Assis&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem provável que os espectadores do programa &lt;em&gt;Intervenções&lt;/em&gt;, primeiro bloco de curtas internacionais da Janela Internacional de Cinema, tenham deixado a sala do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco com mais perguntas que respostas. O absurdo, em alguns momentos, ocupou a tela, talvez para sublinhar nossa intransigência diante do estranhamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curta que abriu o bloco, &lt;em&gt;Synchronisation &lt;/em&gt;(2009), do lituano Rimas Sakalauskas, exibe prédios antigos da era soviética que ganham vida e se deslocam, sem se apoiar num enredo específico. Um esforço de compreensão, todavia, pode entrever nas cenas oníricas uma metáfora sobre o abandono. A trilha sonora complementa os ares surrealistas que contornam a atmosfera do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, a animação &lt;em&gt;Chienne D'Histoire &lt;/em&gt;(2010), do francês Serge Avédikian, aterrissa os olhares para uma realidade mais verossímil. Com o excesso de vira-latas nas ruas, as autoridades de Constantinopla iniciam uma captura aos animais, para em seguida deportá-los para uma ilha distante. Morto o bicho, morto o veneno? E a peçonha, vem de onde mesmo? Fica a dica para quem acha que os males sociais não têm nada com a sociedade em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cenas em 3D de &lt;em&gt;Augmented City 3D &lt;/em&gt;(2010) focam o domínio da fúria tecnológica sobre o cotidiano. O diretor inglês Keiichi Matsuda mostra um mundo dependente destes aparelhos para as ações e interações mais triviais. O inventado permeia o real, a ponto de não ser possível distingui-los. Coisas típicas de tempos de globalização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o holandês &lt;em&gt;Insurrectionists Progression &lt;/em&gt;(2009), co-dirigido por Sylvie Zijlmans e Hewald Jongenelis, traduz uma experiência que se aproxima da estética dos sonhos. Pai e filho atravessam a cidade repetindo padrões, numa coleção de ninharias que não revela o menor sentido. Permanece a impressão de que a herança também transmite lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Shoum &lt;/em&gt;(2009), da sérvia Katarina Zdjelar, veio para quebrar o gelo no programa. A plateia ria dos esforços de um homem para interpretar uma música da banda Tears for Fears. No que acreditava ser inglês, a pessoa ia transcrevendo os versos à medida que ouvia a canção. No fundo, o curta-metragem reflete as dificuldades imemoriais relativas à comunicação humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destaque para a película indiana &lt;em&gt;Gaarud &lt;/em&gt;(2009), de Umesh Vinayak Kulkarni, que, ao modo de Aluísio Azevedo em seu livro &lt;em&gt;O Cortiço&lt;/em&gt;, tece, num panorama, retrato da sociedade indiana. Os espectadores são levados por uma câmera a conhecer os cômodos de um edifício popular, onde vivem diferentes indivíduos. Sem pretensões de aprofundar a história de nenhum personagem, Umesh deu preferência a compor um quadro geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O notável &lt;em&gt;Big Bang Big Boom&lt;/em&gt; (2010), do italiano Blu, encerra o Intervenções, percorrendo a história mundial desde a criação do universo. A animação, quiçá uma das melhores realizações em stop motion, parte de pinturas para contar como foi surgindo a vida no planeta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-3783890418242428262?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/3783890418242428262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-01-intervencoes_15.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3783890418242428262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3783890418242428262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-01-intervencoes_15.html' title='Internacional 01 - Intervenções'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOGBYCUCKvI/AAAAAAAAAOU/gFRDFYeZGBg/s72-c/01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-5033095036320054596</id><published>2010-11-15T10:10:00.000-08:00</published><updated>2010-11-15T11:14:52.665-08:00</updated><title type='text'>Brasil 02 - Guiados por Vozes</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOGGXSsCw3I/AAAAAAAAAOk/y0pwvQ8rpPk/s1600/Ave2%2B%252858%2529.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOGGXSsCw3I/AAAAAAAAAOk/y0pwvQ8rpPk/s320/Ave2%2B%252858%2529.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539856751354102642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Márcio M. Andrade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando no poder transformador que a música exerce sobre seus ouvintes, os curtas a seguir dispõem das mais diversas formas para traduzir esse sentimento de influência que ela exerce sobre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No documentário com toques ficcionais &lt;em&gt;Áurea &lt;/em&gt;(Zeca Ferreira, 2009), vemos e ouvimos uma cantora de bar apaixonada pelo seu ofício contar e cantar sua história equilibrando-se entre depoimentos e reconstituições de época em que ela e seus amigos de carreira interpretam a si mesmos. Esta declaração de amor à música, no entanto, permanece como uma experiência excessivamente estética que termina perdendo em espontaneidade: os enquadramentos, fotografia, figurino e posicionamento dos depoentes milimetricamente planejados não auxiliam na emergência de um sentimento verdadeiro diante da câmera. Apenas observamos uma versão que aquelas pessoas criaram para si mesmas, pois, talvez tão preocupadas com suas próprias imagens na tela, tenham esquecido de mostrar seu eu mais verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apropriando-se do tema da arte como uma forma de expressão e contestação, &lt;em&gt;RAZ &lt;/em&gt;(André Lavaquial, 2010) desloca a intenção original do diretor - tratar dos adolescentes romenos que cantam nos metrôs em Paris a fim de sobreviver – para outra realidade: as favelas no Rio de Janeiro. Enquanto luta para construir uma vida diferente para si mesmo, RAZ perde seu rádio no meio da cidade e encontra, através das estátuas vivas, outra ferramenta - uma vitrola e discos de vinil - que pode lhe proporcionar a sobrevivência. Com imagens que mesclam sonho e realidade com muita propriedade, Lavaquial realiza uma jornada musical por diversos ritmos ao longo de um dia na vida de um adolescente que deseja simplesmente sair, escapar de uma vida de desconforto e melhorar. Contudo, talvez seu impacto fosse maior se sua proposta original fosse executada, já que esta estratégia de sobrevivência já se tornou usual no Brasil, mas observar este tipo de trabalho na França é algo diferente e que causaria um estranhamento que favoreceria a mensagem do curta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhando novamente com a poesia imagética e sonora que a &lt;em&gt;Ave Maria ou Mãe dos Sertanejos&lt;/em&gt; (Camilo Cavalcante, 2009) proporciona, Camilo traz um painel do sertanejo sofredor e trabalhador que encontra na religiosidade uma esperança de seguir em frente, ainda que ele não esteja distanciado do restante do mundo – como atesta o final do curta. Bela fotografia, montagem e som, mas com uma representação do Nordeste que já estamos acostumados a ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versando sobre a incomunicabilidade entre duas pessoas que falam idiomas diferentes e o surgimento de uma amizade entre elas, o curta &lt;em&gt;A Amiga Americana &lt;/em&gt;(Ivo Lopes e Ricardo Pretti, 2009) termina por se tornar um retrato simplista que pouco oferece ao seu público. Seu diretor parece não confiar na imagem e na montagem e subestima seu espectador com letreiros que explicam em demasia o enredo, que, por si só, já apresenta falhas graves na construção das personagens e das situações, algo que as atrizes também não conseguem melhorar. E, ao final, num ponto de virada abrupto e deslocado, Paris afirma que aprendeu muito com Thais e seu filho Ian sobre formar uma família e criar laços – sendo que, em nenhum momento anterior, ela parece demonstrar alguma 'necessidade' de aprendizado, tornando seu desenvolvimento frágil, mas vai embora para procurar praias e não algum relacionamento rompido ou novo. Uma proposta inicial interessante, mas que parece ter se perdido ao longo da execução do trabalho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-5033095036320054596?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/5033095036320054596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-02-guiados-por-vozes.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5033095036320054596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5033095036320054596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/brasil-02-guiados-por-vozes.html' title='Brasil 02 - Guiados por Vozes'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOGGXSsCw3I/AAAAAAAAAOk/y0pwvQ8rpPk/s72-c/Ave2%2B%252858%2529.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-3909718308076691877</id><published>2010-11-15T10:01:00.000-08:00</published><updated>2010-11-19T09:23:04.174-08:00</updated><title type='text'>Internacional 02 - Os Laços que nos Separam</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOayRq0AdiI/AAAAAAAAARU/ghE-JOK7w2w/s1600/Homecoming-3.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 256px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOayRq0AdiI/AAAAAAAAARU/ghE-JOK7w2w/s320/Homecoming-3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541312408145917474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Thais Vidal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem foi exibida no Cinema São Luiz a segunda seção de &lt;em&gt;Os laços que nos separam&lt;/em&gt;, programa da mostra competitiva com seis curtas internacionais ligados pela temática das relações humanas e suas complexidades. Com o filme que abre a seção, &lt;em&gt;Homecoming&lt;/em&gt; (foto), o diretor Kwok Zune, consegue mostrar como muitas vezes o que se pensa que é o melhor não é o melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que uma vez cortado um laço, reconstruí-lo é ressignificá-lo ou substituí-lo e é isso que acontece com a empregada doméstica filipina Charlie, que vai para Hong Kong trabalhar e deixa seu filho por vinte anos. Quando tenta retomar contato, já não tem mais uma criança e nem mesmo o controle sobre os planos do filho. E então vem a transferência do amor maternal para o menino Kiddo, de quem cuida com devoção. A interpretação do garoto é o ponto alto do filme, e o encanto que ele transmite está na simplicidade com que é posicionado como elo entre a saudade de Charlie e a verdade dos efeitos das suas atitudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo filme da noite, o curta norueguês &lt;em&gt;Wireless in the world 2&lt;/em&gt;, de Timo Arnall, traz a arquitetura de grandes cidades como caótica para a integração humana. Em meio a círculos brancos que se cruzam e coexistem no meio da cidade, que como na própria sinopse do filme são descritos como fluxos de informação, existe o concreto e não existe o contato. As pessoas passam umas pelas outras, pelos espaços, mas, ao mesmo tempo em que circulam em meio aos fluxos, não circulam entre si, parecem viver em bolhas que as isolam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomando a temática dos laços entre pais e filhos, o filme &lt;em&gt;A bike ride&lt;/em&gt;, de Bernard Attal, contagia pela sua beleza e sensibilidade, toca por ser suave e tratar de sentimentos de uma maneira clara. Fala sobre o poder que as pequenas coisas, as palavras, os gestos têm de transformar a vida das pessoas. Uma bicicleta se torna o lar, o elo entre pai e filha, e a câmera, uma extensão da bicicleta, capta essa relação. Ver o rosto da menina é entender as mudanças e ouvir o pai é saber por que elas acontecem. Como o próprio diretor afirmou em debate, "a bicicleta é o único lugar que pai e filha têm juntos, em que podem compartilhar segredos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apontado para outro horizonte, foi exibido &lt;em&gt;Unplay&lt;/em&gt;, de Joanna Rytel. O sueco gravado em 35mm traz ironicamente a relação amorosa e sexual. A melhor descrição para ele está mesmo na sinopse "Dois paus nas mãozinhas feministas dela. Que luxo da porra". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechando a noite e seguindo a linha família, &lt;em&gt;Videojuego&lt;/em&gt;, da chilena Dominga Sotomayor, destrincha a indiferença, ou talvez o isolamento, de um garoto diante da separação dos pais. Com a câmera posicionada num plano aberto que parte do videogame que a criança joga, se tem ao fundo uma separação. Apesar do interessante de refletir se o garoto se poupa ou realmente ignora o fim do casamento, o curta não se livra do clichê de separações, talvez porque elas sejam mesmo clichês. Também foi exibido &lt;em&gt;Unicycle film&lt;/em&gt;, uma história de amor não convencional do inglês Thomas Hicks.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-3909718308076691877?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/3909718308076691877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-02-os-lacos-que-nos_15.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3909718308076691877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3909718308076691877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-02-os-lacos-que-nos_15.html' title='Internacional 02 - Os Laços que nos Separam'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/TOayRq0AdiI/AAAAAAAAARU/ghE-JOK7w2w/s72-c/Homecoming-3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-7042251264719937309</id><published>2010-11-15T09:56:00.000-08:00</published><updated>2010-11-15T10:00:46.656-08:00</updated><title type='text'>Internacional 02 - Os Laços que nos Separam</title><content type='html'>Márcio M. Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versando sobre a união / desunião entre pessoas e sobre as formas em que estes estados podem se configurar, os diversos curtas desta mostra equilibram-se entre narrativas convencionais e projetos contundente e experimentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com toques de melodrama, &lt;em&gt;Homecoming &lt;/em&gt;(Kwok Zune, 2009) acompanha os infortúnios que cercam a vida de Charlie, que, desejando sustentar seus filhos, trabalhou durante vinte anos em Hong Kong, mas terminou por acreditar que o dinheiro que lhes enviava demonstrava o amor que sentia. Contudo, ao descobrir que Rex, seu filho, engravidou sua namorada e deseja viver sua vida de forma independente, ela começa a perceber a falha que cometeu durante todos aqueles anos. Com uma linguagem convencional, Zune deixa seus personagens dominarem a história, o que conseguem fazer com propriedade, ainda que o roteiro ressoe clichês que estamos acostumados a acompanhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fluxos de informação e conexão são tema do experimental &lt;em&gt;Wireless in the world 2 &lt;/em&gt;(Timo Arnall, 2010), que, valendo-se de efeitos especiais, expõe círculos de conexão nos lugares por onde a câmera passeia, gerando uma metáfora visual que pouco se desenvolve através do enredo e da direção, mas se encerra em sua idéia primordial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trazendo sua filha como protagonista em um curta singelo e sincero, &lt;em&gt;A Bike Ride &lt;/em&gt;(Bernard Attal, 2009), Attal utiliza-se de sua própria biografia para falar sobre uma garotinha que aprende a lidar com as mudanças com leveza. Vendo seus pais se separarem, Nina anda com uma expressão triste, mesmo passeando de bicicleta com seu pai, e ouve sua voz serena tentando lhe oferecer formas de lidar com a realidade. Aos poucos, a garota consegue abrir-se diante das possibilidades e entraves que as situações da vida proporcionam e a desviar-se daquilo que parece fazê-la desviar-se do seu caminho, algo mostrado com sutileza pela talentosa atriz mirim e pelo habilidoso diretor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Unplay &lt;/em&gt;(Joanna Rytel, 2009), vemos inicialmente um namorado sabendo a respeito de uma traição que sua namorada fez com seu amigo e desejando manter o controle da situação ao dizer que foi ele mesmo que planejou a transa entre os dois. No entanto, a moça acredita se revelar feminista ao dizer que foi ela quem planejou transar com ambos, mas, mesmo no domínio da sua sexualidade, não se pode acreditar que esse ato de "revolta" de fato favorece a igualdade entre homens e mulheres da melhor forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesclando técnicas de animação e live action, &lt;em&gt;Unicycle film &lt;/em&gt;(Thomas Hicks, 2009) favorece a poesia visual ao exibir o caos da movimentação constante e o contraponto da tentativa de se conectar profundamente a alguém, longe da mecanicidade e da falsidade do cotidiano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propondo um olhar diferenciado entre a separação conjugal e as conseqüências deste ato através do olhar da criança, Videojuego (Dominga Sotomayor, 2009) expõe um infante que joga constantemente tênis no seu videogame, enquanto observamos seu pai empacotar caixas com seus pertences e deixar o lar. O menino pouco se importa com o rompimento definitivo daquele laço, mas difunde sua energia diante do jogo, não como uma atitude de revolta ou desprezo pela situação em seu entorno, mas uma tentativa de distanciamento da dor emocional que surgiria por causa daquela situação. A dissolução daquele laço familiar lhe afeta tanto que sua única solução é distanciar-se dele ao máximo, a fim de não se machucar com seus próprios sentimentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-7042251264719937309?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/7042251264719937309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-02-os-lacos-que-nos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7042251264719937309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7042251264719937309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-02-os-lacos-que-nos.html' title='Internacional 02 - Os Laços que nos Separam'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-2185105330094692633</id><published>2010-11-15T09:50:00.000-08:00</published><updated>2010-11-15T09:54:22.964-08:00</updated><title type='text'>Internacional 01 - Intervenções</title><content type='html'>Márcio M. Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ressignificação de um espaço, de um contexto a partir de pequenas ou grandes mudanças. Assim se pode pensar a intervenção, como ocorre nos curtas-metragens desta mostra competitiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincando com a ficção científica dos anos 50, &lt;em&gt;Synchronisation &lt;/em&gt;(Rimas Sakalauskas, 2009) mostra, com a movimentação incomum de cenários dentro de um palco real, um olhar ao mesmo tempo sagaz e pueril sobre o cotidiano de prédios e estruturas banalizadas pelo cotidiano. Momentos de tranqüilidade e contemplação diante de uma tela que parece nos fazer sonhar com a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baseado em uma história real ocorrida na Constantinopla de 1910, &lt;em&gt;Chienne d’histoire &lt;/em&gt;(Serge Avédikian, 2010) utiliza-se da pintura para construir um curta doloroso em sua temática e estética. Pinturas em aquarela e fotografias em preto e branco se misturam para construir um clima dramático e tenso para a história que cerca a morte de milhares de cães - do considerado irracional e inútil para aquela sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Utilizando efeitos especiais sobrepostos a imagens reais que mostram o cotidiano futurista e o posterior encontro entre um rapaz e uma moça, o curta &lt;em&gt;Augmented City 3D &lt;/em&gt;(Keiichi Matsuda, 2010) propõe ao espectador um questionamento sobre a definição de uma conexão real / presencial quando é o virtual que termina auxiliando nossa relação com ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostrando as intervenções de um pai e um filho com as paisagens, objetos e entre si, &lt;em&gt;The Insurrectionists &lt;/em&gt;Progression (Sylvie Zijlmans e Hewald Jongenelis, 2009) parece questionar o absurdo do consumo, do acúmulo de bens na sociedade contemporânea, quando tudo aquilo que possuímos parece ser maior do que nossa essência e nos distancia da relação com o outro, prendendo-nos a um ciclo vicioso onde quem muda são nossas roupas, nossos objetos, mas nós terminamos sempre os mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratando da dificuldade de um homem pouco letrado em compreender a letra de uma música em outro idioma, &lt;em&gt;Shoum &lt;/em&gt;(Katarina Zdjelar, 2009) reflete de maneira descontraída sobre o ilógico entre a formação do fonema e da gramática, da comicidade que emerge a partir do considerado ridículo, da perfeição da música na mídia em contraponto ao cântico espontâneo. O que pode ser considerado absurdo ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentando belíssimos movimentos de câmera e enquadramentos em diversos espaços internos de uma Índia que abre sua intimidade diante do público, &lt;em&gt;Gaarud &lt;/em&gt;(Umesh Vinayak Kulkarni, 2009) mostra-se como uma pagina aberta onde o vazio dos espaços, do tempo, das pessoas e da vida paradoxalmente preenchem a tela. Enquanto algumas vidas se esvaziam, outras procuram se completar com a esperança de se religar ao divino, na tentativa de retornar à essência de onde viemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para encerrar o programa, traz-se &lt;em&gt;Big Bang Big Boom &lt;/em&gt;(Blu, 2010), que, utilizando-se de diversas técnicas e objetos – pedra, canos, furgões, lixeiras, bola, luvas etc -, propõe um novo olhar sobre o velho e aparentemente desgastado – seja os objetos que usa ou a própria temática da evolução. Um olhar ao mesmo tempo maravilhado e cético sobre o que temos feito com o que temos nas mãos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-2185105330094692633?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/2185105330094692633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-01-intervencoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2185105330094692633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2185105330094692633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/internacional-01-intervencoes.html' title='Internacional 01 - Intervenções'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-8532108914347924733</id><published>2010-11-14T10:06:00.000-08:00</published><updated>2010-11-14T10:07:23.540-08:00</updated><title type='text'>O Mágico</title><content type='html'>Imagem e mágica&lt;br /&gt;André Valença&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pôr o dedo em clássicos é sempre uma tarefa controversa. Contudo, Sylvain Chomet não conseguiu evitar e meteu as mãos na massa para realizar o desenho animado &lt;em&gt;O Mágico &lt;/em&gt;(2010), baseado na obra de Jacques Tati, sobre um ilusionista que luta para não cair no esquecimento com a chegada do rock’n’roll. Chomet já havia mostrado interesse no cinema mudo em seu belo &lt;em&gt;As Bicicletas de Belleville &lt;/em&gt;(2003) e, como Tati é uma referência daquela época, já havia uma certa conexão entre os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso &lt;em&gt;d’O Mágico&lt;/em&gt;, esse encontro foi direto. Do meio para o fim dos anos cinqüenta, Tati havia escrito um roteiro provisoriamente intitulado &lt;em&gt;Film Tati Nº 4&lt;/em&gt;, entretanto, não achou que era o momento certo de levar à tela. O peso do enredo talvez não combinasse - pelo menos não ali – com uma produção com o tom mais inocente e infantil que andava realizando. Mas o mundo gira e, de alguma forma, anos após o falecimento de Tati, o roteiro cai nas mãos de Chomet. Dessa união póstuma surgiu &lt;em&gt;O Mágico&lt;/em&gt;, de inegável lirismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um desenho denso, uma espécie de caricatura sombria, Chomet trouxe de volta à vida um personagem que fazia muita falta ao cinema, O Sr. Hulot (que, no filme, se chama Taticheff, mas os dois são, essencialmente, o mesmo personagem), o francês alto e desajeitado; um trambolho sem noção do espaço que ocupa, por ter alma de menino, como pode atestar o comovente &lt;em&gt;Meu Tio &lt;/em&gt;(1958). Sylvain Chomet consegue simular todos os movimentos do querido personagem, cuja mobilidade e desenvoltura física não chegam perto das do Carlitos de Chaplin, por exemplo, mas não deixa a desejar nem em poesia, ou graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando nos méritos, podemos dizer que o grande triunfo da animação talvez seja a coesão narrativa, que não é possível ver, por exemplo, em filmes como As &lt;em&gt;Férias do Sr. Hulot &lt;/em&gt;(1953), que é uma verdadeira montagem de esquetes.  Outro triunfo é pegar um personagem de comédia e transformá-lo em um ser melancólico, tal qual fez Chaplin, a si mesmo, em &lt;em&gt;As Luzes da Ribalta &lt;/em&gt;(1952), sobre um comediante em decadência (algo em comum?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, Chomet erra em alguns pontos. Alguns ostensivos planos aéreos em 3D tiram o espectador da realidade do filme, que é uma reconstrução de época. Também, algo que era para ser bem interessante é o momento em que Taticheff entra num cinema e se depara com o filme &lt;em&gt;Meu T&lt;/em&gt;io. Dando-se de cara com Mr. Hulot, o mágico, então, corre atordoado. A cena é mal pensada e a projeção do antigo filme de Tati no fundo ficou mal-feita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ousadia, contudo, de realizar um filme mudo onde nem os personagens principais (de nacionalidades diferentes) conseguem se entender verbalmente, prova que a comunicação no cinema se dá, principalmente, através da imagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-8532108914347924733?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/8532108914347924733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/o-magico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8532108914347924733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8532108914347924733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/o-magico.html' title='O Mágico'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-1898494253282554332</id><published>2010-11-14T09:45:00.000-08:00</published><updated>2010-11-14T09:51:36.568-08:00</updated><title type='text'>Salvar Arquivo Vol. 2</title><content type='html'>A câmera tem memória&lt;br /&gt;André Valença&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sala do cinema São Luiz recebeu seu primeiro bloco de curtas competitivos pelo Janela Crítica ontem e a seleção, inteiramente brasileira, teve alguns bons frutos. O maior entusiasmo, sem dúvidas, foi arrancado por &lt;em&gt;Aeroporto &lt;/em&gt;(2010), de Marcelo Pedroso. O curta-metragem do pernambucano segue uma linha parecida à do seu longa, &lt;em&gt;Pacific &lt;/em&gt;(2009), realizado a partir de imagens amadoras gravadas em máquinas digitais e produzidas durante um cruzeiro por várias pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Aeroporto&lt;/em&gt;, Pedroso brinca novamente com os efeitos dessa "democracia digital", só que, desta vez, exibindo uma série de fotos feitas em viagens sob a narração dos viajantes, revelando percepções de mundo diferentes. A maioria dos seres humanos, confinados ao prosaico, agora tem nas mãos meios mais que diversos de se documentar. A questão, contudo, não parece ser tanto sobre o narcisismo que esse tipo de atitude pode gerar, mas sobre "ser algo" no mundo, seja através de fotos, vídeos ou de contar uma história e esperar, sem muita certeza, que ela seja perpetuada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra surpresa da noite foi o mineiro &lt;em&gt;Fantasmas &lt;/em&gt;(2009), de André Novais. Uma câmera filma uma rua enquanto dois amigos conversam ao fundo. Um deles tem uma fixação pela ex-namorada e espera que ela passe pela rua. O fantasma da ex o assombra, a ele e ao colega, que também são dois fantasmas, invisíveis aos olhos do espectador, mas que observam e comentam o mundo, mesmo que ele se restrinja a uma rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Supermemórias &lt;/em&gt;(2010) também causou certa sensação. O diretor cearense, Danilo Carvalho, juntou filmagens caseiras de várias famílias de Fortaleza em Super8 (daí, o título), algo muito parecido com o que Pedroso anda fazendo. Porém, o recurso de usar imagens em Super8 como lembrança de uma época é um conceito já um pouco desgastado, o que &lt;em&gt;Supermemórias &lt;/em&gt;fez foi isolar essa constante e pô-la sobre uma trilha sonora instigante, talvez trazendo uma carga maior de afeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais destoou dessas experimentações foi um documentário feito da forma mais tradicional possível. &lt;em&gt;Janela Molhada &lt;/em&gt;(2010), de Marcos Enrique Lopes, que fala sobre os primeiros filmes produzidos no Recife, não inova esteticamente, nem tematicamente, mas tem sucesso ao autorreferenciar o cinema e trazer belas imagens de arquivo. Porém, algo que causa enorme estranhamento é a música Desequilíbrio, de Eddie, na trilha sonora. Simplesmente, não encaixa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-1898494253282554332?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/1898494253282554332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/salvar-arquivo-vol-2.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1898494253282554332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1898494253282554332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/salvar-arquivo-vol-2.html' title='Salvar Arquivo Vol. 2'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-3030416680685867308</id><published>2010-11-14T09:33:00.000-08:00</published><updated>2010-11-14T09:39:29.932-08:00</updated><title type='text'>Abertura</title><content type='html'>De volta ao início&lt;br /&gt;Poliana Dantas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece um pouco redundante, mas nada melhor para uma abertura que explicar o (fim do) seu começo, com falhas, atrasos e muito sucesso, explicitamente visível na reação do público presente. Em poucas palavras, esta poderia ser uma das maneiras de resumir o que foi a abertura do III Janela Internacional de Cinema do Recife, realizado na maior e mais clássica sala de cinema de Pernambuco, o Cinema São Luiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro curta exibido, &lt;em&gt;Avós&lt;/em&gt;, de Michael Wahrmann, retrata com delicada clareza e com doses equilibradas de um humor infantil e ingênuo, o peculiar microcosmo que é a vida familiar, especialmente o convívio com os avós. Através da curiosidade e das angústias do menino Léo e da ajuda de uma super-8 que ele ganhou no seu 10o aniversário do avô, nota-se que o excesso de proteção vindo de entes queridos também pode indicar uma fuga da realidade seca, ao criar outra, paralela e suave - e até certo ponto suportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a animação italiana &lt;em&gt;Big Bang Big Boom&lt;/em&gt; (Blu) é literalmente um sinônimo de explosão. Não de materiais bélicos; é exatamente a falta destes, agregado à utilização de objetos triviais (como uma bolinha e uma sandália, por exemplo) e à exploração massiva – e inteligente – do stop-motion, para ilustrar o relato da (des)história da civilização humana e sua ligação intrínseca com as deficiências nos atuais sistemas de produção; que o deixa mais frenético e envolvente, causando despertar mais profundo para consciência espacial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para fechar a noite, houve a exibição do longa &lt;em&gt;Além da Estrada&lt;/em&gt;, primeiro longa do cineasta Charly Braun. Bom, ele não foge muito das máximas dos enredos de filmes românticos convencionais. Para compensar o lado fraco do filme, Braun descarta de uma extrema sensibilidade na fotografia, elevando as paisagens que trilham os caminhos dos personagens Santiago e Juliette ao estado de resposta paulatina (ou até mesmo à travessias, para quem se interessa apenas em seguir) às inquietudes comuns aos homens de desejar se encontrar e de querer alguém para projetar sua identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante perceber como os curtas (mesmo fazendo parte de mostras competitivas diferentes) e o longa-metragem, nessa perspectiva, estabelecem entre si uma conexão que visa ir muito mais além de uma simples amostra de um evento, e sim como síntese da filosofia do festival: a janela (imagem) como porta de entrada (e saída, para quem a vê como escape) no universo da compreensão da complexidade humana, juntamente com seus danos e virtudes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-3030416680685867308?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/3030416680685867308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/abertura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3030416680685867308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3030416680685867308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/abertura.html' title='Abertura'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-8418305353559047856</id><published>2010-11-13T11:33:00.000-08:00</published><updated>2010-11-13T11:35:54.315-08:00</updated><title type='text'>Noite de abertura</title><content type='html'>Márcio M. Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite de celebração ao cinema, à arte, à humanidade. Assim se pode sintetizar a abertura da III Janela Internacional de Cinema, que nos trouxe curtas-metragens e um longa que fazem o espectador repensar-se como artista... de uma câmera na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro curta-metragem – &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Avós&lt;/span&gt; (Michael Wahrmann, 2009) – trata-se de um olhar carinhoso e nostálgico tanto sobre uma época, um cotidiano que não se vive mais como sobre o próprio cinema e sua capacidade de nos permitir olhar para nós mesmos e nos preservar, oferecer a possibilidade de ser um pouco eterno. O segundo curta – &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Big Bang Big Boom&lt;/span&gt; (Blu, 2010) – propõe uma reflexão dos fatos e conseqüências que cercam a evolução. Utilizando diversos objetos cotidianos e mesclando técnicas diferentes de animação – desenho 2D, stop motion –, o diretor nos oferece uma visão ampla do que pode-se chamar desenvolvimento: um progresso não somente da humanidade, mas também da própria arte. Se, de início, o espectador pode se maravilhar com as infinitas possibilidades de expressão que a animação/tecnologia proporciona, ao final do curta, permanece um questionamento: "A que preço temos evoluído?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No longa-metragem da noite - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Além da Estrada&lt;/span&gt; (Charly Braun, 2010) -, descobre-se um contador de histórias apaixonado por suas personagens, que almeja vasculhar cada movimento seu, a fim capturar seus instantes mais verdadeiros. Seguindo seus protagonistas, Santiago e Juliette, ao longo da estrada e do romance que se inicia entre eles, Braun propõe uma experiência cinematográfica que conhece seu ponto de partida, mas caminha rumo ao desconhecido, ao inesperado do mundo real. Se o público reconhece o enredo das comédias românticas hollywoodianas desde o princípio, é porque é desse elemento humano que elas se valem para construir tramas que ressoam clichês e situações que não estão vivas dentro de nós. No entanto, Braun propõe ao espectador um painel sincero e singelo de personagens que redescobrem sua humanidade ao decidir escolher um caminho espontâneo e imprevisível para suas vidas. O canto do coração, como atesta uma das personagens. A estrada do próprio coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-8418305353559047856?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/8418305353559047856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/noite-de-abertura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8418305353559047856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8418305353559047856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2010/11/noite-de-abertura.html' title='Noite de abertura'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-1020059226691450032</id><published>2009-10-24T06:55:00.001-07:00</published><updated>2009-10-25T09:22:35.838-07:00</updated><title type='text'>Áreas Construídas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuRvzvY3pZI/AAAAAAAAAMk/BXQwfJeVLmk/s1600-h/zigurate_1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 173px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuRvzvY3pZI/AAAAAAAAAMk/BXQwfJeVLmk/s320/zigurate_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396561188181484946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por Gianni Paula&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além de edifícios, monumentos e paredes de concreto, a arquitetura, assim como tudo em uma cidade, é resultado do desejo humano. O programa Áreas Construídas evidenciou o espaço (e a mudança dele) como elemento de interferência nas relações e os cinco curtas da sessão dedicaram a este elemento recortes expressivos e importância narrativa.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro filme do programa, o diálogo entre as cenas de um prédio em construção com as imagens de um casamento nos remete, na fusão destes dois assuntos, aos anseios de lar e futuro que existem nos sonhos de casal e no interior daqueles novos espaços. O título, por sua vez, não podia ser mais auto-explicativo: &lt;em&gt;O Sonho da Casa Própria &lt;/em&gt;(Cao Guimarães).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história de &lt;em&gt;Rosa e Benjamin &lt;/em&gt;(Cleber Eduardo e Ilana Feldman) traz os sintomas da desconfiança e do ciúme, desmontando a idéia de segurança que se faz dos casais mais velhos. Nesta trama, as conversas do casal surgem sempre para ilustrar as ações que o público não pode presenciar. Sempre na menção do que está fora do quadro, de personagens que conhecemos apenas pelos diálogos, o filme traz certa sutileza na desconfiança de Benjamin sobre um possível relacionamento de Rosa com um novo vizinho, já que não existem evidências postas em cena.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível sentir algo parecido no curta &lt;em&gt;O Menino Japonês &lt;/em&gt;(Caetano Gotardo), pois seus personagens que estão próximos à janela e observando o prédio em frente, os moradores e suas ações, logo permitem que a memória atravesse aquele momento. Então, é cedido o espaço para que imagens que não estão no filme sejam construídas a partir dele.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mira&lt;/em&gt; foi o trabalho de conclusão de curso do diretor Gregorio Graziozi que já teve outro filme (&lt;em&gt;Phiro&lt;/em&gt;) exibido no Janela Internacional deste ano. O curta faz uma aproximação entre as obras de Niemeyer e a estética de Antonioni, proposta que em certa altura é sutilmente explicada, em um exercício metalingüístico talvez desnecessário. Tomado por uma sensação de vazio, Mira faz um desenho da incomunicabilidade entre as construções e os espaços, ao mesmo tempo em que trata da incomunicabilidade entre as pessoas, a partir de seus dois personagens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de comunicação também permeia &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Zigurate&lt;/em&gt; - foto - &lt;/strong&gt;(Carlos Eduardo Nogueira). Com suas cores saturadas e uma concepção publicitária, o curta, que sugere o distanciamento social e tenta uma crítica irônica aos valores de casta, manteve a temática dos espaços com seus prédios que alcançam além das nuvens, mas fechou a penúltima noite de festival com uma seqüência de ações que pareceram se perder na própria bizarrice.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino que não por acaso o novo filme de Gabriel Mascaro tenha entrado no programa do festival na seqüência de &lt;em&gt;Áreas Construídas&lt;/em&gt;. As coberturas de &lt;em&gt;Um lugar ao sol &lt;/em&gt; surgem como um contínuo deste olhar sobre personagens e espaços. Mas, ainda assim, esta já é uma outra história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-1020059226691450032?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/1020059226691450032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/areas-construidas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1020059226691450032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1020059226691450032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/areas-construidas.html' title='Áreas Construídas'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuRvzvY3pZI/AAAAAAAAAMk/BXQwfJeVLmk/s72-c/zigurate_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-5766644717992233395</id><published>2009-10-23T14:18:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T09:12:36.479-07:00</updated><title type='text'>A Palavras das Imagens</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuRxUxtMU3I/AAAAAAAAAM0/90MY-Fhp7-g/s1600-h/TAURI1_300dpi.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 194px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuRxUxtMU3I/AAAAAAAAAM0/90MY-Fhp7-g/s320/TAURI1_300dpi.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396562855250908018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Por Gianni Paula&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A (quase) ausência da palavra foi a característica de identificação entre os sete curtas que formaram o programa A palavra das imagens. Nesta sessão, que abdicava das falas, as propostas também dispensavam as amarras narrativas e os filmes foram, antes de tudo, sugestivos e sensórios.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nem marcha, nem chouta&lt;/span&gt; (Helvécio Marins Jr. ) e &lt;strong&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tauri&lt;/span&gt; -foto- &lt;/strong&gt; (Marcio Miranda Perez) parecem se aproximar por colocarem em cena as reações de uma criança. Enquanto na produção de Helvécio ocorre uma interação com um menino na feira, no qual é estabelecido uma espécie de "jogo", de enfrentamento do personagem com a câmera, no curta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tauri&lt;/span&gt;, um menino de 2 anos presencia uma briga na praia e a particularidade do filme não é a ação em si, mas a atitude desta criança. Apesar das situações serem distintas, os dois diretores se fixam nos personagens e as expressões deles determinam o tom dos filmes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Flash Happy Society &lt;/span&gt;(Guto Parente) fez um inteligente recorte do nosso tempo de apologia da imagem, no qual o registro dos momentos parecem superar a vivência em termos de importância. As cenas de um evento iluminado por flashs fotográficos combinadas ao áudio do filme dão a ele um caráter levemente hipnótico que é conduzido até o último minuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A brincadeira com as luzes também é um traço marcante na produção &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sentinela &lt;/span&gt;(Cristiano Lenhardt), um vídeo que trabalha em cima de projeções e dialoga com as experimentações sugeridas pela videoarte. Já &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sumi&lt;/span&gt; (Marina Fraga), filme que abriu o programa, trouxe referências de vídeo-instalação e propôs uma aproximação com os ideogramas japoneses, ao mesmo tempo em que indicava certo hermetismo naquela língua, a partir de uma construção fílmica igualmente hermética.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A memória de maio de 68 esteve representada pelo curta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Bomba!&lt;/span&gt; (Lara Lima, Marcelo Lima e Renato Coelho) que adentrou uma temática simultaneamente rica e arriscada, já que existem muitas obras ambientadas nesta memória. A produção apostou em uma confusão de imagens que combinadas com algumas frases de efeitos deixou a sensação de mais do mesmo.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arquitetura do corpo trouxe, para fechar a sessão, o contraste entre a leveza do balé e seus ensaios rigorosos, a beleza dos movimentos e a disciplina que eles demandam, o corpo estético e o corpo exausto. Os bailarinos, enquanto matéria-prima das imagens, ditam as cores, formas e texturas, em um dos curtas mais palatáveis do programa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-5766644717992233395?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/5766644717992233395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/palavras-das-imagens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5766644717992233395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5766644717992233395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/palavras-das-imagens.html' title='A Palavras das Imagens'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuRxUxtMU3I/AAAAAAAAAM0/90MY-Fhp7-g/s72-c/TAURI1_300dpi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-5632390515933998135</id><published>2009-10-23T14:07:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T09:19:53.978-07:00</updated><title type='text'>Tchau e Benção</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuRxzzXRkvI/AAAAAAAAAM8/-uSQ3gej6C8/s1600-h/TchauBencao.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuRxzzXRkvI/AAAAAAAAAM8/-uSQ3gej6C8/s320/TchauBencao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396563388271792882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Por Doralice Amorim &lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Qualquer dia a gente se vê..."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A iminência do encontro e o fim de uma relação amorosa. Esses foram os pontos destacados por Daniel Bandeira, em seu novo curta-metragem, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tchau e Benção&lt;/span&gt;, que estreou, na Janela Pernambucana, na última quarta feira (21/10). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As músicas, que estão conectadas com a história, assim como a fotografia em preto e branco acentuaram o caráter melancólico da produção. O próprio diretor, afirmou, no debate realizado ao fim da sessão, que muito do que foi evidenciado, na filmagem, tinha haver com o momento que estava vivenciando e que este seria o seu primeiro e último filme sobre "casal". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo dos dez minutos do curta, a platéia fica na expectativa de presenciar um encontro (ou melhor, uma despedida) que nunca chega a ser concretizado. Tudo está pronto para o fim, mas por algum motivo, não há um contato físico que evidencie esse encerramento (talvez por ele já estar bastante claro). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais curioso da produção é observar como ela mexe com o público e, de alguma forma, conecta-o com àquela história. Os espectadores vivem o momento e imaginam o quanto constrangedor seria o encontro, ao mesmo tempo em que, esperam, por ele, ansiosos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante também como Daniel brinca com os gêneros e faz um drama com pitadas de terror. Enquanto a personagem recolhe as suas coisas e parece se despedir do apartamento, o ex-parceiro está no chão, se arrastando e espalhando sangue, por onde passa. A produção é bastante feliz em não se utilizar de diálogos ou narrações que só serviriam para falar, mais alto, o que já estava evidenciado através de imagens e de ações. Nesse caso, foi o silêncio, entre os personagens, quem contou a história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-5632390515933998135?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/5632390515933998135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/tchau-e-bencao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5632390515933998135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5632390515933998135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/tchau-e-bencao.html' title='Tchau e Benção'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuRxzzXRkvI/AAAAAAAAAM8/-uSQ3gej6C8/s72-c/TchauBencao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-7366705399275781281</id><published>2009-10-23T13:59:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T09:21:40.086-07:00</updated><title type='text'>A Solidão dos Corredores de Longa Distância</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuRzdGVfHCI/AAAAAAAAANE/hBmYulNQd9c/s1600-h/Depois+de+tudo+-+Still+4.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuRzdGVfHCI/AAAAAAAAANE/hBmYulNQd9c/s320/Depois+de+tudo+-+Still+4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396565197250829346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Por Doralice Amorim &lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite da última quinta-feira (22/10), da Janela, contou com uma seleção de filmes, essencialmente, pessoais. O segundo programa da Mostra Competitiva Brasileira preocupou-se em abordar o tema da solidão. O primeiro filme da sessão, &lt;strong&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Depois de Tudo &lt;/span&gt;(RJ, 2009)- foto &lt;/strong&gt;, contou com um elenco de destaque. Ney Matogrosso e Nilton Parente formaram o casal que deu vida ao curta. A utilização de grandes celebridades pode, algumas vezes, atrapalhar a composição da história, pois o público atribui valores àqueles personagens que vão além das idéias propostas pelo filme. Para o diretor, Rafael Saar, a presença de Ney Matogrosso, na produção, é bem executada justamente por isso. Ele é um homem que carrega uma grande história e é identificado pelo público, principalmente, o brasileiro, como um símbolo da libertação sexual e a sua atuação só acentuaria a quebra das barreiras propostas pelo filme. É curioso observar também, como o diretor desenvolveu uma história bastante simples, na verdade, um recorte da vida de dois homens de terceira idade durante uma noite, e, em poucos minutos, construiu uma história de amor bela, marcada pela separação e pela espera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Phiro&lt;/span&gt; (SP, 2008) pode ser considerado o grande destaque da sessão. Em 12 minutos, o diretor, Gregório Graziozi, construiu, talvez, o filme mais pessoal do programa ao retratar alguns momentos da vida seu bisavô. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Phiro&lt;/span&gt; é um filme, essencialmente, sobre a ausência e Gregório consegue desenvolver muito bem essa proposta. Ao longo das gravações, ele mostra o vazio da casa do seu bisavô e o quanto essa ausência parece se encaixar, perfeitamente, com a realidade daquele senhor. A platéia vai conhecendo, aos poucos, os sentimentos de um homem de cem anos e a sua solidão diante da morte da esposa. O interessante é observar que a casa é apresentada, nos seus pequenos detalhes, evidenciando o vazio do personagem, ao mesmo tempo em que, cada objeto e cômodos estão marcados pela presença daquela mulher e pela jornada que eles atravessaram juntos. Com grande afetividade, o diretor compôs uma história sobre o amor e, principalmente, sobre o estar só, mas preocupou-se em valorizar também a importância de todos os anos que os seus bisavôs viveram juntos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;JLG/PG&lt;/span&gt; (SP, 2009), foi construído a partir de uma obsessão do diretor pela figura do cineasta Jean-Luc Godard. O filme retrata uma tentativa frustrada do personagem, o próprio diretor Paolo Gregori, em encontrar-se com quem, para ele, seria o grande nome do cinema mundial. O caráter invasivo e pessoal da produção conecta-o com os outros filmes, mas ela é, sem dúvidas, a mais "diferente" do programa. Contudo, tal evidencia não tira o mérito de JLG/PG participar da sessão. Paolo Gregori desenvolveu, de forma bastante inteligente, um filme que o conectou com o seu grande "mestre" não apenas no conteúdo, mas na forma com que ele foi construído. Os letreiros avermelhados que intercalam algumas cenas, assim como a construção de palavras, ("GOD ART", uma brincadeira a partir do nome do cineasta) aproximaram Godard do filme, mesmo contra a sua vontade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarto filme da noite, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Flores em vida&lt;/span&gt; (SP, 2009) contou com uma personagem encantadora. Lazara Crystal é uma senhora com idade bastante avançada e que ainda trabalha na sua floricultura. Os dois realizadores, Rodrigo Marques e Eduardo Consonni, tiveram a preocupação de trabalhar o cotidiano da personagem à medida que a apresentavam para a platéia. A partir de relatos, Crystal conta fatos da sua vida e fascina os espectadores pela sua desenvoltura e naturalidade. O último filme, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Chapa&lt;/span&gt; (SP, 2209) retratou mais uma vez, o sentimento de estar só. A espera do personagem à beira de uma estrada contrasta a sua solidão e inércia frente à travessia de várias outras pessoas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-7366705399275781281?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/7366705399275781281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/solidao-dos-corredores-de-longa_23.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7366705399275781281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7366705399275781281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/solidao-dos-corredores-de-longa_23.html' title='A Solidão dos Corredores de Longa Distância'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuRzdGVfHCI/AAAAAAAAANE/hBmYulNQd9c/s72-c/Depois+de+tudo+-+Still+4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-6093066862055222092</id><published>2009-10-23T13:47:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T09:20:41.831-07:00</updated><title type='text'>A SOLIDÃO DOS CORREDORES DE LONGA DISTÂNCIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR0H-oOxII/AAAAAAAAANM/MuuPZaxq6TU/s1600-h/chapascreenphoto002.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 231px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR0H-oOxII/AAAAAAAAANM/MuuPZaxq6TU/s320/chapascreenphoto002.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396565933916341378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jornadas próprias, razões específicas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt; Por George Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas jornadas, por mais longas que sejam, precisam ser feitas, independente de se estar sozinho ou acompanhado. Nesse caminho, algumas companhias podem ser muito bem-vindas, mesmo que não fiquem por muito tempo. Essa é a sensação que os cinco filmes de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A solidão dos corredores&lt;/span&gt; de longa distância, que integra a mostra competitiva brasileira da II Janela Internacional de Cinema do Recife, causa no espectador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detentores de uma trajetória que lhes é muito própria, os protagonistas dos curtas que integram o bloco têm razões específicas que justificam seus comportamentos. Em maior ou menor grau, as imagens projetadas tentam explicitar essas razões. O resultado são filmes que afloram sutilezas, seja no roteiro ou na captação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Phiro&lt;/span&gt;, por exemplo, busca revelar os detalhes da alma de seu personagem principal através de planos fechados, com uma câmera que não se movimenta e que, em certos momentos, torna-se enfadonha – tal qual aquela solidão personificada na tela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Depois de tudo&lt;/span&gt; e &lt;strong&gt;"Chapa" (foto)&lt;/strong&gt; mostram a espera. Neste último, ela está latente no grupo de homens que aguarda trabalho na beira de estrada, na mulher que está na parada de ônibus, na outra que espera a melhora do irmão, em Antônio que muda sua rotina pela visita da filha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Depois de tudo&lt;/span&gt;, essa espera é infindável, cíclica, porém válida. Mas nem sempre é assim, haja vista a decepção que acomete o personagem de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;JLG/PG&lt;/span&gt;, uma espécie de autobiografia do encontro do diretor com o aclamado cineasta Jean-Luc Godard. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Completando o bloco, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Flores em vida &lt;/span&gt; revela toda poesia por trás de uma idosa e sua floricultura. Com uma não-convencionalidade ímpar, o filme superdimensiona o universo dessa senhora, do qual só ela parece fazer parte junto com suas lembranças e seus anseios simples, como vender o relógio para comprar flores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejam quais forem os motivos que levaram esses personagens a se adequarem a um mundo de buscas solitárias, essa opção é algo que apenas a eles compete. Decepcionante ou não, triste ou não, o fato é que todas elas se revelam apaixonantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-6093066862055222092?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/6093066862055222092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/solidao-dos-corredores-de-longa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6093066862055222092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6093066862055222092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/solidao-dos-corredores-de-longa.html' title='A SOLIDÃO DOS CORREDORES DE LONGA DISTÂNCIA'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR0H-oOxII/AAAAAAAAANM/MuuPZaxq6TU/s72-c/chapascreenphoto002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-3806514068736563720</id><published>2009-10-23T13:39:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T09:07:36.236-07:00</updated><title type='text'>A PALAVRA DAS IMAGENS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR1EUng_MI/AAAAAAAAANU/eEJRFbIgaXg/s1600-h/sumi_still01+-+menor.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 205px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR1EUng_MI/AAAAAAAAANU/eEJRFbIgaXg/s320/sumi_still01+-+menor.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396566970611072194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Arte Cinematográfica a conta-gotas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Por Bento Gonçalves&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a obra &lt;strong&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sumi &lt;/span&gt; (foto)&lt;/strong&gt; a plateia é levada a uma viagem junto ao coração dos aspectos nipônicos, servindo os ideogramas como fio condutor de tal jornada. Aspectos psicológicos, econômicos e sociais são abordados nesse "semi-documentário" – imagens não possuem caráter cronológico nem planos fixos. Especial relevância à trilha sonora como auxílio narrativo, já que a obra não possui diálogos diretos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda atração, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nem Marcha nem Chouta&lt;/span&gt;, propõe, com nuances metalinguísticas, um exercício de interatividade câmera-objeto-plateia bastante curioso. Uma vez que em momento algum é dada indicação física da presença de uma câmera, tem-se a impressão de que os olhos da plateia servem como a própria câmera; encarando o protagonista e sendo encarada de volta por este. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A interatividade entre as esferas do "fazer cinema", "projetar o cinema" e o "assistir ao cinema" é sobremaneira desenvolvida em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Flash Happy Society&lt;/span&gt;. Apesar de se tratar de uma experiência no mínimo incomum, à medida que a plateia começa a compreender a proposta da obra, esta não sofre acentuada progressão narrativa, tornando-se um tanto repetitiva. É relevante citar o argumento final, o qual levanta a questão de que a soma das partes (dos homens, sentimentos, ambições, egos) como condição essencial ao todo (a sociedade, a mente...). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dando continuidade à sessão, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sentinela&lt;/span&gt; apresenta um aspecto plástico adequado, a fim de expor acerca das dicotomias presentes no mundo – fogo e mar, claro e escuro, bem e mal. Há um processo de dupla-inversão da realidade, já que a plateia é invadida por seres marinhos oriundos da mitologia popular, nadando no que espacialmente deveria ser o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mar é mar, céu é céu na terceira obra, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tauri&lt;/span&gt;. Possuíndo tons surrealistas e carga sociológica, discorre acerca do alheamento das pessoas no que tange à vida das outras (ou melhor: dos problemas dos outros). Por ser vista através dos olhos de uma criança, é dotada de tons cômicos. Apesar de possuir argumento provocativo, este é exposto de maneira sobremaneira direta, sem grandes recursos narrativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criando um paralelo sutil entre os eventos de maio de 68 na França e no Brasil, &lt;br /&gt;Bomba recorre ao tema do "semi-documentário". Destaque à utilização da trilha sonora e de inserções sonoras a fim de auxiliar a progressão narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte da dança e suas possibilidades são exploradas em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A Arquitetura do Corpo&lt;/span&gt;. De forma competente, é apresentado um mosaico da população brasileira: suas cores, temperos, idades, classes sociais... todos unidos pelo amor à Arte. Assim como acontece na realidade, muito poucos se realizam plenamente. Destaque aos aspectos técnicos bastante desenvolvidos da obra, dotando-a de tom amadurecido, nessa "sessão-sensorial".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-3806514068736563720?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/3806514068736563720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/palavra-das-imagens.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3806514068736563720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3806514068736563720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/palavra-das-imagens.html' title='A PALAVRA DAS IMAGENS'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR1EUng_MI/AAAAAAAAANU/eEJRFbIgaXg/s72-c/sumi_still01+-+menor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-8160541061095636988</id><published>2009-10-23T13:33:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T09:13:16.671-07:00</updated><title type='text'>DIMENSÕES PARALELAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR17BZ-qaI/AAAAAAAAANc/mtL2cu8ZDig/s1600-h/superbarroco.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR17BZ-qaI/AAAAAAAAANc/mtL2cu8ZDig/s320/superbarroco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396567910346828194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Realidades que se cruzam no infinito&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Por George Carvalho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realidades distintas que co-existem ou co-habitam diferentes rincões reais ou imaginários. No bloco de curtas nacionais Dimensões paralelas, da II Janela Internacional de Cinema do Recife, os filmes trazem realidade que se mistura a imaginação e também a outra realidade, sem qualquer tipo de compromisso factível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro dos quatro longas, o dia-a-dia de um manicômio prisional é revelado com foco na história de três personagens, com destinos próprios. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A casa dos mortos &lt;/span&gt; tem o mérito de lançar um olhar diferenciado sobre aquele cotidiano à margem da realidade, apesar do tom didático ao extremo do roteiro dividido em capítulos, com textos em off que marcam o início de cada um deles e cujo sentido é justificado no final, quando é revelado ao espectador que o filme foi baseado em um poema escrito por um detento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O baiano &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nego fugido&lt;/span&gt; traz duas realidades que se confrontam, a partir de um ritual folclórico que envolve a cultura afro. Já o pernambucano &lt;strong&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Superbarroco&lt;/span&gt; (foto)&lt;/strong&gt;, de Renata Pinheiro, mais do que o enfrentamento de duas realidades, mostra como elas se complementam. O jogo com as projeções poeticamente inseridas no filme produz efeitos sublimes. O trabalho de fotografia bem-definido ajuda a criar esse impacto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no quesito fotografia – e talvez só nele –, o destaque do bloco vai mesmo para &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quarto de espera&lt;/span&gt;.  O roteiro extrapola os limites da verossimilhança e cria uma coerência própria para o filme. No entanto, a justificativa para isso não parece claro e seus doze minutos de duração terminam sem que se saiba a que veio, frustrando a atenção do espectador, conquistado pelo homem com uma máscara de gás que circula por um não-lugar qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O não-lugar, aliás, parece ser o cenário comum aos curtas desse programa. Com seus personagens que mergulham ou já estão inseridos em outras dimensões, o público também é convidado a integrar essas  realidades paralelas, sem a consciência de que, talvez, elas possam se cruzar em algum infinito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-8160541061095636988?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/8160541061095636988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/dimensoes-paralelas_23.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8160541061095636988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8160541061095636988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/dimensoes-paralelas_23.html' title='DIMENSÕES PARALELAS'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR17BZ-qaI/AAAAAAAAANc/mtL2cu8ZDig/s72-c/superbarroco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-1444867135391660114</id><published>2009-10-23T13:29:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T09:15:56.414-07:00</updated><title type='text'>VOCÊ ESTÁ AQUI</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR5pRLLBnI/AAAAAAAAANk/Gov95U69mZE/s1600-h/triangulum02.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 261px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR5pRLLBnI/AAAAAAAAANk/Gov95U69mZE/s320/triangulum02.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396572003388556914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas onde mesmo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Por George Carvalho&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título do programa parece sugerir alguma localização exata, mas a sensação é exatamente o contrário. Os curtas que integram o bloco &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Você está aqui&lt;/span&gt;, da mostra competitiva internacional da II Janela de Cinema do Recife, trazem personagens perdidos ou em busca de algo que não sabem bem o que é, como a casa que serviria de locação para as filmagens no roteiro do tailandês &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A letter to uncle Boonmee &lt;/span&gt;(Uma carta para o tio Boonmee).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o protagonista de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Vilay &lt;/span&gt;(Dissolução), sua localização incerta se estabelece no contraditório entre realidade e lembranças, presente e passado. Consumido pela ausência presença da avó, o personagem passeia por ambientes e paisagens distintos.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No italiano&lt;span style="font-style:italic;"&gt; Domenica 6 Aprile Ore 11:42 &lt;/span&gt;(Domingo 6 de abril, 1:42), as contradições são ainda mais explícitas: nem as localizações geográficas exatas dos personagens e ações dadas no filme servem para situar o espectador nas conexões que se estabelecem entre os ambientes e seus habitantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de orientação que acomete os personagens de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Triangulum &lt;/span&gt; na sua busca pelo equilíbrio causa incômodo. Mais ainda pelo fato dessa paranóica desorientação não permitir nada mais que a projeção de algumas belas imagens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras nem tão belas terminam por causar um impacto maior no espectador em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Destination finale&lt;/span&gt;, pela simbologia que carregam. Neste último filme do bloco, a maioria dos nove minutos são compostos por imagens caseiras de um grupo de turista – um deles mais especificamente – em viagem pela Europa. As brutas foram encontradas em destroços do Vietnã invadido pelas tropas americanas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entre tantas viagens e pretensas localizações, Você está aqui traz histórias com deslocamentos físicos definidos, mas com jornadas psicológicas que apresentam nuances mais sensíveis e, por vezes, incertos. Isso remete ao questionamento que dá título a esse texto, num contexto que Freud já explica (ou tenta) há muito tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-1444867135391660114?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/1444867135391660114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/voce-esta-aqui.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1444867135391660114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1444867135391660114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/voce-esta-aqui.html' title='VOCÊ ESTÁ AQUI'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR5pRLLBnI/AAAAAAAAANk/Gov95U69mZE/s72-c/triangulum02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-6807035437618002589</id><published>2009-10-23T13:20:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T09:18:25.413-07:00</updated><title type='text'>As Manobras do Olhar</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR6R3EL8_I/AAAAAAAAANs/_W0aK_32ClE/s1600-h/looploop01m.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR6R3EL8_I/AAAAAAAAANs/_W0aK_32ClE/s320/looploop01m.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396572700754572274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por Gariela Alcântara&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estar num festival de cinema é alimentar a imaginação e as pupilas, ampliar a consciência de capacidade. Seguindo essa ideia, o Janela oferece uma maratona de olhares que são, no mínimo, diferentes daqueles que estamos acostumados a ver no cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sessão começa com &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Loop Loop&lt;/span&gt;, curta que brinca com a imagem, num ir e vir de várias coisas misturadas, com uma espécie de corrida para registrar tudo. O filme tem variações de velocidade e sons, indo pra trás e pra frente a todo instante, deixando o espectador meio atordoado na tentativa de também tentar ver, entender e registrar tudo. É como se o filme entendesse a sede da memória humana, e jogasse essa vontade imediata na tela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda mais agoniado é &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Murphy&lt;/span&gt;, de Bjorn Melhus, que mergulha de cabeça na desordem do abstrato, apresentando um curta de sensações, trabalhando com cores fortes e sons ansiosos e aflitos, que fazem com que o público feche os olhos e tenha vontade de sair da sala, tamanha é a bagunça. O curta lembra &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blue&lt;/span&gt;, de Derek Jarman, na sua coragem de explorar de forma tão diferente a capacidade do espectador de sentir sensações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando para uma linha narrativa mais tradicional, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Les Ongles &lt;/span&gt;também não deixa de surpreender. Contando a história de Antoine, que não pode parar de roer as unhas, mas se vê obrigado pelos amigos a fazê-lo durante uma festa, o curta segue o caminho do terror, quando todos descobrem o porquê do rapaz não poder parar de roer nem por um minuto. A câmera é amadora, seguindo o exemplo de filmes que tentam flertar com o documentário, como &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Rec&lt;/span&gt;, mesmo apesar dos claros efeitos especiais presentes. Fantástica a ideia de ver o quanto se pode brincar com um simples vicio, trazendo imagens meio loucas e exageradas, mas que nem por isso deixam de causar uma certa agonia em quem as vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando pelo caminho mais comum, o alemão &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Milbes&lt;/span&gt; traz um stop motion fofo, com uma fotografia que lembra bastante Amelie Poulain, e a história divertida de uma senhora que mora sozinha com ácaros gigantes. O cenário maquete e os ácaros espalhados por toda parte ajudam a compor a fantasia, dando ares infantis que acalmam a sessão, depois de tantos curtas aflitivos, que tinham deixado o público meio elétrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final da sessão, os espectadores saem lembrando que um filme pode ser feito de inúmeras formas, pois a habilidade que temos de registar imagens, imagens e mais imagens é enorme, o importante é não perder a criatividade, afinal de contas, como disse Matheus Nachtergaele em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Baixio das Bestas&lt;/span&gt;, de Cláudio Assis: "O bom do cinema, é que no cinema tu pode fazer o que tu quiser".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participaram também da sessão os curtas &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Fugue&lt;/span&gt;, de Galina Myznikova e Sergey Provorov, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blind Bund&lt;/span&gt;, de Seb Coupy e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Plane days&lt;/span&gt;, de Benjamin Kracun e Ewan McNicol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-6807035437618002589?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/6807035437618002589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/por-george-carvalho-estar-num-festival.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6807035437618002589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/6807035437618002589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/por-george-carvalho-estar-num-festival.html' title='As Manobras do Olhar'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuR6R3EL8_I/AAAAAAAAANs/_W0aK_32ClE/s72-c/looploop01m.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-7466222837337939097</id><published>2009-10-23T13:16:00.000-07:00</published><updated>2009-10-23T13:20:48.892-07:00</updated><title type='text'>Everests Pessoais</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por João Roberto Cintra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLIMB EVERY MOUNTAIN...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois homens escalam uma montanha. Força física, esforço, pedras. O primeiro filme da sessão Everests Pessoais é quase um prólogo do que vai-se seguir. Histórias de conquista pessoal e superação que felizmente não resvalam em auto-ajuda. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Two days&lt;/span&gt; (FRA) pode ser ligado inversamente a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Houna e Manny &lt;/span&gt;(EUA). Enquanto há uma certa disputa entre os dois homens no primeiro – evidente pelo som apenas do fôlego dos dois, nenhuma palavra, nenhum conforto –, o segundo, sobre duas imigrantes nos EEUU, mostra personagens que encontram sintonia nas dificuldades comuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A semelhança dos títulos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Um dia na sua vida&lt;/span&gt; (EUA) e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Um dia na vida&lt;/span&gt; (Hong Kong) mais do que unir os filmes distancia-os. O primeiro, tendo uma jovem em seu apartamento como personagem, é um exercício egoísta de quem insiste em sofrer apenas para sentir pena de si mesmo: clichês românticos/depressivos, em uma narração quase prescritiva de alguém que gosta de estar na posição de vítima. Diretamente oposta ao dia que representa toda a vida da senhora do filme oriental: fragilizada pela idade, mas sem demonstrar fraqueza, um dia para ela é sempre trabalho duro, mas também a possibilidade de mudança e negação de dificuldades (como a falta de dinheiro e a ausência do filho), além de esperança e ternura com a neta que cuida. Não há tempo aqui para sofrer – e ainda mais lamentar o seu próprio sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há paralelos tão evidentes, entretanto, para &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nora&lt;/span&gt; (EUA). Como contar a história de uma bailarina africana que migra e se profissionaliza nos EEUU? A partir desse mote, o filme vira uma explosão sinestésica que parece situar o espectador na definição do cinema como sétima arte: não só a última a ser criada, mas a junção de todas as outras. Cores, sons, dança, tudo apela aos sentidos, sem cair apenas em experimentalismos: a história da bailarina é coerentemente contada a cada grito, pé no barro ou flor amarela que aparece. Tudo faz sentido, e apela aos nossos. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nora&lt;/span&gt;, o filme, é acima de tudo um exercício de metalinguagem que define Nora, a pessoa, como sempre foi: protagonista da sua própria história. Não há montanha que não se possa escalar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-7466222837337939097?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/7466222837337939097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/everests-pessoais_23.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7466222837337939097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7466222837337939097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/everests-pessoais_23.html' title='Everests Pessoais'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-3835118165482082579</id><published>2009-10-21T09:14:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T10:22:24.715-07:00</updated><title type='text'>Sensações de Inadequações</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCPZxC9XYI/AAAAAAAAALM/ySKZ611vEtY/s1600-h/N_27.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCPZxC9XYI/AAAAAAAAALM/ySKZ611vEtY/s320/N_27.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395470026415103362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Os objetos que as detonam&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por George Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um chocolate branco, um óculos, uma camisa melada. Não passariam de simples objetos se não personificassem a inadequação ao ambiente onde estão inseridos dos protagonistas de &lt;em&gt;Laurita, O presidente e&lt;strong&gt; Nº27&lt;/em&gt; (foto)&lt;/strong&gt;, três dos quatro curtas brasileiros reunidos no programa Sensações de inadequação, da II Janela Internacional de Cinema do Recife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o quarto filme do bloco, &lt;em&gt;O menino que plantava inverno&lt;/em&gt;, esse objeto acaba se revelando a própria vida do menino cujos pais foram mortos por um dragão antes mesmo dele nascer. Para matar o monstro e recuperar a vida dos genitores, o garoto planeja congelar o animal e chega até a plantar gelo. A fábula de Victor-Hugo Borges termina com uma moral estranha, para não dizer inadequada (com o perdão pelo trocadilho), que derruba a atmosfera de poesia fantástica que a animação tenta criar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os paulistas &lt;em&gt;Laurita &lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O presidente &lt;/em&gt; exalam sutileza através do universo infantil de seus personagens Laura e Victor, respectivamente. A garota que vive com a mãe na casa de parentes transgride regras estabelecidas implicitamente para sua condição de agregada. Um chocolate branco aparece como o estopim dessa situação, que resulta na saída de Laura e da mãe do lar que não é seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Victor é uma criança cuja visão perfeitamente sadia impede que ele realize o sonho de ter seus próprios óculos. Entre idas a oculistas e a mania de usar óculos alheios, o menino acaba enxergando mais do que devia, causando um mal-estar na relação entre mãe e filho. Nos dois filmes, destaque para as interpretações convincentes, principalmente dos jovens atores, e para as personagens bem construídas e delineadas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Pernambuco, vem o &lt;em&gt;N°27 &lt;/em&gt; e a discussão sobre bulling. A situação inusitada pela qual passa um adolescente com problemas gastro-intestinais serve como mote para suscitar os questionamentos acerca dessa prática. O roteiro bem-estruturado parece saber bem onde quer chegar, mas acaba passando do ponto: as duas últimas cenas, com a psicóloga e na sala de aula após o incidente, pouco acrescentam à obra cinematográfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Sensações de inadequação, a vontade e os esforços nem sempre válidos de querer se descobrir como parte de um todo unem os personagens retratados nos quatro filmes. Situações assim não são raras no dia-a-dia. A diferença pode estar apenas nos objetos que as detonam ou na maneira como ocorre. Logo após, é quase certo que algo mude, embora não se saiba necessariamente o quanto isso é bom ou ruim...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-3835118165482082579?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/3835118165482082579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/sensacoes-de-inadequacoes_21.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3835118165482082579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/3835118165482082579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/sensacoes-de-inadequacoes_21.html' title='Sensações de Inadequações'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCPZxC9XYI/AAAAAAAAALM/ySKZ611vEtY/s72-c/N_27.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-2735637752407816586</id><published>2009-10-21T09:12:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T10:18:07.771-07:00</updated><title type='text'>Amor, Perdas e Danos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCQbrNcDoI/AAAAAAAAALU/AOAOVDKaqjs/s1600-h/PSS_21.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCQbrNcDoI/AAAAAAAAALU/AOAOVDKaqjs/s320/PSS_21.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395471158719811202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foto: Please say something &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Não necessariamente nessa ordem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por George Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os danos, tal qual o amor, não são mensuráveis: são perceptíveis. E a morte como um desses males - talvez o mais lacônico, porém longe de ser o mais latente –, aparece nos seis curtas estrangeiros que integram o bloco de filmes intitulado Amor, perdas e danos, da segunda edição da Janela Internacional de Cinema do Recife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No paraguaio-argentino &lt;em&gt;Noche adentro &lt;/em&gt;(Noite adentro), que abre o bloco, o fator morte surge no início, tanto da trama quanto da vida conjugal de um casal cujas bodas ainda estão sendo comemoradas. Durante os dezessete minutos do filme, ela vai sendo consumida à medida que consome os protagonistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na animação sueca &lt;em&gt;Drömmar fran skogen &lt;/em&gt;(Sonhos da floresta), que encerra o programa, a morte aparece personificada na figura de uma caveira, um dos três personagens da história que encanta não pelo enredo em si, mas pela forma como ele é contado, através do recurso de luz e sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, se neste caso a forma subjuga o conteúdo sem prejudicar o todo, o mesmo não acontece com &lt;em&gt;Please say something &lt;/em&gt;(Por favor fale alguma coisa), co-produção da Alemanha e da Irlanda. A psicodelia extrema compromete uma maior apreciação do romance entre uma gata e um rato, bem como de todos os nuances que essa relação pode oferecer, mesmo se passando "num futuro distante".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curta de animação norte-americano &lt;em&gt;Horn dog &lt;/em&gt;(Cão tarado) e o alemão &lt;em&gt;Rikkomus &lt;/em&gt;(Afronta) usam a morte como um dos elementos de desfecho. Os danos daí advindos, não necessariamente prejudiciais, também são insinuados nos filmes. No primeiro, vale destacar as ironias de um roteiro criativo; já no segundo, a dissimulação da protagonista de um enredo com situações pouco originais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos filmes do grupo, o espanhol &lt;em&gt;Cabaret Kadne &lt;/em&gt;(Cabaré Kadne) é o que lida com a morte – e consequentemente com os demais elementos presentes no título do programa – de maneira mais sutil. A utilização de bonecos para retratar os artistas de cabaré que sobrevivem da paixão não poderia ser mais justificada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na tela, assim como fora dela, vão se sucedendo amores e perdas – não necessariamente nessa ordem – captados de diversas formas: breve, poética, confusa, concisa, dissimulada, sutil. Quanto aos danos, são a própria projeção dos outros dois – ou não são nada além disso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-2735637752407816586?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/2735637752407816586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/amor-perdas-e-danos_21.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2735637752407816586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2735637752407816586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/amor-perdas-e-danos_21.html' title='Amor, Perdas e Danos'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCQbrNcDoI/AAAAAAAAALU/AOAOVDKaqjs/s72-c/PSS_21.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-7635299287927145093</id><published>2009-10-21T08:59:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T10:23:01.025-07:00</updated><title type='text'>Dimensões Paralelas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCTtwg2BpI/AAAAAAAAALs/qwZCMD73oRw/s1600-h/a_casa_dos_mortos_internos.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCTtwg2BpI/AAAAAAAAALs/qwZCMD73oRw/s320/a_casa_dos_mortos_internos.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395474767915910802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Maria Doralice Amorim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O cinema atinge sempre o seu melhor quando o homem-cineasta consegue (...) nos fazer entrar no seu sonho". (François Truffaut) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As realidades paralelas foram os grandes destaques do quarto programa da Mostra Competitiva Brasileira, exibido na última terça feira (20/10) na Janela. O primeiro filme da noite, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A casa dos Mortos &lt;/em&gt;(DF, 2009)(foto) &lt;/strong&gt;faz um relato interessante da vida de alguns homens em um Manicômio Judiciário na Bahia. Nesse documentário cinematográfico, a diretora e também antropóloga, Débora Diniz, teve o cuidado de mostrar aquelas pessoas não como mero "objeto de investigação e estudo", mas sim como personagens de uma mesma história que se repetia e, por isso, precisava ser evidenciada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Débora tem grande mérito em abordar um tema um tanto polêmico de forma bastante natural. O filme conseguiu dar visibilidade e voz para um grupo de homens, geralmente, esquecido e entregue a uma mesma realidade, "ao destino de sempre, é que aqui é a casa dos mortos", como dizia Buba (interno) no poema que deu nome ao filme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo filme apresentado, &lt;em&gt;Quarto de Espera &lt;/em&gt;(RS, 2009), não obteve um retorno tão favorável. O filme, de nítidas influências asiáticas, tentou transmitir uma sensação pós-apocalíptica, utilizando-se de ruas desertas, de cores acinzentadas e tendo como personagem de destaque um jovem usando máscara de gás (como se tentasse sobreviver àquela realidade que restava). Na verdade, a produção conseguiu imprimir na platéia uma grande inquietação, a dificuldade de respiração do jovem através da mascara, assim como suas ações em meio a uma cidade vazia, despertaram sensações de inadequação e de intranqüilidade. Talvez tenha sido esse o objetivo dos realizadores ao desenvolverem uma produção com tons tão frios e mórbidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nego Fugido &lt;/em&gt;(BA, 2009), é, antes de tudo, um filme convidativo. Os realizadores tentaram transmitir, da forma mais expressiva possível, à platéia a dramaticidade da manifestação do Nego Fugido, no Recôncavo Baiano. Os jovens apresentados, na produção, são aparentemente "estrangeiros" àquele ambiente e, como os espectadores, tentam entender o caráter representativo da festa. A velocidade da câmara e a montagem ágil das imagens são utilizadas como forma de transmitir, para a sala de cinema, o caráter real e lúdico daquela manifestação. A clara inversão de papéis proposta pelos diretores, onde o jovem decide participar da manifestação diretamente (o branco faz o papel de nego fugido) é o ponto nítido de quebra da barreira entre aqueles que participam e povoam o imaginário da representação e aqueles que não pertencem ao ambiente, mas por alguns instantes, querem entender e compartilhar de uma experiência, aparentemente, tão significativa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último filme da noite, &lt;em&gt;Superbarroco &lt;/em&gt;(PE, 2009) da pernambucana Renata Pinheiro, foi destaque em festivais como o CinePe e a Quinzena dos Realizadores, em Cannes. O Filme consegue, de uma forma belíssima, transpor sensações e mesclar variadas possibilidades visuais para a tela. Como no barroco, Renata trabalhou os contrastes, do real e do imaginário, do alegre e do triste, através de um personagem que já está com uma idade avançada e parece criar um mundo paralelo para dar vida aos seus mais diversos sonhos. A produção é constituída de uma mistura de experimentações visuais, musicais e artísticas que no final dão certo e encantam os espectadores pela beleza com que tudo foi construído. A cena da festa, na qual o personagem real, de Everaldo Pontes, se mistura com projeções de pessoas e músicas, dá uma sensação incrível para platéia, pois, através dela, Renata conseguiu unir dois mundos, duas realidades paralelas em um só momento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-7635299287927145093?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/7635299287927145093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/dimensoes-paralelas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7635299287927145093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7635299287927145093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/dimensoes-paralelas.html' title='Dimensões Paralelas'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCTtwg2BpI/AAAAAAAAALs/qwZCMD73oRw/s72-c/a_casa_dos_mortos_internos.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-855473029197587221</id><published>2009-10-21T06:21:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T10:21:49.000-07:00</updated><title type='text'>Everests Pessoais</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCTFrN2zYI/AAAAAAAAALk/grheYFsWt2c/s1600-h/Two+Ways+-+2009+-+Still+01.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 179px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCTFrN2zYI/AAAAAAAAALk/grheYFsWt2c/s320/Two+Ways+-+2009+-+Still+01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395474079299325314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Gabriela Alcântara&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não quero saber como as coisas se comportam, quero inventar comportamento para as coisas”. A frase, de Clarice Lispector, encontra encaixe em boa parte dos filmes que compõem esse programa do Janela. Levantar a cabeça e continuar lutando, inventar novas formas de viver feliz, superar barreiras, sejam elas impostas pela sociedade, pelo próprio consciente dos personagens, ou físicas. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os dois caminhos a serem seguidos, ir em frente ou desistir, continuar subindo, procurando o topo, eis o tema de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Two Ways&lt;/em&gt; (foto)&lt;/strong&gt;, de Viola Groenhart. Nesse curta, a câmera acompanha dois homens que escalam uma montanha, com dificuldade e cansaço. A partir de certo momento, o clima tenso, e a agonia pairam na sala, que acompanha aflita o respirar ofegante dos personagens, enquanto vê a possibilidade de cair a qualquer momento em uma das pedras escorregadias, e o topo que nunca chega. A técnica usada para filmar o curta é tão interessante - principalmente no enfoque tremido dado às pedras, como o olhar de quem já está andando há tempo demais - que o público se transfere para o papel dos atores, com uma angústia tremenda, um anseio de ver como é o mundo do alto da montanha. A angústia se transforma então rapidamente em decepção, ao perceber que a câmera, ao contrário do esperado, não continua a subir, mas inicia uma descida triste, como se houvesse ali uma espécie de desistência, quando já estávamos (os personagens e o público) tão perto de nosso objetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já &lt;em&gt;Nora&lt;/em&gt;, um dos filmes mais belos do festival, traz uma narrativa inovadora, com performances e danças, que enriquecem a história da dançarina nascida em Zimbabwe. Os cenários são lindos, e o curta apresenta uma visão diferente da que geralmente é mostrada nos filmes que falam de alguma forma do povo do continente africano. Mesmo que não deixe de lado as dificuldades da população, Nora investe num olhar mais alegre, e isso fica claro principalmente graças às danças e performances presentes em algumas cenas, além de leves toques humorísticos utilizados para representar partes da narrativa, como a forma encontrada para mostrar a mudança constante da personagem e seus irmãos, após a separação dos pais. Com a história verdadeira de uma mulher forte, que escolheu não se submeter às expectativas de terceiros, mas inventar para si outro futuro, o filme conta ainda com uma fotografia incrível e tomadas fantásticas, que aumentam o tom poético do curta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo o caminho oposto, &lt;em&gt;A Day in your life&lt;/em&gt; pode levar o espectador a sentir, por vezes, um certo constrangimento, tal é o tamanho da pieguice em algumas cenas. A jovem solitária e triste, que fuma na janela de casa, enquanto o narrador faz observações supostamente "profundas" é tão lugar comum que já não emociona mais. Com uma possível inspiração nos textos de Caio Fernando Abreu, a tentativa de seguir a linha narrativa do escritor e adaptá-la ao cinema, nesse filme, certamente não foi feliz, ganhando um tom extremamente cafona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo após o pequeno desastre, e com título quase idêntico, &lt;em&gt;A Day in a life &lt;/em&gt;vem para emocionar. O curta conta a história de uma senhora que mora em Hong Kong, e passa o dia inteiro trabalhando, na tentativa de sobreviver e dar uma vida melhor à sua neta. O filme de Kwok Zune é triste, e traz à tona a reflexão acerca do tratamento dado aos idosos, que tendem a ser desvalorizados e tratados de forma diferente, inclusive por familiares. Quando a sessão acaba, o público sente o coração apertado, tendo frescas na memória algumas cenas da história da avó que sempre foi uma batalhadora, e não se deixa abater facilmente. Esteve presente também no programa o filme &lt;em&gt;Houna and Manny&lt;/em&gt;, de Jared Katsiane.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-855473029197587221?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/855473029197587221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/everests-pessoais.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/855473029197587221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/855473029197587221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/everests-pessoais.html' title='Everests Pessoais'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCTFrN2zYI/AAAAAAAAALk/grheYFsWt2c/s72-c/Two+Ways+-+2009+-+Still+01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-4422164686392149263</id><published>2009-10-20T10:29:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T10:20:39.951-07:00</updated><title type='text'>Do Lado de Fora Tentando Entrar</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCUQUFnD8I/AAAAAAAAAL0/120VusPPseo/s1600-h/metropolis+ferry.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCUQUFnD8I/AAAAAAAAAL0/120VusPPseo/s320/metropolis+ferry.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395475361580912578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Gianni Paula de Melo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dizeres de Guimarães Rosa, "a gente nunca deve declarar que aceita inteiro o alheio" e esta posição é bastante sensata. As dificuldades de acolher o diferente e aprender a conviver com ele remetem a preconceitos históricos das sociedades, além de uma franca tendência à marginalização de grupos minoritários. Porém, os mesmos personagens que a vida ignora, a arte adota. E se isso não resolve, ainda assim é alguma representação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os quatro curtas-metragens que formaram o programa "Do lado de fora tentando entrar" evidenciam, exatamente, estes personagens que estão à margem. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Metropolis Ferry&lt;/em&gt; (Juan Gautier, Espanha)&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;- foto - &lt;/strong&gt;e &lt;em&gt;Una y otra vez &lt;/em&gt;(Antonio Mendez Esparza, Estados Unidos) apresentaram duas abordagens da situação dos imigrantes. Para uma temática tão conflituosa, mas, ao mesmo tempo, recorrente, é esperado um esforço no sentido de não produzir mais do mesmo. Um esforço que nem sempre é feito. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Metropolis Ferry&lt;/em&gt;, o tratamento violento que os policiais da fronteira concedem a um garoto que tenta entrar ilegalmente no país gera indignação em alguns jovens que estão voltando de viagem. No entanto, o filme mostra como as indignações são temporárias (e tem vida bem curta), pois o personagem David, que ao ajudar o garoto parece obedecer a um anseio da consciência, logo percebe que seu julgamento romântico e seu envolvimento com a situação são arbitrários.      &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Já o curta &lt;em&gt;Una y otra vez &lt;/em&gt; aponta as dificuldades do imigrante, ainda que legalizado, para ser aceito e alcançar alguma importância longe de casa. Uma história que já foi contada várias vezes e que, neste caso, se utiliza de uma fórmula de poucos riscos, mas também de poucos méritos. Enquanto, no primeiro, o sonho da Europa, neste, o sonho da América: nos dois, as velhas expectativas por lugares que solucionam problemas. Não solucionam.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O documentário &lt;em&gt;Was Übrig Bleibt&lt;/em&gt; (Fabian Daub e Andreas Graefenstein, Alemanha) ainda que também retrate personagens que a sociedade ignora, traz na contramão dos primeiros curtas uma sensação de contentamento e ingenuidade. Os dois mineradores ilegais da Baixa Silésia parecem não querer nada diferente do que é – nem no presente, nem no futuro - e a essa sensação soma-se a estética do filme que está sempre sujando a tela com um preto de carvão. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Finalmente, &lt;em&gt;Peau Neuve&lt;/em&gt; (Clara Elalouf, França), o último filme do programa, explorou a rotina democrática dos banheiros públicos, a partir dos vários planos de um mesmo ambiente. Ainda que povoado por figuras extremamente banais, como as dos demais curtas, o filme soou um pouco anacrônico junto aos outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-4422164686392149263?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/4422164686392149263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/do-lado-de-fora-tentando-entrar_20.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4422164686392149263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4422164686392149263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/do-lado-de-fora-tentando-entrar_20.html' title='Do Lado de Fora Tentando Entrar'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCUQUFnD8I/AAAAAAAAAL0/120VusPPseo/s72-c/metropolis+ferry.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-8248857317823945143</id><published>2009-10-20T10:20:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T10:25:29.280-07:00</updated><title type='text'>Interações humanas peculiares</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCVcnXVMxI/AAAAAAAAAL8/Bf61mDFm2pg/s1600-h/We1stPersonPLural2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 256px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCVcnXVMxI/AAAAAAAAAL8/Bf61mDFm2pg/s320/We1stPersonPLural2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395476672425571090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Doralice Amorim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda noite da Mostra Competitiva Internacional (18/10), as Interações humanas foram abordadas na programação da Janela. Ao fim da sessão, alguns da platéia afirmaram não conseguirem evidenciar uma unidade nítida entre os filmes apresentados. Talvez essa diversidade tenha sido o pondo forte da programação. A partir de histórias bastante variadas, foi possível estabelece-se um elo entre os personagens apresentados, suas vidas, seus relacionamentos e conflitos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro filme, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Nós&lt;/em&gt;, 1ª pessoa do plural (Alemanha, 2009)- foto -&lt;/strong&gt;, talvez tenha sido o mais convidativo da sessão. Logo nos primeiros instantes da produção, o personagem fala, diretamente, para público, dando a entender que a partir daquele momento todos, inclusive, os espectadores vão se deparar com histórias e questionamentos comuns aos homens. Esse sentimento de coletivizar o seu filme, no sentido de, através dele, conseguir atingir toda a platéia e incitá-la a fazer também parte daquele universo, está sendo uma constante entre os realizadores da Janela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme universaliza todos, pois trata, essencialmente, de padrões humanos que se repetem, de histórias de amor que tem o mesmo fim, e da previsibilidade que parece ser latente ao homem. A partir de narrações que vão se encaixando, em sintonia, com as imagens apresentadas, a platéia tem a sensação de pertencer àquele meio, de ser talvez uma daquelas pessoas presentes na multidão, de compartilhar as mesmas perguntas. E tenta entender, como o personagem, o que seria necessário para a renovação humana? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dearest&lt;/em&gt;(Canadá, 2008) tratou, em apenas cinco minutos, das interações humanas em seus momentos mais íntimos e efêmeros. O diretor Ian Strang, presente na sessão, ressaltou que teve a idéia para o filme, após ver uma exposição de Monet, e, como o pintor, tentou interpretar e representar os momentos mais fugazes e passageiros da vida, através da sua arte. &lt;em&gt;O Jardim de Inverno &lt;/em&gt;(Inglaterra, 2008), uma animação de dois minutos, também abordou as relações humanas diretamente. De uma forma bastante sutil e engraçada, os personagens tentam superar o tédio e chateação e os espectadores se rendem as risadas. Talvez por entenderem o quanto uma tarde aparentemente tranquila pode ser monótona.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite foi encerrada com uma produção portuguesa bastante simpática e mágica. &lt;em&gt;Canção de Amor e Saúde&lt;/em&gt;(Portugal, 2009) conta a história de um homem em busca amor. O personagem, João, é o único funcionário de um estabelecimento comercial de chaves e sua vida fundamenta-se na possibilidade do encontro amoroso. Seu trabalho, mesmo desinteressante, é o ponto de partida para a sua realização. O colorido, as músicas e os comportamentos dos personagens, fazem do filme uma produção peculiar e interessante, onde o real e o fantástico se misturam e o sonho ganha um destaque singular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme &lt;em&gt;Jade &lt;/em&gt;(Inglaterra, 2009), de Daniel Elliot, também foi apresentado na sessão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-8248857317823945143?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/8248857317823945143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/interacoes-humanas-peculiares.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8248857317823945143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8248857317823945143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/interacoes-humanas-peculiares.html' title='Interações humanas peculiares'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCVcnXVMxI/AAAAAAAAAL8/Bf61mDFm2pg/s72-c/We1stPersonPLural2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-570781550740570524</id><published>2009-10-20T07:07:00.001-07:00</published><updated>2009-10-22T10:30:27.553-07:00</updated><title type='text'>Do Lado de Fora Tentando Entrar</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCWgMLkwBI/AAAAAAAAAMM/no3H121kkR8/s1600-h/Una+y+otra+vez+Still+2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCWgMLkwBI/AAAAAAAAAMM/no3H121kkR8/s320/Una+y+otra+vez+Still+2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395477833359605778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Bento Gonçalves&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira atração, &lt;em&gt;Metropolis Ferry&lt;/em&gt;, trata-se uma obra no mínimo provocativa. O enredo não se preocupa em ser bastante desenvolvido, possuindo uma função essencialmente utilitária: situar o espectador temporalmente e localmente; assim como, sobremaneira, fornecer o mote dramático ao desenvolvimento do argumento. Os aspectos técnicos da obra são competentes na medida de expor a evolução argumentativa desta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando de uma viagem ao Marrocos, jovens espanhóis, dentre os quais um aspirante a advogado, testemunham a detenção de um menor de idade marroquino que tenta migrar à Espanha e decidem auxiliá-lo. Até este momento, os papeis narrativos encontram-se bastante delineados, até certo ponto beirando ao clichê: os jovens - herois visionários, lutando pela justiça; contra os policiais – caracterizados como forças antagonistas. Trata-se, sobretudo, do idealismo ingênuo versus o realismo e pragmatismo. Dicotomia também presente na idealização dos sonhos e planos do migrante e o choque com a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o espanhol tenta persuadir o imigrante de que a ideia que possui da Europa não passa de uma ilusão midiática ("A Europa é uma mentira."), eis que recebe a resposta e, numa fantástica reviravolta argumentativa, o jovem assume as falácias que por tanto tempo acreditou e defendeu; passando por um processo de crise de consciência e posterior amadurecimento de forte carga realista. Dotando a obra de dimensões psico-sociológicas sobremaneira mais abrangentes. Impressionante. &lt;br /&gt;E, lavando suas mãos, o jovem entrega o menor aos cuidados policiais, como quem deixa para trás a ingenuidade da juventude e encara a vida adulta, com todas as abdicações românticas que ela demanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inércia. Eis o termo que melhor se adéqua à situação dos protagonistas do segundo curta exibido, &lt;em&gt;Deixados para Trás&lt;/em&gt;, obra alemã que foca o cotidiano de dois mineiros habitantes da Baixa Silésia. Contrastando com película anterior, que versa sobre evolução e (pelo menos tentativa de) superação das dificuldades decorrentes de um status quo hostil, aqueles aparentemente encontram-se estáticos no tempo, vivenciando um processo de auto-decadência e autodestruição. A obra possui um tom documental mais acentuado, cuja fotografia é fortemente influenciada pelos tons acinzentados, recorrendo à mente do espectador falta de perspectiva de vida (cor). Competente interação plástica entre o argumento e o meio em que os personagens vivem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dando continuidade à noite, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Uma e Outra Vez &lt;/em&gt; (foto) &lt;/strong&gt;recorre à sessão o tema de imigrantes. Neste, a dicotomia entre evolução e conformismo parece funcionar como núcleo sintetizador das obras anteriores. A linguagem falada converte-se num catalisador a tal argumento – enquanto imigrantes mexicanos, o casal protagonista não domina o inglês e, assim sendo, toda a obra é falada em espanhol. Fato somente quebrado numa breve cena, na qual ela começa a aprender a língua, a fim de evoluir e alterar o meio sofrível em que vive. Enquanto ele, sem grandes perspectivas econômicas, contenta-se com o (muito) pouco que possui. Atos divididos de maneira didática conferem à obra um tom um levemente jocoso, quebrando o clima sociológico de sua temática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Findando a sessão, temos o divertido &lt;em&gt;Pele Nova&lt;/em&gt;, como resultado de todo um processo abordado nos três curtas anteriores: a diversidade étnica fruto da Globalização. É muito curioso assistir ao desfile de tipos humanos, os mais comuns possíveis. Trata-se de uma quebra no tom mais solene das obras anteriores, e uma ótima maneira de encarar um tema tão vasto. Neste mundo que, felizmente, tanto insiste em mudar e formar tantas novas peles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-570781550740570524?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/570781550740570524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/do-lado-de-fora-tentando-entrar.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/570781550740570524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/570781550740570524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/do-lado-de-fora-tentando-entrar.html' title='Do Lado de Fora Tentando Entrar'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SuCWgMLkwBI/AAAAAAAAAMM/no3H121kkR8/s72-c/Una+y+otra+vez+Still+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-5460354913252850892</id><published>2009-10-20T06:56:00.000-07:00</published><updated>2009-10-20T07:00:23.215-07:00</updated><title type='text'>As Imagens Doce-Amargas</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Por George Carvalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cotidianos adocicados pelo cinema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Personagens em foco, carregados de poesia. Seja ela mais urbana e contemporânea, como a que aparece em &lt;em&gt;A mulher biônica&lt;/em&gt;, mais ingênua e graciosa, como a de &lt;em&gt;Sweet Karolyne&lt;/em&gt;, ou ainda mais dócil e romântica, como a que cerca a relação dos personagens em &lt;em&gt;O teu sorriso&lt;/em&gt;. Esse é o mote do programa "As imagens doce-amargas", que integra a mostra competitiva brasileira do Janela Internacional de Cinema do Recife, em sua segunda edição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além desses três filmes, há ainda um quarto, &lt;em&gt;Matryoshka&lt;/em&gt;, cuja poética lida com a perda de identidade que sucumbe à protagonista, tal como a lenda da boneca russa que nunca cumpriu a finalidade para a qual foi confeccionada, apesar do seu destino não parecer tão ruim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oriundos dois deles do Ceará, um da Paraíba e outro do Rio de Janeiro, o conjunto de sensações que esse bloco permite ao espectador vai do riso espontâneo diante da simplicidade de uma garotinha que tem como animal de estimação um galo chamado Jarbas, ao prazer despretensioso pela vida quando é projetada na tela a intimidade de um experiente casal ratificando, enamorados que estão, que não há idade para ser feliz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tela, uma sucessão de histórias com pitadas amargas transmitidas com poesia e doçura: uma criança que sabe bem pouco da vida e fala da morte com aquela naturalidade que só possui quem não conhece o sentimento de perda que aquele substantivo denota; uma mulher que descarrega sexualmente, com um desconhecido, no cinema, as tensões advindas de um cotidiano opressor. E a cada projeção o público vai sendo conquistado, se deixando envolver pelas histórias e personagens retratados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem a pouca desenvoltura técnica do elenco de &lt;em&gt;A mulher biônica &lt;/em&gt; compromete esse envolvimento, cujo ápice de consolidação se dá mesmo no último filme do bloco. Aliada a competência de Paulo José e Juliana Careiro da Cunha, o universo de &lt;em&gt;O teu sorriso &lt;/em&gt; parece ultrapassar a tela, contagiando a sala de exibição pela simples possibilidade daquilo retratado por Pedro Freire ser verossímil, plausível, contínuo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, na ordem em que são exibidos, o filme de Salomão Santana, &lt;em&gt;Matryoshka&lt;/em&gt;, sai um tanto quanto prejudicado. Intercalado entre o relato despretensioso de Karolyne e companhia, captado por Ana Bárbara Ramos, e o sorriso sublime de Freire, a linguagem singela e sutil de Salomão acaba por representar uma quebra brusca de ritmo e continuidade do bloco de filmes, a qual não passa despercebida pelo público. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E diante da poesia e do amargor do dia-a-dia ali revelados, esse bloco de curtas brasileiros traz a certeza de que o olhar cinematográfico é uma das melhores maneiras de adocicar a vida. Mesmo que seja a dos outros, pois esse é um pré-requisito para se colocar como numa janela, apenas a observar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-5460354913252850892?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/5460354913252850892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/as-imagens-doce-amargas_20.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5460354913252850892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/5460354913252850892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/as-imagens-doce-amargas_20.html' title='As Imagens Doce-Amargas'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-8633084191649538429</id><published>2009-10-20T06:41:00.000-07:00</published><updated>2009-10-20T06:45:43.032-07:00</updated><title type='text'>Sensações de Inadequações</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Por João Roberto Cintra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A DISNEY NÃO É AQUI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É peculiar que em uma sessão chamada "Sensações de Inadequação" três histórias sejam sobre crianças - e a última sobre um adolescente. O saudosismo que costumam ter os adultos sobre essa fase fantasia a tensão e a solidão de quem ainda está nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Laurita&lt;/em&gt;, de Roney Freitas, a leve, mas presente, sensualidade de uma menina de 11 anos dá o tom da consciência (ou despertar dessa) do próprio corpo e do mundo. Várias mulheres dialogam ao longo do filme, em um encontro que coloca em evidência o universo feminino pela analogia da disputa pela voz da família naquele espaço reunida: de repente as brincadeiras de infância não acabaram, ou são preparações para as relações de poder da vida adulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A animação &lt;em&gt;O menino que plantava invernos&lt;/em&gt;, de Victor-Hugo Borges, é para quem vê uma referência clara ao universo soturno de Tim Burton ("A noiva cadáver").  Um menino tem os pais mortos antes de nascer e quer trazer um inverno severo para espantar o dragão que, acredita ele, matou seus pais. Uma animação competente e bem realizada, sombria no tema e nos traços dos personagens, que ainda usa do cinismo e humor negro para dar vida (!) à família improvável de pais mortos e do filho "vivo demais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com "O presidente" a diretora Luiza Farale, presente na sessão, monta uma trama aparentemente simples sobre um menino cujo sonho é ser presidente dos Estados Unidos, e quer usar óculos porque acha que os presidentes usam. Entretanto, existem inseridas pequenas situações contraditórias, de amor e ódio: uma senhora que mantém um gato de estimação, apesar de ficar sempre arranhada; ou da mãe do menino, entre o dever de mãe e o desejo de mulher. Nesse meio tempo, o menino tenta dar um foco para sua vida, procurando diferentes óculos, enquanto que seu sonho não é levado a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último filme, “Nº 27”, competente trabalho de Marcelo Lordello, uma situação simples de desconforto toma grandes proporções para um adolescente que não sabe o que fazer. Trancado no banheiro, tenso e com vergonha, ele é confrontado pelos colegas e pela própria cabeça - evidenciado pela insistente câmera no seu rosto - cuja vontade é apenas de sumir. Situações de bullying (violência física ou psicológica comuns na adolescência) mostram a crueldade que o universo juvenil pode trazer, transformada na disfarçada indiferença dos pais, cuja preocupação com o filho é de ordem mais "logística" (passar de ano, fazer provas) do que de bem-estar. O diretor ainda chama atenção para o sistema de educação simbolizada pela prova de múltipla escolha – uma educação "bancária" no termo cunhado por Paulo Freire e na sua relação também com o sistema capitalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Walt Disney fez um bom trabalho minimizando o lado sombrio que existia nos contos de fada em sua origem. Mas nem sempre ele está presente para fazer finais felizes. Às vezes a arte imita a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-8633084191649538429?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/8633084191649538429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/sensacoes-de-inadequacoes.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8633084191649538429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/8633084191649538429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/sensacoes-de-inadequacoes.html' title='Sensações de Inadequações'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-2905819793990663284</id><published>2009-10-19T07:39:00.000-07:00</published><updated>2009-10-20T06:41:08.133-07:00</updated><title type='text'>Sensações de Inadequação</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Por Gabriela Alcântara&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tal da adaptação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo até agora o melhor programa deste Janela, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sensações de Inadequação&lt;/span&gt; traz filmes pessoais, que dialogam e conquistam o público pela grande semelhança que têm com ele, com as situações difíceis que todos passam ou passaram no dia-a-dia, na tentativa de adaptar-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para alguns, a escola é o ambiente mais cruel quando se trata da tentativa de busca de identidade, de se encaixar. É assim que começa a narrativa de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;nª 27&lt;/span&gt;, de Marcelo Lordello. O curta conta a história de Lucas, aluno do ensino médio, que tem dor de barriga durante uma prova, e se tranca no banheiro do colégio. Com a câmera focada a maior parte do tempo em Caio Almeida, que interpreta o personagem Lucas, o filme tem um clima tenso, já que a partir de uma série de desventuras o menino não quer deixar que ninguém entre no banheiro. Cria-se então uma grande confusão na instituição, que acaba com o personagem saindo do banheiro escoltado pelo coordenador, enquanto vários outros alunos do colégio saem correndo atrás deles, entre gritos e brincadeiras de mau gosto. O filme segue mostrando como a maioria dos adolescentes não tem noção do limite de crueldade, e como alguns pais não se dão conta do impacto de alguns acontecimentos na vida de seus filhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspirado numa história real, que aconteceu com um amigo de Marcelo, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;nª 27 &lt;/span&gt; toca de forma interessante muitos espectadores que também foram vítimas de bullying, levantando inúmeros questionamentos, principalmente acerca da metodologia de ensino na maioria dos colégios de hoje, e na forma como eles tratam os seus alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O menino que plantava invernos&lt;/span&gt;, Victor-Hugo Borges fala da adaptação de uma forma diferente dos outros curtas que compõem o programa. Com um estilo de animação sombrio, porém fofo, que lembra claramente os traços do cineasta americano Tim Burton, Victor nos apresenta o conto de um menino que nasceu de um casal de defuntos, vítimas de um dragão. Como acredita que o dragão seja de fogo, ele pensa que pode matar a criatura e recuperar a alma de seus pais, se trouxer à terra um rigoroso inverno. Para conseguir "cultivar" o inverno, o menino planta uma pedra de gelo, mas acaba descobrindo que o problema não está no fato de seus pais serem dois cadáveres, e sim em outra coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ironias diante dos desenhos sombrios e com cenas que geralmente apresentam cores escuras, mas com uma história delicada e divertida, o curta ajuda a descontrair o público diante do drama dos outros filmes da sessão, mas não por isso deixa de criar reflexões no espectador, provando mais uma vez que animação também é coisa de gente grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seleção traz ainda os curtas &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Laurita&lt;/span&gt;, de Roney Freitas, e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Presidente&lt;/span&gt;, de Luiza Favale. Contando com interpretações incríveis das crianças, que praticamente sustentam os filmes envolvidos nessa mostra, principalmente nesses dois, conhecemos diferentes casos que ocorrem todo dia, e que casam perfeitamente com o título da sessão, com histórias que caminham juntas, onde os personagens fazem uma busca por uma coisa aparentemente simples: a aceitação da sociedade que os cerca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-2905819793990663284?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/2905819793990663284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/sensacoes-de-inadequacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2905819793990663284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2905819793990663284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/sensacoes-de-inadequacao.html' title='Sensações de Inadequação'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-4781397749353823067</id><published>2009-10-19T07:23:00.000-07:00</published><updated>2009-10-19T07:26:43.734-07:00</updated><title type='text'>O Teu Sorriso</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Por Gianni Paula de Melo &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A transa apaixonada que abre o curta &lt;em&gt;O teu sorriso &lt;/em&gt;, de Pedro Freire, assim como as declarações e mimos mútuos dos seus personagens, são próprios dos inícios de namoros. Suzana tem 60 anos e Rodrigo 72, mas eles não se conheceram ainda jovens, nem se casaram e nem tiveram filhos. Namoram há apenas um mês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme, que já havia sido exibido no Festival de Gramado deste ano, é um elogio à passagem do tempo e desmonta certo estereótipo que construímos sobre relacionamentos. O desenrolar do enredo nos mostra a leveza com que os personagens encaram o envelhecimento, os cabelos brancos e os novos limites do corpo.&lt;br /&gt;Atores de rostos familiares, Paulo José e Juliana Carneiro Cunha interagem com certa doçura e a encenação deles intensifica a naturalidade daquela relação. Os personagens se mostram "felizes pra caralho", mas sem a urgência dos jovens amantes. Como em música de Caetano Veloso, "sem desespero, sem tédio, sem fim". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um enredo linear, o filme todo se passa em um apartamento, a história é bem executada e os diálogos são felizes pelo teor espontâneo. Se comparada a maioria dos curtas exibidos no Janela até agora, em geral mais inventivos, a construção da narrativa em &lt;em&gt;O teu sorriso &lt;/em&gt; remete às produções mais comerciais do cinema brasileiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No entanto, cumpre ao que se propõe. Em 12 minutos de romance, o público pode repensar, a partir da história de Suzana e Rodrigo, o próprio enfretamento com a idade e perceber que sempre é tempo de [re]começar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-4781397749353823067?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/4781397749353823067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/o-teu-sorriso.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4781397749353823067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4781397749353823067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/o-teu-sorriso.html' title='O Teu Sorriso'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-1028986241555812641</id><published>2009-10-18T10:30:00.001-07:00</published><updated>2009-10-18T12:28:10.628-07:00</updated><title type='text'>As Imagens Doce-Amargas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SttpPyst6II/AAAAAAAAAJE/GG9Q1jt7t8k/s1600-h/A+Mulher+Bionica+2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SttpPyst6II/AAAAAAAAAJE/GG9Q1jt7t8k/s320/A+Mulher+Bionica+2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394020698734585986" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Foto: A Mulher Biônica)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Doralice Amorim &lt;/strong&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Mulher Biônica &lt;/em&gt;(CE, 2008) de Armando Praça, deu início ao segundo programa da Mostra Competitiva Brasileira, na noite de sábado (17-10-09). O diretor foi feliz ao trabalhar a idéia da força da mulher biônica em contraponto com uma personagem que é, na verdade, sofrida e infeliz. Marta é construída em função dos seus dilemas, na sua convivência com os outros e consigo mesma. Os espectadores têm a impressão de estarem contemplando as ações e lembranças, não só da personagem, mas de diversas outras mulheres que são obrigadas a desenvolverem superpoderes para enfrentarem a realidade em que vivem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com grande entusiasmo, o público recebeu &lt;em&gt;Sweet Karolynne &lt;/em&gt;(PB, 2009) de Ana Bárbara Ramos. O documentário apresenta, com uma abordagem bastante dinâmica e interessante, a jovem Karolynne, uma criança que esbanja maturidade e frases de efeitos, incomuns para a sua idade. O universo curioso ao qual Karolynne pertence, povoado pelo galo Jarbas e pelo pai que faz cover de Elvis Presley, é desenvolvido em segundo plano. É interessante observar como a precocidade e a ingenuidade de uma criança podem ser tão encantadoras quando apresentadas juntas. Karolynne é um exemplo de criança que tem muito a ensinar aos mais velhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Matryoshka &lt;/em&gt;(CE, 2009) filme de Salomão Santana, presente pela segunda vez na Janela de Cinema (seu polêmico filme Jarro de peixe inquietou o público ano passado), trabalhou o sentir-se estrangeiro em seu próprio país, o não ter identidade com a sua terra, com a sua origem. O cineasta tentou construir, através da sua personagem, a idéia do "existir na frente da câmara" e da coletividade, da criação de um vínculo entre o filme e o público (desejo explicitado pelo próprio Salomão em debate após a sessão). Os espectadores não deram sinal e não há como se afirmar se tal expectativa foi alcançada. Talvez, o clima de solidão e de busca por uma identidade, tenha captado alguns da platéia, ao mesmo tempo em que, foi indiferente para outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite foi encerrada com o filme mais belo e simpático da programação, &lt;em&gt;O teu sorriso &lt;/em&gt;(Rio de Janeiro, 2009) de Pedro Freire, contou com um elenco de destaque (Paulo José e Juliana Carneiro da Cunha). O estranhamento de se deparar com um casal que começou a namorar, ele com 72 anos e ela com 60, é logo substituído pelo interesse e pela curiosidade em compreender e observar a construção daquele romance. Em doze minutos, a platéia tem a sensação de conhecê-los. Entre risos e declarações eles dão dicas de como eram no passado e de como pretendem construir um futuro juntos. O encantamento do público é nítido, durante o filme, pelo contato com um amor tão real e palpável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-1028986241555812641?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/1028986241555812641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/as-imagens-doce-amargas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1028986241555812641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1028986241555812641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/as-imagens-doce-amargas.html' title='As Imagens Doce-Amargas'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SttpPyst6II/AAAAAAAAAJE/GG9Q1jt7t8k/s72-c/A+Mulher+Bionica+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-4227980913165833711</id><published>2009-10-18T10:26:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T12:52:03.800-07:00</updated><title type='text'>Eu me Lembro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SttrCdA64kI/AAAAAAAAAJU/bdFa7kyL4Y0/s1600-h/Olhos_de_Ressaca.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SttrCdA64kI/AAAAAAAAAJU/bdFa7kyL4Y0/s320/Olhos_de_Ressaca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394022668598698562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Foto:Olhos de Ressaca)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ENTRE RECORDAÇÕES E SURTOS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por João Roberto Cintra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro dia de mostra competitiva, de álbuns de família a história de boêmios são mostrados no primeiro bloco brasileiro. Em &lt;em&gt;Olhos de Ressaca&lt;/em&gt;, um casal fala sobre momentos, seus filhos, a passagem de tempo, etc. através da colagem de imagens antigas e de época, como em um álbum de família que é folheado.  Apesar da identificação inicial com as histórias, que poderiam ser de qualquer pessoa, fica enfadonho ver 'todas' as fotos de quem não se conhece, e o lirismo inicial se perde um pouco pelo tempo excessivo do filme. Já o álbum de família de &lt;em&gt;9800175056 &lt;/em&gt; é estranhamente desfeito: imagens antigas de família são decompostas na tela, o que gera desconforto no expectador, principalmente depois de ter visto o romantismo do filme anterior. Os efeitos sonoros disformes, abafados, dão o tom que vai desde a destruição até a lembrança de um útero materno, em que tudo se refaz e se desmonta - até que a imagem de um bebê se materializa, o próprio diretor, cujo título do filme remonta a sua carteira de identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Três tabelas&lt;/em&gt; é centrado em depoimentos de três personagens que falam da sua relação com seus bairros, todos jogadores de sinuca, celeiro de contadores de história e boêmios. Com tantos personagens em foco, o filme se perde pelo tempo curto, e que no final não diz a que vieram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois surtos acontecem em &lt;em&gt;As sombras&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;A montanha mágica&lt;/em&gt;. No primeiro, o estado mental de uma paciente em crise, assistida pelo marido e por uma psiquiatra, determina sua relação com a sua consciência, percepção do mundo (como o devaneio pela floresta) e suas lembranças, que esvaem pelo uso do medicamento. É instigante pensar numa história com recordações que a contragosto se perdem, ainda mais em um bloco cujo tema está em evidência. Isolado talvez não funcione tão bem. Parques de diversão, comuns no interior do Nordeste, eram o tema de &lt;em&gt;A montanha mágica&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o foco é deslocado para as memórias do próprio diretor sobre um fato de infância na roda gigante (a tal montanha mágica): não se sabe se o que lembra aconteceu realmente ou foi fruto de sua imaginação, ou de histórias de terceiros. O surto agora é do diretor/personagem ao ponto do espectador pensar se ele não esperou voltar à razão para terminar o filme. Isso explicaria a última metade, uma confusão que termina com a Nona Sinfonia de Beethoven.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último filme, &lt;em&gt;Minami em close-up – A Boca em revista&lt;/em&gt;, traça um criativo e bem humorado perfil da revista 'Close up', fundada por Minami Keizi, que retratava o cinema marginalizado produzido na Boca do Lixo, em São Paulo. O filme traz depoimentos do autor e de produtores, atrizes, etc. que faziam o cinema com foco em cenas de sexo &lt;em&gt;light &lt;/em&gt; (mais conhecidas como 'pornochanchadas'), abominado pela crítica, mas com público cativo e fiel. O documentário ganha ritmo com a inserção de trechos dos filmes da época, que traduz a empolgação com que falam seus realizadores, sem nostalgia piegas. Bom recurso, mas que desvia um pouco do tema central, a revista. Mas, apesar disso, não compromete a empatia com o público no final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-4227980913165833711?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/4227980913165833711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/eu-me-lembro_18.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4227980913165833711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4227980913165833711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/eu-me-lembro_18.html' title='Eu me Lembro'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SttrCdA64kI/AAAAAAAAAJU/bdFa7kyL4Y0/s72-c/Olhos_de_Ressaca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-2942113851218424312</id><published>2009-10-18T09:31:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T12:38:55.308-07:00</updated><title type='text'>Eu Me Lembro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/StttsbjdtKI/AAAAAAAAAJc/fADTkQHEZFs/s1600-h/Montanha+M%C3%A1gica+2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 210px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/StttsbjdtKI/AAAAAAAAAJc/fADTkQHEZFs/s320/Montanha+M%C3%A1gica+2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394025588784477346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O PODER DA MEMÓRIA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Gabriela Alcântara&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante do nome desse programa, o público do Janela parece saber o que esperar. Parece. Porém, durante a sessão, é notável o peso da memória na vida dos espectadores. O ar fica com outro clima, e um gosto de saudade habita a boca.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A saudade acerta os cinéfilos em cheio nos dois primeiros curtas, &lt;em&gt;Olhos de Ressaca &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;A Montanha mágica&lt;/em&gt; (foto). O primeiro conta a história de Vera e Gabriel, com todos os seus nuances. Na tela, os dois divagam sobre coisas como o início do romance, o nascimento dos filhos, o envelhecer. O filme tem uma narrativa leve, exalando ternura, como se o amor do casal transbordasse, tomando conta da sala. Gabriel começa a contar a história com um pedaço do livro Dom Casmurro, de Machado de Assis, onde Bentinho fala sobre os olhos de ressaca de Capitu. A técnica de inserir narrativas literárias é repetida ao longo do curta, dando a ele um tom de romance diferente, encontrado principalmente nos livros antigos. A trilha sonora, que conta com "Valsa para Lua", de Vitor Araujo, ajuda a transportar e conectar o público, fazendo com que ele sinta vontade de encontrar também um par de “Olhos de ressaca”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em &lt;em&gt;A Montanha mágica&lt;/em&gt;, esse sentimento ganha um tom diferente. O espectador sente falta de sua infância, dos parquinhos viajantes, dos passeios em família. Uma sensação de calma paira sobre a sessão, como se por um instante todos estivessem dentro do filme, brincando no parquinho, na roda gigante, que é a montanha mágica do diretor. Quando ele volta para o parque, é como se o público voltasse também, e apesar do silêncio dos brinquedos desligados, era como se tudo estivesse mais vivo do que nunca, como se todos tivessem seis anos novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do passado ao presente. De onde viemos? Em que se baseia a nossa formação? Essas são as perguntas feitas e respondidas por Felipe Barros, em seu curta &lt;em&gt;98001075056&lt;/em&gt;. Tratando de forma belíssima o tema, Felipe optou por um filme sem diálogos, onde as fotos de sua família, e dele quando criança, vão se desmanchando, virando pequenas partículas que, no final, se unem para mostrar uma foto do homem de hoje, com uma identidade ainda em formação. O título do filme, que pode parecer estranho e aparentemente sem motivo, logo se explica, é o número do RG de Felipe, escolha inteligente para dar nome ao curta que trata da busca que todos fazem: o "quem sou eu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa contou ainda com &lt;em&gt;Três tabelas&lt;/em&gt;, que utiliza a técnica de stop motion em alguns momentos, contando a história de três personagens que, entre uma cervejinha e um jogo de sinuca, falam de seus bairros, das mudanças que ocorreram, do carinho que sentem pelo lugar onde moram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;As Sombras&lt;/em&gt;”, cinema dedicatória para o diretor Walter Hugo Khouri, em especial para o seu filme ‘A Deusas’, o público conhece a relação entre uma mulher que passa por uma crise psicótica, seu marido e sua psiquiatra. A angústia e a solidão tomam conta da sessão, o medo do desconhecido. Um dos diálogos do filme permanece no ar, com uma pergunta que aparentemente não pode ser respondida, quando a psiquiatra diz que está tudo na cabeça de sua paciente, e Ângela então retruca: “E o que não está?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechando a sessão, o curta &lt;em&gt;Minami em Close-Up - A Boca em revista&lt;/em&gt; homenageia a revista 'Cinema em Close-up', de Minami Keizi, que era um sucesso nos anos 70. A revista é um dos poucos casos em que um veículo é especializado em apenas um movimento cinematográfico, o cinema da Boca do Lixo e seus personagens. Resgatando de forma engraçada uma parte esquecida do cinema paulista, o filme traz a reflexão acerca da preservação de nossa memória cinematográfica, principalmente quando se trata do cinema tido como "marginal", que precisa de cuidados, antes que tudo se perca, ficando apenas na memória daqueles que o viveram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-2942113851218424312?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/2942113851218424312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/eu-me-lembro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2942113851218424312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2942113851218424312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/eu-me-lembro.html' title='Eu Me Lembro'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/StttsbjdtKI/AAAAAAAAAJc/fADTkQHEZFs/s72-c/Montanha+M%C3%A1gica+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-4488857565873381243</id><published>2009-10-18T09:18:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T12:46:07.284-07:00</updated><title type='text'>Amor, Perdas e Danos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SttvY5NICZI/AAAAAAAAAJs/aoyWAe5QGyg/s1600-h/noche+adentro2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SttvY5NICZI/AAAAAAAAAJs/aoyWAe5QGyg/s320/noche+adentro2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394027452169718162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Doralice Amorim &lt;/strong&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro programa escolhido para iniciar a Mostra Competitiva Internacional de curtas metragens, na Janela, possuiu uma unidade distinta. Todos os filmes apresentados eram bastante diferentes, mas conseguiram retratar, ao seu modo, as mais diversas relações amorosas e os seus mais distintos desfechos. A escolha desses curtas foi bastante feliz e abrangeu de forma eficaz a proposta do programa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Noche Adentro &lt;/em&gt; - foto (Paraguai, Argentina, 2009) do paraguaio, Pablo Lamar, presente na sessão, foi, sem dúvida, o filme mais questionado da noite e que despertou uma maior inquietação na platéia. O cineasta, ganhador da Mostra Competitiva Internacional no ano passado, contou uma história de amor peculiar, marcada pela violência e pela morte. O controverso "plano da vagina" desperta certa inquietação, ao mesmo tempo em que, suscita uma série de reflexões e questionamentos, nesse momento, o público, apresentado antes a uma festa de casamento, é convidado a refletir sobre o que poderia ter acontecido com aquele casal. Lamar insistiu, no debate realizado após a sessão, no desejo de construir um filme que "acontecesse na sala", que criasse uma relação com o espectador e sugerisse uma série de perguntas e discussões. A proposta de Noche Adentro não aceita um público cômodo, que se contenta somente com as idéias expostas no filme, assim Lamar tentou despertar o interesse em ir além, em buscar respostas. É interessante observar também até que ponto os espectadores conseguem envolver-se com determinados filmes. A proposta do diretor em tentar aguçar essa relação entre platéia e filme é bastante curiosa e foi relativamente bem aceita pelo público da Janela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o filme &lt;em&gt;Sonhos da Floresta &lt;/em&gt;(Suécia, 2009), uma animação sueca, tratou de forma mais suave e simples o amor e a perda. Na produção são apresentados a moça, o pássaro e a morte, personagens que têm os seus caminhos cruzados em um cenário bastante sombrio. Outra animação da noite, &lt;em&gt;Cão Tarado &lt;/em&gt;(Estados Unidos, 2009), de Bill Plympton, faz parte da conhecida série canina, indicada ao Oscar. O filme retrata, de uma forma bastante agradável, a tentativa de um cão em conquistar o amor de sua vida. Plympton é famoso pelos seus filmes e por conseguir, através do humor, desenvolver histórias interessantes e que geralmente agradam o público. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por favor fale alguma coisa &lt;/em&gt;(Alemanha/Irlanda, 2009), também uma animação foi outro ponto interessante da noite. Os conflitos amorosos são amplamente trabalhados no filme, a partir da relação entre uma gata e um rato, e a mistura de humor e drama intensifica o caráter humano da animação. Entre brigas e reconciliações, o casal, inconcebível junto pela diferença de espécies, vive o cotidiano de qualquer casal, um dos motivos, talvez, por ter agradado o público. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Afronta &lt;/em&gt;(Alemanha, 2009) retrata um amor abusivo, onde a personagem Helena se vê presa em um relacionamento, marcado pela dependência e faz de tudo para tentar mudar o seu destino. O seu diário onde escreve lembranças inventadas é o seu elo com os momentos que queria ter vivido. O preto e o branco do filme, assim como as músicas e os planos, que parecem confrontar a personagem, ajudam na construção uma história de irrealizações, frustrações e tentativas de buscar a felicidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Último filme da noite, &lt;em&gt;Cabaré Kadne &lt;/em&gt;(Espanha, 2008), fecha o ciclo com um ar de perda e romantismo. Como nas outras produções, a contemplação do amor foi apresentada juntamente com a idéia de separação. Através das histórias de amor, de morte e dos conflitos apresentados no programa, todos os personagens criam uma espécie de vínculo, dividido, muitas vezes, com a platéia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-4488857565873381243?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/4488857565873381243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/amor-perdas-e-danos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4488857565873381243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/4488857565873381243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/amor-perdas-e-danos.html' title='Amor, Perdas e Danos'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/SttvY5NICZI/AAAAAAAAAJs/aoyWAe5QGyg/s72-c/noche+adentro2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-9116361482907504388</id><published>2009-10-18T08:09:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T12:51:05.792-07:00</updated><title type='text'>Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/Sttxmk3pKNI/AAAAAAAAAJ0/qEbqqYpZGCY/s1600-h/viajoporque.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 171px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/Sttxmk3pKNI/AAAAAAAAAJ0/qEbqqYpZGCY/s320/viajoporque.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394029886252329170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Doralice Amorim &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajo porque preciso, (não) volto porque (ainda) te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um filme de amor e de estrada. Foram essas as palavras do diretor Marcelo Gomes, na noite de ontem (16-10-09), durante a abertura do Festival Janela Internacional de Cinema, sobre o seu novo filme, dirigido em parceria com Karim Ainouz, Viajo porque preciso, volto porque te amo.  A obra é constituída de imagens e registros adquiridos, nos últimos dez anos, em estradas e colações no interior do nordeste e, finalmente, teve sua estréia em agosto de 2009, no Festival Internacional de Cinema de Veneza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gomes e Ainouz conseguiram transpor para o seu filme a atmosfera do sertão a partir de imagens, que muitas vezes parecem ter sido feitas pelo próprio José Renato (personagem principal interpretado por Irandhir Santos), que vai narrando, como se estivesse dirigindo-se para alguém (talvez para o próprio público), as suas sensações e sentimentos, ao longo da dura viagem que realiza por paisagens estagnadas no tempo. O sertão é trabalhado não como local de denúncia, mas como um ambiente próprio para a reflexão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O geólogo, José Renato iniciou a sua viagem, primeiramente, porque precisava realizar um projeto a trabalho e deixou, em casa, a sua "Galega". Ao longo da travessia, ele se depara com um ambiente árido, sem cores e, muitas vezes, imóvel. A câmara parada em algumas cenas intensifica a sensação de imutabilidade daquela paisagem e aguça o sentimento de solidão e de desespero do personagem para acabar logo a viagem e ver a sua mulher amada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curioso analisar, como ao longo do filme, José Renato faz reflexões que se encaixam perfeitamente com a paisagem retratada naquele momento. E como as pessoas que ele encontra na beira da estrada ou em pequenas cidades têm, de diferentes formas, relações com a sua própria história. A solidão acaba sendo um elo entre o personagem, a paisagem e os habitantes daqueles lugares. Os espectadores também são atingidos por esse vinculo, seja por terem vivido momentos como os daquelas pessoas ou por terem as mesmas aspirações. "Quero uma vida de lazer", disse uma das mulheres que aparecem no filme. Não há como ficar indiferente àquelas imagens e histórias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem fica mais longa que o esperado e, aos poucos, o próprio personagem cria uma espécie de identidade com o ambiente, sua própria história se mistura, com o sertão. O público não sabe, na verdade, se ele não volta porque não tem pra onde ou pra quem voltar. Ou quais foram os seus reais motivos para viajar. José Renato acaba por acompanhar as mudanças da paisagem ao incorporá-las em sua própria transformação, ou melhor, superação. Viajo porque preciso, volto porque te amo é um filme belíssimo e vem ganhando o destaque que merece por onde passa (Gomes e Ainouz ganharam o prêmio de melhor direção no Festival do Rio de 2009).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-9116361482907504388?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/9116361482907504388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/viajo-porque-preciso-volto-porque-te_18.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/9116361482907504388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/9116361482907504388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/viajo-porque-preciso-volto-porque-te_18.html' title='Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jopl2SSYJlg/Sttxmk3pKNI/AAAAAAAAAJ0/qEbqqYpZGCY/s72-c/viajoporque.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-1726696610823968332</id><published>2009-10-18T08:01:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T08:16:47.109-07:00</updated><title type='text'>Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Por João Roberto Cintra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fosse pela música (e pelo título) brega, quem assiste &lt;em&gt;Viajo porque preciso, volto porque te amo&lt;/em&gt; pensaria que está diante de um estilizado documentário. Narrativa objetiva, paisagens secas, assim como seco se mostra o protagonista, de que se conhece somente a voz. José Renato faz uma viagem a trabalho: geólogo, faz um estudo da região, tendo em vista a transposição do Rio São Francisco. Como em uma caderneta de notas, as imagens que se vê e as observações são coladas numa lógica profissional. O tom muda, entretanto, quando o narrador percebe sua vida além do trabalho, e a caderneta começa a ganhar rabiscos pessoais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme torna-se, então, um diário aberto da viagem da transposição dele mesmo, e, como acontece em toda viagem física, essa também se torna interna. O amor pela (ex?) mulher o consome a ponto de desviar seu objetivo em nome do lamento e da saudade. As imagens agora buscam um foco em impressões pessoais ou histórias de pessoas que encontra – e tenta encontrar sentido para o seu sentimento ou para ele mesmo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme, realizado a partir de imagens colhidas ao longo de dez anos pelos cineastas Marcelo Gomes e Karin Aïnouz , é resultado da viagem deles próprios, pelas paisagens nordestinas. Os dois são cineastas cuja obra se caracteriza por um cinema sincero e sem concessões a grandes firulas comerciais. O curioso de saber que esse filme começou há mais de dez anos é perceber duas coisas. A primeira, o olhar apurado e o talento, desde antes de terem quaisquer ou poucos recursos como realizadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo, seu cinema "sincero e sem concessões" não pode ser reconhecido aqui: essas características na verdade nasceram a partir dele, e foram desenvolvidas nas obras que já conhecemos. Ou seja: a viagem foi deles também, em um filme orgânico, que precisava ser finalizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, fazê-lo agora denota uma certa maturidade, uma vez que o filme, construído por cortes e colagens de fotos, imagens em vídeo, outros formatos, poderia em outras mãos facilmente se perder, quando funciona de forma bastante coerente, principalmente pelo recurso do fio que conduz tudo e dá alma ao filme, o narrador – excelente trabalho de Irandhir Santos – e a trilha sonora que ajuda a enxergar o protagonista sem rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante a empatia criada por um alguém de quem se conhece apenas a voz. Conhece-se seu passado, seu presente, sua alma. Da mesma forma que a vida é descoberta no árido nordeste, com solo sem vida, mas com pessoas cantando músicas românticas ou sonhando para si uma "vida lazer". Nesse ponto, até se entende melhor o título, que se torna mais poético, e romântico. José Renato vai pela estrada em busca de uma vida, que corre como um rio. E esperando a coragem de pular.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-1726696610823968332?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/1726696610823968332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/viajo-porque-preciso-volto-porque-te.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1726696610823968332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/1726696610823968332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/viajo-porque-preciso-volto-porque-te.html' title='Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-2232875401499375261</id><published>2009-10-14T19:54:00.001-07:00</published><updated>2009-10-14T19:54:33.552-07:00</updated><title type='text'>O eterno exercício da crítica cinematográfica</title><content type='html'>Pelo segundo ano, o Janela Internacional de Cinema do Recife oferece aos interessados  pela crítica de cinema, academicamente ou não, uma oportunidade preciosa de exercitar um ofício, não raro, mal compreendido ou, cada vez mais, confundido com a prática do ‘achismo’ ou da simples opinião infundada e balizada prioritariamente por impressões pessoais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que possamos fazer um texto absolutamente impessoal, mas com as facilidades de exposição na internet – nem mais tão recente assim – os textos valorativos sobre cinema proliferaram numa quantidade numérica inversamente proporcional ao que oferecem de boa qualidade. Muitos deixando de lado preceitos próprios que poderiam melhor servir aos leitores de críticas de cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer trabalho superficial é danoso ou, sendo menos radical, é improdutivo. Não é diferente com a crítica cinematográfica. A questão é que, como em qualquer outra função, ela, a critica, ganha mais robustez com o exercício. E é exatamente essa disponibilidade que o Janela traz aos jovens críticos, que experimentarão o Janela Crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por meio de encontros, discussões prévias e conferência de dezenas de longas e curtas-metragens nacionais e internacionais, os sete selecionados que formam júri jovem do festival vivenciarão não apenas  a experiência por vezes fisicamente desgastante de acompanhar um festival, mas também o prazer em desenvolver a sensibilidade de seu raciocínio a partir da linguagem cinematográfica, e transformá-lo num discurso com função social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante observar que na conferência dos textos para a seleção dos escolhidos, identificamos escritas extremamente claras, bem desenvolvidas por referências cinematográficas, mas espiritualmente pobres. Ao mesmo tempo, vimos textos mal desenvolvidos, mas dotados de um aguçada compreensão mais universal do potencial humano que um filme pode sugerir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há fórmula para se chegar ao melhor texto crítico cinematográfico, e o Janela Crítica sabe disso. Mas sabe também que o esforço sempre deve existir, e persistir, para chegar próximo desse ‘melhor texto’, tendo sempre no seu horizonte que o crítico é apenas um intermediário entre a obra e o público. E que esse trabalho deve ser feito da maneira mais generosa e justa que esteve ao alcance de seu autor. Ao exercício, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LUIZ JOAQUIM&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-2232875401499375261?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/2232875401499375261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/o-eterno-exercicio-da-critica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2232875401499375261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/2232875401499375261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/o-eterno-exercicio-da-critica.html' title='O eterno exercício da crítica cinematográfica'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822378471043005898.post-7716194452120454680</id><published>2009-10-14T19:45:00.000-07:00</published><updated>2009-10-15T19:19:16.646-07:00</updated><title type='text'>Janela Crítica - 2a edição</title><content type='html'>Com o objetivo de incentivar o pensamento crítico sobre cinema em Pernambuco, a Janela Internacional de Cinema do Recife investe numa equipe de sete jovens universitários e amantes da sétima arte que se tornam críticos através da oficina Janela Crítica, sob a orientação do jornalista e crítico de cinema Luiz Joaquim (www.cinemaescrito.com.br).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os 33 candidatos inscritos, foram selecionados sete jovens que terão a missão de produzir críticas sobre os filmes exibidos durante o festival e ainda formar o Júri Janela Crítica, que elege os melhores nas categorias de curtas nacionais e internacionais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gabriela Alcântara Siqueira - Jornalismo - Unicap &lt;br /&gt;George André Silva Carvalho - Jornalismo – UFPE &lt;br /&gt;Gianni Paula dos Anjos Melo - Jornalismo – UFPE &lt;br /&gt;João Felipe Bento Gonçalves - Ciências Políticas / Relações Internacionais – UFPE &lt;br /&gt;João Roberto Cintra - Letras - UFPE&lt;br /&gt;Maria Doralice Lira Amorim - Jornalismo – UFPE&lt;br /&gt;Marília Amorim de Melo - Filosofia – UFPE&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822378471043005898-7716194452120454680?l=janelacritica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://janelacritica.blogspot.com/feeds/7716194452120454680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/janela-critica-2a-edicao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7716194452120454680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822378471043005898/posts/default/7716194452120454680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://janelacritica.blogspot.com/2009/10/janela-critica-2a-edicao.html' title='Janela Crítica - 2a edição'/><author><name>&lt;b&gt;Janela Internacional &lt;br&gt; de Cinema do Recife&lt;/b&gt;</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04708366784058379328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
